A Paris de Woody Allen


É muito difícil que algum artista tenha ideias geniais sempre. Por lançar filmes todos os anos, Woody Allen tem alternado trabalhos interessantes (“Match Point”, 2005), esquecíveis (“Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos”, 2010) e, vez ou outra, um daqueles sensacionais, a exemplo de “Vicky Cristina Barcelona” (2008). “Meia Noite em Paris”, nova comédia do diretor e que abriu o último Festival de Cannes, onde foi bem recebida, pertence à última categoria. Como quem não quer nada, o diretor encantou e criou uma pérola cinematográfica para os amantes das artes.

A trama acompanha a jornada de Gil (Owen Wilson), que sonha alcançar o status dos grandes escritores norte-americanos. No entanto, é roteirista em Hollywood. Bem remunerado, mas frustrado profissionalmente. Para acompanhar o sogro republicano numa viagem de negócios, vai à capital francesa com a noiva (Rachel McAdams) superficial e chatinha, onde revê seus conceitos e tem algumas surpresas.

Novamente o cineasta reuniu um elenco de respeito: Marion Cotillard (premiada com o Oscar por “Piaf”), Adrien Brody (Oscar por “O Pianista”), Kathy Bates, Tom Hiddleston (o Loki, do recente “Thor”), Michael Sheen, entre outros. Owen Wilson, inclusive, aparece bem, sem aquela cara de bobo das comédias que tem estrelado nos últimos tempos. Talvez seja o melhor ator a ter encarnado Woody Allen em um filme de Woody Allen. Quem conhece a filmografia do cineasta vai compreender.

Allen ainda convenceu a primeira dama francesa, Carla Bruni, a atuar. Ou melhor, aparecer. Reza a lenda que ela precisou repetir uma cena dezena de vezes. Como atriz, é ótima peça decorativa.

O roteiro traz a costumeira qualidade do autor. Há as piadas irônicas, referências artísticas, e seu alter ego na história – no caso, Wilson.

Já o cenário… Depois de filmar em Londres e Barcelona, na chamada “fase europeia” de sua carreira, Woody Allen foi à França – ele tem rodado por lá, pois é onde tem conseguido financiamento. E Paris, por si só, é capaz de tornar qualquer obra cinematográfica charmosa. As andanças de Gil pela cidade-luz remetem a “Antes do Pôr-do-Sol” (2004), aquele em que Ethan Hawke e Julie Delpy passeavam pela capital francesa. Linda, cativante, a cidade-luz é a cereja do bolo para um filme divertido e apaixonante.

MEIA NOITE EM PARIS
(Midnight in Paris, Espanha / EUA, 2011).
Direção e roteiro: Woody Allen.
Elenco: Owen Wilson, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Carla Bruni-Sarkozy, Michael Sheen, Nina Arianda, Alison Pill, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Corey Stoll, Kurt Fuller, Mimi Kennedy.
Comédia.
100 minutos.

Estreia no Brasil: 17/06/2011.

Lançamento em DVD e Blu-ray: Novembro/2011.

O filme integra o acervo da Vídeo Paradiso

Leia mais sobre e comente o filme também no Cinemaki.

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

6 thoughts on “A Paris de Woody Allen

  1. André,
    Lendo sua crítica-comentário, viajei a Paris… Entardeceres e noites inesquecíveis! Woody Allen sempre nos surpreende. Ainda que este não seja o seu melhor filme, é muito bom perceber que o criador não desiste, mas continua o seu trabalho-arte necessária para si e para nós. Afinal o que seríamos sem o cinema? Pode haver melhor programa do que estar diante da telona com um bom filme?
    E se queremos escolher, acessamos o CINE ZEN! É “na mosca”! Teremos sua informação detalhada e cuidadosa! Parabéns, André Azenha! Parabéns, CINE ZEN!

  2. Oi Regina! Sempre bom contar com sua presença por aqui. Obrigado pela força. E o filme é mesmo uma viagem. Beijos, André Azenha

  3. Gostei da crítica, André. Achei o filme excelente e me lembrei em certos momentos de “A Rosa Púrpura do Cairo”. Assisti com meus dois fihos adolescentes, que gostaram das imagens e da “aula de cultura”. O enredo é interessnte, ao mesclar realidade e fantasia, o elenco, bem escolhido, com destaque para Owen Wilson, Marion Cottilard, Kathy Bates, Adrien Brody. Trilha sonora e fotografia de primeira. Para mim, os melhores filmes do genial Woody Allen são “Annie Hall”, “Testa-de-ferro por Acaso”, “A Rosa Púrpura do Cairo”, “Match Point” e este.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *