DVD e Blu-ray

Título nacional de Namorados Para Sempre engana: na verdade, é drama de partir o coração…

Michelle Williams e Ryan Gosling têm grandes atuações
Por André Azenha, editor (14/09/2011) // 6 comentários


É daqueles casos em que os distribuidores brasileiros agiram de forma “genial”. Esperaram a proximidade do Dia dos Namorados para lançar o filme nos cinemas. Só que não é romance e nem esperançoso como sugere o absurdo título nacional. Trata-se de drama pesado, forte, denso, sobre desgaste na relação, o amor que se transforma em desamor, culpa, arrependimento. Seria mais inteligente ter aproveitado a indicação da atriz Michelle Williams ao Oscar no início o ano. Muitos casais irão ao cinema pensando encontrar uma história bonitinha, de final feliz, e provavelmente deixarão a sala de projeção com um gosto amargo na boca.


No entanto, “Blue Valentine”, produzido de forma independente e financiado pelo Chrysler Film Project, que premia em dinheiro novos cineastas, funciona. Funciona como retrato da realidade. A trama em si e a forma como é contada, na verdade, não é nada criativa. Histórias de (des)amor não lineares já foram mostradas. Alguns exemplos recentes são “500 Dias Com Ela” (2009) e “Foi Apenas Um Sonho” (2008). Aliás, o longa de três anos atrás é bem próximo do novo lançamento. Não somente pelo roteiro apresentado, mas por contar com duas atuações inspiradas. Naquele filme, de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Aqui, de Ryan Gosling e Michelle Williams. A dupla interpreta respectivamente Dean e Cindy. Eles são casados e têm uma filha de cinco anos. Só que o casamento vai mal. Bem mal. Numa das tentativas para tentar salvar a relação, reservam um quarto de hotel onde pretendem relembrar os bons tempos. E a partir daí o enredo alterna momentos do passado, quando a dupla se conhece, se apaixona, faz planos, com o presente, triste, desgastado, quando tentam entender o que aconteceu, como chegaram à situação.

Imagem de Amostra do You Tube

Obras assim dificilmente atraem o grande público. Pois mostram a verdade como ela é, nua e crua. As situações vividas por Dean e Cindy provavelmente já aconteceram conosco em determinado momento. O mérito do filme é não julgar os personagens. São humanos, errantes, que não se orgulham dos defeitos, tentam achar o caminho certo, e continuam batendo cabeças. A gente torce pra que eles se entendam, ficamos tristes por eles, e talvez, o grande mérito do longa, compreendemos suas atitudes. “Blue Valentine” é amargo, triste. Mas vale. Vale por gerar compreensão. Compreensão que às vezes nos falta na vida real. Vale pelas atuações intensas de Williams e Gosling. Ela merecidamente indicada ao prêmio da Academia. O ator injustamente ignorado na premiação. E ainda vale pela sensível cena em que Gosling executa a deliciosa canção “You Always Hurt The One You Love”, composta por Allan Rodrigues e Doris Fisher, e interpretada, ao longo das décadas, por gente como Fats Domino e o beatle Ringo Starr.

NAMORADOS PARA SEMPRE
(Blue Valentine, EUA, 2010).
Direção: Derek Cianfrance.
Roteiro: Derek Cianfrance, Cami Delavigne, Joey Curtis.
Elenco: Ryan Gosling, Michelle Williams, Faith Wladyka, John Doman, Mike Vogel.
Drama.
112 minutos.

Principais prêmios e indicações:

- Indicação ao Oscar: Melhor atriz (Michelle Williams).
- Associação dos Críticos de Chicago: Cineasta mais promissor (Derek Cianfrance).
- Indicação ao Globo de Ouro: Melhor ator em filme dramático (Ryan Gosling), Melhor atriz em filme dramático (Michelle Williams).
- Indicação ao Independent Spirit Awards: Melhor atriz (Michelle Williams).
- Indicação ao prêmio da crítica de Londres: Ator do ano (Ryan Gosling).
- Crítica de São Francisco: Melhor atriz (Michelle Williams).
- Seleção no Festival de Sundance: Concorreu ao Grande Prêmio do Júri.

Estreia no Brasil: 10/06/2011.

Lançamento em DVD e Blu-ray: Setembro/2011.

O filme integra o acervo da Vídeo Paradiso

Leia mais sobre e comente o filme também no Cinemaki.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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6 Comentários
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  1. Resenhas assim são esclarecedoras. Estava crente que era um filme “babinha” e, de qualquer maneira, não é um filme que me atraia. De “blue”, basta algumas informações que a própria vida nos traz, não? Parabéns pelo texto envolvente.

  2. Bacana Helder! Obrigado pela presença! abração, André Azenha

  3. Bom eu já fiquei mais curiosa em assistir o filme… !!! interessante, e pode ser envolvente por nos identificar… em algumas situações…!!!

  4. Oi Amanda! o filme é bom, vale ser visto, apesar de triste… só que ele está sendo divulgado da forma errada… forma dos produtores garantirem um público que não é o público-alvo.. enfim, coisa da indústria cinematográfica. Bjos, André Azenha

  5. Não gosto de assistir dramas pq sou muito chorona, mas após ler a sua crítica, confesso que me interessei. Parabéns pela crítica! Agora vou passar a ler mais o site! bjs

  6. Oi Juliana!! bom ter vc por aqui;) beijos! André

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