Cinema

Contágio traça paralelos com problemas sociais e virais

Elenco espetacular poderia ser melhor aproveitado
Por Jean Garnier (28/10/2011) // Comente


Pouco sabemos o que aconteceu antes. Na verdade, quase nada.  O ponto de partida é o “Dia 2”, no qual a bela Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow) aparece descontraída, tomando uma bebida e conversando pelo celular com alguém que prefere o anonimato. Mal sabe Beth que aquela simples traição está colocando em risco a existência humana. “Contágio” traz várias histórias sobre o horror invisível e a decadência social.

Dias após, Beth tem um colapso, caí no chão espumando pela boca. Algumas horas depois, os médicos estão cerrando a sua cabeça para examinar o cérebro. O marido dela, Mitch (Matt Damon), entra num desespero tão grande que não vê que seu enteado, Clarck, acaba morrendo dos mesmos sintomas. Mitch é logo isolado, só que inexplicavelmente ele é imune à doença. Assim como em “Guerra dos Mundos”, Mitch tenta fugir da cidade, só que devido à quarentena, é obrigado a suportar o caos e esperar que sua filha seja vacinada.

Em Atlanta, Estados Unidos,  agentes do Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos se reúnem com o doutor Ellis Cheever (Laurence Fishburne) e a doutora Erin Mears (Kate Winslet) para informar que, para eles, a doença é uma arma biológica, com a intenção de provocar a desordem às vésperas do feriado de Ação de Graças.

As baixas vão se multiplicando ao redor do mundo e a vacina ainda não é descoberta. Para piorar, o jornalista sensacionalista Alan Krumwiede (Jude Law) alega ter se curado da doença usando um homeopático feito a base em forsythia. Isso provoca pânico na população, que ao tentar obter a tal forsythia, sobrecarrega as farmácias e aumenta ainda mais o número de infectados.

Em um debate na televisão, Krumwiede cria mais outra enorme polêmica ao acusar Cheever de informar a amigos que deixem Chicago antes que a quarentena seja imposta.

“Contágio” deixa aquela sensação de não sabermos direito do que ter medo. É capaz que, por algum tempo, influencie alguns espectadores nos seus hábitos higiênicos.  O diretor Steven Soderbergh (“Onze Homens e um Segredo”) mostra de maneira crua como o medo domina não apenas a sociedade, mas também deixa assustadas e perdidas pessoas – oficiais, médicos, autoridades – que aparentemente teriam que ter o controle da situação.

O cineasta constrói a história através da metáfora: traça paralelo com o sentimento de desconforto perturbador das nossas doenças sociais – arrogância, estupidez, ignorância – e como tudo isso é tão perigoso como um novo vírus. Há também a rapidez com que se avança esse vírus e os “virais” que espalham alguns boatos que circulam pela internet.

Apesar de interessante, o elenco recheado de estrelas é mal aproveitado. Quantas produções se dão ao luxo de ter três atrizes vencedoras do Oscar – Paltrow, Cotillard e Winslet – e matar uma logo no começo e subaproveitar outra?

CONTÁGIO
(Contagion, EUA, 2011).
Direção: Steven Soderbergh.
Roteiro: Scott Z. Burns.
Elenco: Matt Damon, Kate Winslet, Jude Law, Marion Cotillard, Laurence Fishburne, Gwyneth Paltrow, John Hawkes, Demetri Martin, Bryan Cranston, Elliott Gould.
Suspense / Ficção científica.
106 minutos.

Estreia no Brasil: 28/10/2011.

Leia mais sobre e comente o filme também na Cinemaki.

Conteúdo relacionado:



Crow, o Magnífico: Entre o sentimento e o deverTomates Verdes Fritos é sensível, caloroso, com tom melancólico bem temperado por momentos leves

Escreva seu comentário

Campos obrigatórios