Cerveja sem dingos comercias

Telles foi um dos companheiros e um grande amigo que a ida à Florianópolis me proporcionou. Telles tinha a sede de um náufrago, só que por uma certa loira gelada com a qual cultivava o hábito da traição no bar seguinte. Florianópolis, com suas ruas cheias do perfume da experimentação juvenil , nunca se mostrou suficentemente capaz de um confronto justo para com a sede deTelles, que sanava toda sua falta de habilidade durante as aulas de ordem unida com um Fuzil 762, quando desenvolvia toda uma desenvoltura de um gole para outro.

Entendi que o ato de beber cerveja, para Telles, consistia em uma espécie de ritual de aproximação de tudo aquilo que ele amava e que havia deixado em um litoral um pouco mais quente e com corpos morenos desfilando suas silhuetas formosas, espalhando a graça e o desejo que sempre foi alvo de seus olhos sempre bem fechados, e que quase lhe custaram uma punição quando o Sargento Valle achou que Telles zombava dele.

” A saudade é foda, cara”, Telles me confessou enquanto assistíamos um filme qualquer usado como pretexto enquanto fazíamos um do outro receptáculos de ausências. Ele pode negar mas, naquela noite, bebeu refrigerante.

Foi colunista da extinta revista digital Acerto Crítico, do ano de 2000 até seu término em 2006. Foi colunista fixo dos blogs Jovem Repórter e CulturaNI , onde abordava cultura pop, música, cinema e cotidiano cultural da Baixada Fluminense. Escreve contos no seu blog pessoal “Se Nada Mais Der Errado”. Colabora com o CineZen desde 2010. É roteirista por formação – e, por orgulho – da HQ “Cotidiano”, pela editora “Maustouche”. Escreveu o roteiro dos curtas-metragens ” Ainda bem que estamos aqui” e ” Se nada mais der errado”. É autor de “Pequenos botões e grandes blusas”, distribuído digitalmente de forma gratuita.

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