O poder de George Clooney


Ao sair de uma sessão prévia de “Tudo Pelo Poder”, ouvi do artista plástico Argemiro Antunes, o seguinte: o Clooney é dos nossos. Miro tem conhecimento profundo de cinema. E sua fala resume bem o que o filme significa para quem gosta de obras artísticas inteligentes, que geram reflexão. Astro de Hollywood, George Clooney tem optado por realizar trabalhos íntegros. Já havia acertado em “Confissões de Uma Mente Perigosa”, a respeito dos bastidores da tevê, e no fabuloso “Boa Noite e Boa Sorte”, crítica feroz ao macartismo.

O novo longa percorre os bastidores das eleições presidenciais. Destaca o diretor de comunicação Stephen Myers (Ryan Gosling) na batalha pela indicação do então governador Mike Morris (Clooney), candidato à presidência dos EUA.

Com roteiro inspirado, baseado em peça de Beau Willimon, e um elenco de feras, que reúne ainda Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood e Jeffrey Wright, “Tudo Pelo Poder” é daqueles casos em que o cinema se faz necessário: brilhante, é também denúncia, alerta, história para acompanhar de olhos vidrados. Premiado em Veneza, recebeu indicações merecidas ao Globo de Ouro, confirma Ryan Gosling como um dos grandes atores de sua geração. E traz, pelo menos, uma cena memorável: a do telefone.

Quem não é interessado em política encontra uma trama muito bem contada. Nós brasileiros, testemunhas de tantas canalhices por parte de políticos e governantes, lembraremos de várias manchetes escandalosas daqui. É thriller intenso. Vale o ingresso. Por isso e muito mais, Clooney merece aplausos outra vez. Democrata, não teve medo de cutucar o próprio partido. Mesmo podendo se acomodar, surpreende. Diferente dos políticos inescrupulosos, que fazem qualquer coisa pelo poder, o ator e diretor prefere inquietar, e enfrenta o conservadorismo da ala direita norte-americana. Daí a má bilheteria na terra do Tio Sam. Burrice, incompetência e má intenção há em todo lugar. Sorte nossa que existem Clooneys a minimizar o estrago.

TUDO PELO PODER
(The Ides of March, EUA, 2011).
Direção: George Clooney.
Roteiro: George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon, baseados em peça de Beau Willimon.
Elenco: Paul Giamatti, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Ryan Gosling, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Jeffrey Wright, Max Minghella, Lauren Mae Shafer, Danny Mooney.
Drama.
101 minutos.

– Prêmio Brian no Festival de Veneza
– Indicação ao Globo de Ouro: Filme/drama, Direção, Roteiro, Ator (Ryan Gosling).

Estreia no Brasil: 23/12/2011.

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André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

3 thoughts on “O poder de George Clooney

  1. Ora, meu amigo André, eu apenas me referi à velha luta do “nós contra eles”. Agradeço ter mencionado a observação, mas é uma velha mania que adquiri quando encontro identificações como nesse excelente filme. Da mesma forma que dei pau hoje no James Stewart, porque virou penduricalho do J. Edgar Hoover. Aliás, estou curioso em relação ao filme do Clint Eastwood sobre o Hoover. Fosse eu cineasta, só faria um filme sobre um pulha desses para arrasar. Uma figura repulsiva como ele não me daria coragem nem para pesquisar.

  2. Um filme denúnica, na minha opinião, bastante ousado onde Clooney não teve receio em angariar, com certeza, bom número de inimigos e descontentes. Mostra os bastidores da política americana, a sujeira que, no geral, não chega ao conhecimento do grande público. Não tem como assistir ao filme e não associar às mazelas da terra brasilis…

  3. Clooney mostrou mais uma vez que não é apenas um homem bonito. Foi fundo na crítica a vários aspectos do american way of life que vem nos contaminando pouco a pouco e cada vez mais, graças à tal globalização. Até nossos políticos os imitam, seguindo os piores modelos. Mas é um consolo saber que existem cabeças pensantes no rebanho de Tio Sam… Adorei o filme, obrigada pela oportunidade, André!

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