Nirvana: Live At The Paramount é registro obrigatório para fãs do grunge


31 de outubro de 1991. Noite de Halloween no Paramount Theatre em Seattle, a maior cidade do estado de Washington nos Estados Unidos. Neste dia tocavam três caras que ainda não tinham a dimensão do que iam se tornar. Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl subiam ao palco da casa para mostrar para cinco mil pessoas o show do recém lançado “Nevermind”, que alguns dias antes havia alcançado a marca de 500 mil cópias vendidas em solo americano. Mudhoney e Bikini Kill também faziam parte do evento.

Aquele que muitos consideram um dos grandes shows da curta e intensa carreira do Nirvana, finalmente é lançado em DVD e Blu-ray. “Nirvana: Live At The Paramount” é obrigatório para os fãs do grunge. São 19 canções que abrangem tanto a estreia do “Bleach”, quanto o álbum final “In Utero” (com uma execução de “Rape Me”), passando logicamente pelo recém estourado “Nevermind”, pelo disco posterior de sobras “Incesticide” e covers preciosos como “Jesus Doesn’t Want Me For a Sunbeam” do Vaselines e “Love Buzz” do Shocking Blue.

A gravação impressiona pela sua simplicidade e força. Uma bateria pequena e sem maiores apetrechos, um baixo pulsante e uma guitarra aliada apenas a um mero pedal são capazes de produzir uma barulheira devastadora. Canções como “School”, “Breed”, “Negative Creep”, “Blew” e “Territorial Pissings” são exemplos desse poderio todo. Com uma iluminação apenas correta, sem animações de vídeo passando atrás do palco e poucas câmeras circundando o show, mostra-se que acima de invencionices tecnológicas, pode se vangloriar apenas da música.

http://www.youtube.com/watch?v=tGc8jL4dzao&feature=youtu.be A versão matadora de “Breed”

Em “Live At The Paramount”, o Nirvana é capturado em um momento ímpar da carreira, ainda sem estar de saco cheio do mundo e onde a fórmula calmaria-tempestade das canções funcionava a plenos pulmões. Do hino maior “Smells Like Teen Spirit” até outras como “Lithium” e “Sliver” isso casava perfeitamente bem. Em cima do palco Dave Grohl socava a bateria como o Animal dos Muppets, enquanto Novoselic, descalço, não parava de pular tal qual o Aríete do He-Man, para tudo convergir na destruição desengonçada e tímida de Cobain.

Depois desse show muita coisa mudou. A banda vendeu milhões de discos e ficou conhecida no mundo todo, para desespero do seu líder e vocalista, que optou por dar fim à vida em 5 de abril de 1994. Krist Novoselic ficou mais na sua, enquanto Dave Grohl criou o Foo Fighters, uma das grandes bandas da atualidade. Vinte anos depois de “Live At The Paramout” e com o relançamento de “Nevermind” em versão luxuosa, a banda de Seattle volta a tona para relembrar os motivos que lhe levaram a causar tanto estardalhaço no mundo da música.

NIRVANA: LIVE THE PARAMOUNT
(Idem, EUA, 2011).
Direção: Mark Racco.
Documentário / Musical

Faixas do DVD:

01 – Jesus Doesn’t Want Me For A Sunbeam
02 – Aneurysm
03 – Drain You
04 – School
05 – Floyd The Barber
06 – Smells Like Teen Spirit
07 – About A Girl
08 – Polly
09 – Breed
10 – Sliver
11 – Love Buzz
12 – Lithium
13 – Been A Son
14 – Negative Creep
15 – On A Plain
16 – Blew
17 – Rape Me
18 – Territorial Pissings
19 – Endless, Nameless

Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é...

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