Homem de Honra – Os 10 Mandamentos da Máfia, de Wagner Patti e Edson Leal

“Da máfia só se sai morto”. Quem assistiu filmes ou leu livros sobre a máfia italiana, a cosa nostra, já deve ter se deparado com essa frase. Dentro do universo da organização existem preceitos sobre honra e pequenas regras de conduta que se assemelham a uma seita em determinados ângulos. Criada na segunda metade do século XIX, a máfia ganhou status e sofreu quedas, mas até hoje se espalha por países mundo afora, por mais que atue em uma escala menor que antes.

“Homem de Honra – Os 10 Mandamentos da Máfia” trata desse universo. Com 132 páginas e lançamento pela Panda Books, a graphic novel foi escrita pelo jornalista Wagner Patti (da Espn Brasil) e contou com a arte de Edson Leal. Com formato americano, capa dura e um tratamento luxuoso nas páginas, a HQ é uma competente trama de tudo aquilo que a máfia sempre expôs como perdas, assassinatos, lealdade, família, crueldade e vidas arremessadas pela janela.

Wagner Patti usa a grande São Paulo como ambiente para o desenvolvimento de sua ficção. Persegue por alguns dias um mafioso chamado Lorenzo Galantuomo, que está prestes a entrar para o seleto grupo de frente da organização. Nesse ínterim prévio faz o personagem esbanjar sua verve assustando empresários, corrompendo políticos, forjando acordos e finalizando desafetos. Jogos, licitações, proteção e prostitutas fazem parte do jogo diário de um coletor oficial e qualificado.

A arte de “Homem de Honra” é estática e não exibe muita velocidade ou pirotecnia. Parece uma fotonovela encartada em uma revista antiga, mas isso não representa necessariamente uma falta de qualidade. Usando como matrizes as cores branca, preta, vermelha e cinza, Edson Leal consegue retratar com intensidade os fatos chaves da história. Essa intensidade visual auxilia a dramaticidade que o roteiro busca passar no crescendo das revelações que circundam o objetivo final.

“Homem de Honra” consegue a proeza básica de uma boa obra de quadrinhos: unir um bom roteiro (mesmo sem ser espetacular) com uma arte bacana (por mais que não seja fantástica) e assim se apresenta como um trabalho bem recomendável. Para quem é fã do universo da máfia italiana no mundo da cultura pop, é um prato bem servido e que enche a barriga. Ao ler, só deixe as páginas um pouco longe, afinal de contas nunca se sabe quando uma bala pode ricochetear em você.

Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é...

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