O Aviador: a mente do tamanho do céu

Muitos homens vêm ao mundo para desafiar os limites. Sejam os limites impostos pelo mundo ou os limites psíquicos delineados por nossa complexa personalidade.

Em “O Aviador”, Martin Scorsese projeta nas telas muito mais do que a vida de Howard Hughes (interpretado muito bem por Leonardo DiCaprio), que revolucionou o sistema de aviação no mundo, o sistema e os meios de produção do cinema da época e que teve que lutar com o céu nebuloso que se projetava em sua mente.

Hughes, com a morte dos pais, herda uma verdadeira fortuna que foi acumulada pela empresa de brocas (Hughes Tool Company), utilizadas na perfuração de petróleo.

Ainda jovem, resolve desafiar a até então indústria do Cinema lançando o filme “Hells Angels” (Anjos do Inferno), filme sobre batalhas na Guerra Mundial, que inovou os meios de composição, com a marca do seu modo megalômano de lidar com a vida, levando ao limite da época o número de câmeras para as filmagens, com mortes de pilotos durante as gravações, sempre em busca da imagem nunca feita.

Mas a paixão de Howard Hughes era a aviação. Assim cria uma nova empresa – Hughes Aircraft Corporation – e começa a projetar aviões para serem utilizados em guerra. Arrisca-se em novos experimentos, como a tentativa do “Hercules”, que seria o maior avião de carga do mundo e também a revolução que proporcionou ao projetar o “Constellation”, destinado ao transporte de passageiros.

Em meio aos seus inventos com asas, o filme também mostra como funciona os lobbys para se conseguir verba junto ao governo para o desenvolvimento de novas armas de guerra, a luta com a poderosa PaNam pela concessão dos vôos domésticos e internacionais, os mecanismos da política e dos interesses econômicos que permeiam para destruir a imagem de um homem genial, porém, repleto de manias (o que não diminui em nada a sua contribuição para o mundo).

Hughes, inovador e ousado, virou celebridade. Galã, se envolveu com Katharine Hapburn e Ava Garner, mas era avesso ao mundo de glamour. Sua maior paixão era a aviação, novos experimentos, novos inventos, a superação do homem.

Ao mesmo tempo em que dava asas aos seus inventos, Hughes tinha que domesticar a sua mente. Sofria de distúrbios, principalmente com a limpeza. Em fases de crises crônicas, saía de cena para se reconciliar com o mundo e consigo mesmo.

Scorsese remonta a vida de Howard Hughes sem cair no tom de documentário. Realiza um grande filme, dinâmico, envolvente, que levou cinco estatuetas do Oscar.

O AVIADOR
(The Aviator, 2004, EUA).
Direção: Martin Scorsese.
Roteiro: John Logan.
Elenco: Leonardo DiCaprio (Howard Hughes), Kelli Garner (Faith Domergue), Cate Blanchett (Katharine Hepburn), Kate Beckinsale (Ava Gardner), John C. Reilly (Noah Dietrich), Adam Scott (Johnny Meyer), Alec Baldwin (Juan Trippe), Alan Alda (senador Owen Brewster), Gwen Stefani (Jean Harlow).
Drama biográfico.
170 minutos.

– Oscar: Atriz coadjuvante (Cate Blanchett), Montagem, Fotografia, Direção de Arte e Figurino.
– Indicação ao Oscar: Filme, Diretor, Ator (Leonardo DiCaprio), Ator Coadjuvante (Alan Alda), Som e Roteiro Original.
– Globo de Ouro: Filme/Drama, Ator/Drama (Leonardo DiCaprio) e Trilha Sonora.
– Indicação ao Globo de Ouro: Diretor, Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett) e Trilha Sonora.
– Bafta: Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Desenho de Produção e Maquiagem. – Indicação ao Bafta: Diretor, Ator (Leonardo DiCaprio), Ator Coadjuvante (Alan Alda), Trilha Sonora, Fotografia, Efeitos Visuais, Figurino, Edição, Som e Roteiro Original.

O filme integra o acervo da Vídeo Paradiso.

Leia mais sobre e comente o filme também na Cinemaki.

Ricardo Flaitt (Alemão) é colunista do Cinezen Cultural, historiador e assessor de imprensa do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos. Autor do livro “O Domesticador de Silêncios”. Contato: ricardoflaitt@hotmail.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *