Crow, o Magnífico: Entre o sentimento e o dever


Se você procura um filme inteligente, com ação e uma trama bem elaborada, pode alugar “Crow, o Magnífico”. O filme narra a história de um homem rico que, pelo prazer de desbancar o sistema, arquiteta um assalto a banco. Para isso, contrata um motorista e mais quatro homens.

Bom, até aí parece mais um filme corriqueiro sobre grandes golpes, mas “Crow” não é bem assim. O diretor adicionou vários diferenciais e nuances no roteiro que tornam o filme muito além de um filme policial. Primeiro que Thomas Crow, interpretado por Steve McQueen, não é um ladrão comum. É um homem bem sucedido, refinado e inteligente.

Segundo, pela forma como Crow contrata com os cúmplices. Para que o plano fosse executado e não deixasse rastros, Crow agencia cinco homens, repassa seu plano a todos, mas não estabelece nenhuma forma de contato com eles.

O roubo segue conforme os planos. O banco é assaltado e Crow fatura US$ 2,6 milhões. Eis outro ponto que você poderia estar pensando e questionando: poxa, esse desfecho é como a maioria dos filmes de ação…

Mas eis que o diretor proporciona uma nova reviravolta. Após o assalto, o bom burguês Thomas Crow vai curtir a vida. Viagens, restaurantes, jogos, ou seja, desfruta tudo de bom que o mundo nos proporciona.

Enquanto isso, a seguradora do banco mobiliza uma equipe para tentar descobrir quem é o assaltante e, assim, não ficar com o prejuízo. O responsável da seguradora escala Vickie Anderson (Faye Dunaway), uma esperta investigadora, para desvendar o caso.

Como motivação a mais para a investigadora, a seguradora estabelece que se Vickie desvendar o caso, ficará com 10% dos 2,6 milhões. (vale lembrar que esses valores eram exorbitantes, considerando que o filme é de 1968).

Astuta, Vickie Anderson rastreia contas na Suíça, faz o levantamento dos últimos clientes e possíveis ladrões que viajaram para o paraíso fiscal e, diante de uma seleção, tem a certeza de que o golpe foi cometido por Thomas Crow.

Assim, Vickie (em grande interpretação de Dunaway), parte para seduzir o milionário Crow. O problema é que Crow é um homem culto e esperto.

Nesse ponto, o foco do filme fica no jogo sensual e psicológico entre Vickie e Crow, que vivem um ardente amor. Um sentimento que ultrapassou os limites das obrigações. O diretor Norman Jewison brinda os amantes do cinema com cenas sensuais e até fortes, como a insinuação sexual enquanto Vickie e Crow jogam xadrez.

Outro recurso interessante no filme, é que Jewison, em vários momentos, fragmentou a tela em várias cenas, transformando-a como numa “diagramação” de história em quadrinhos. Nessa subdivisão, em cada quadro uma cena, um foco, uma imagem. Há que se considerar que estamos falando de um filme de 1968. Muito legal. Vale conferir.

Não deixe também de se esbaldar com a beleza estonteante e sedutora de Faye Dunaway.

Curiosidades: Faye Dunaway, que interpretou a investigadora na versão de 1968, fez o papel de psicóloga na refilmagem com Pierce Brosnan, de 1999.

CROWN, O MAGNÍFICO
(The Thomas Crown Affair, EUA, 1968).
Direção: Norman Jewison.
Elenco: Steve McQueen (Thomas Crown), Faye Dunaway (Vicki Anderson), Paul Burke (Eddy Malone), Jack Weston (Erwin), Biff McGuire (Sandy).
Crime / Drama / Romance.
102 minutos.

– Oscar: Canção original (“The Windmills of Your Mind”).
– Indicação ao Oscar: Trilha sonora.
– Globo de Ouro: Canção original (“The Windmills of Your Mind”).
– Indicação ao Globo de Ouro: Trilha Sonora.

O filme integra o acervo da Vídeo Paradiso

Ricardo Flaitt (Alemão) é colunista do Cinezen Cultural, historiador e assessor de imprensa do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos. Autor do livro “O Domesticador de Silêncios”. Contato: ricardoflaitt@hotmail.com

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