Imagens Claras

As pessoas sérias não gostam quando eu digo que este país não tem jeito. Não é Patrícia?

Não me justifico, mas explico… Um pouco, muito pouco.

Fomos, minha companheira e eu, a uma palestra com o célebre doutor Içami Tiba, que estava marcada para as nove horas da manhã daquele dia, um dia qualquer. Sempre preocupados com cumprir horário, chegamos às oito e meia, mas a exposição acabou começando às dez.

Talvez por conhecimento da nossa educação ou da falta dela, os programadores, para evitar desacertos e interrupções tão comuns, já antecipam os horários, pensando na maioria que não sabe o que é relógio ou respeito pelo outro.

Dentre as várias audiências públicas a que compareci no ano passado, houve duas mais marcantes, porque a autoridade que as programara era a primeira a chegar atrasada. Pior! Era a última a chegar, sempre com uma hora de atraso, no mínimo, em relação ao horário programado. Ora! Os outros que esperem…

Assim não dá, Deputado!

Deputada?

Assim seja! Tubo bem! Desculpe! Questão de gênero. Agora é lei! O doutor Içami Tiba ainda vai se ver chamado de psiquiatro.

Programas literários bem agendados, comunicados, com horários específicos de princípio e de término, acabam virando o caos, quando as pessoas vão chegando naturalmente, muito depois do início e interrompendo as explanações, a fala, a leitura, sem nenhuma compostura. Esse é um mal que já perdura!

Inscrevi-me para uma “aula” sobre preservação de acervos digitais. Uma aula de respeito (volto a falar disto, mais adiante), de filosofia, de conhecimentos específicos e, também de preservação de fotografia… Digital. O pior é o dedo e, também, o mau exemplo de quem representa o poder… Público.

Abro mão de outros comentários pertinentes – impertinentes, talvez – para falar apenas do horário e do respeito ao semelhante.

A palestra/aula promovida por um ente público estava marcada para catorze horas de ontem, antepenúltimo dia do mês das flores deste dois mil e doze.

Pouco menos de uma hora antes, eu estava no ponto do ônibus para um percurso de uns quinze minutos.

Rebento de um outro tempo ou de outras origens, cheguei ao centro faltando trinta minutos para o horário previsto.

No pequeno trajeto a pé encontrei um velho conhecido e houve tempo para uma curta conversa; lembranças. Continuei caminhando pela Rua XV, antecipei as fotos que pretendia fazer mais tarde e cheguei ao local do evento quinze minutos antes da hora marcada para o princípio da palestra.

Além da funcionária da recepção, do professor e senhora (vindos de São Paulo), do cinegrafista e do sonoplasta que iriam gravar a aula, apenas eu. Cinco minutos depois chegou uma jovem da minha época (também gente de outro tempo e origem) e, depois, aos pingos foi chegando o pessoal. Catorze e dez já éramos quase dez e, agora, vinte e dois minutos depois do horário, nem sombra de começar… E chega gente!

Ás catorze e trinta, o grupo já era de vinte e tantos, quando pouco depois surge o responsável pelo local.

Desculpa-se pelo “pequeno atraso”, mas é que estavam aguardando a chegada de algumas pessoas que acabaram não vindo. Talvez por causa do calor – observa ele.

Os comentários, pertinentes ou não, eu deixo ao encargo do leitor.

Eu continuo sem saber se estas imagens, claras imagens, são fruto da descultura ou essencialmente da falta de respeito e educação. Uma coisa, porém, é certa: este país não tem jeito, não!

4 thoughts on “Imagens Claras

  1. É falta de educação mesmo! Síndrome de esperto: como todos atrasam, não vou perder o meu tempo… E vamos fingindo que somos gente…

  2. A desconsideração do próximo vai ficando cada dia mais evidente. As pessoas (com rarissimas exceções) não se importam além do seu próprio umbigo. Que lástima!

  3. É falta de educação, meu caro Jansen, e também a incorporação do espírito do malandro…Sempre achando que vai levar vantagem.
    Por aqui, até “cola”, mas só por aqui.

  4. É esta desconsideração, Maria Cecília, que descontrói uma sociedade.
    Olhar somente para o próprio umbigo gera estrabismo crônico e incapacidade de ver a realidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *