A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1 | Falta só um!


“Falta só um!”, diria o velho lobo Zagallo. Pois é, enquanto os fãs comemoram a estreia de “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1” e já choram o encerramento da franquia no ano que vem, quem gosta de cinema comemora a proximidade do término da série. Entra ano e sai ano e não adianta dizer que os atores são tão expressivos quanto o nosso querido “cigano Igor” Ricardo Macchi, que os roteiros são pífios, e que Edward e seus companheiros estão muito mais para fadas do que vampiros. Ele, por exemplo, vive na floresta, brilha no sol e tem voz fina. Nada disso impede a saga de ser um tremendo sucesso. Então, se você quer torrar seu dinheiro, ao menos agora encontrará o Brasil na trama.

Após seu casamento, Bella e Edward viajam ao Rio de Janeiro para a lua-de-mel, onde finalmente cedem à atração física. A jovem engravida, só que a criança inicialmente torna-se um grande perigo, capaz de levar a donzela à morte. Os lobisomens querem matar o bebê. Edward e Jacob se unem para protegê-la e o segundo se volta contra a própria família.


Quando escrevi sobre “Lua Nova”, disse que Bella é sonsa e na verdade sonhava era com um ménage à trois junto ao vampiro e o lobisomem. Em “Amanhecer – Parte 1”, a cara de pau dela vem à tona. Não bastasse enrolar três filmes para, enfim, transar com a amada, Edward consegue renegá-la mesmo após o coito consumado. Tudo por que deixou marcas na menina. Só que ela não liga. Quer mais. Chega a pedir por favor, duas vezes! Só falta dizer: Me come! Me bate! E qual a solução encontrada pelo herói? Jogar xadrez! Sério. E não para aí. Agora pinta uma espécie de ligação citada na tribo de Jacob. Pessoas que, ao se olharem, percebem que foram feitas uma para a outra. Ou seja, as informações são jogadas no espectador. Os fãs não ligam, claro. Quem não é fã, faz cara de bolinha. Mais tarde, essa dita “ligação” se revelará na verdade uma brecha para um momento descarado de pedofilia. Falar mais estraga a “surpresa” – lógico, quem leu o livro já sabe. Assim, fica provado que aquele papo de que a autora Stephenie Meyer é conservadora, blá blá blá, é furado. Na verdade ela é uma ninfomaníaca enrustida que despejou as taras nos livros.

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Mas nem tudo é – muito – ruim. O trabalho de maquiagem e os efeitos que deixam Bella doente funcionam e ver Robert Pattinson falando português carregado é divertido. Ao menos não repetiram o Hulk do Marvel Studios, no qual atores estrangeiros foram dublados de maneira grotesca. Bill Condon, diretor de “Chicago” e “Dreamgirls”, tenta dar classe à história, e vai bem em alguns momentos. E a ambientação do casamento é linda.

A verdade é que Edward e agora Bella são imortais e podem perder tempo vendo filminhos descartáveis. Eu não. Essas duas horas farão falta lá na frente. Ossos do ofício. Quem manda querer ser jornalista e ainda mais escrever sobre cinema.

Fica a festa. Conferi o filme naquela sessão da meia-noite. Pessoas fantasiadas, pais e filhos, casais. Só alegria. Assim o estrago não é tão forte. Falta só um.

A SAGA CREPÚSCULO: AMANHECER – PARTE 1
(The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 1, EUA, 2011).
Direção: Bill Condon.
Roteiro: Melissa Rosenberg, baseada em livro de Stephenie Meyer.
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Ashley Greene, Bryce Dallas Howard, Peter Facinelli, Jodelle Ferland, Elizabeth Reaser, Kellan Lutz, Catalina Sandino Moreno, Nikki Reed, Jackson Rathbone.
Romance.
135 minutos.

Estreia no Brasil: 18/11/2011.

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André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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