Noivo Neurótico, Noiva Nervosa: A difícil e engraçada arte de viver a dois


Muito se falou, há pouco tempo, de “Vicky, Cristina, Barcelona”, filme de Woody Allen, mas quem já viu “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977) concordará que a recente obra está muito distante dos melhores momentos do diretor.

“Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” conta a história do comediante de Nova York Alver Singer (Woody Allen), que encontra Annie Hall (Diane Keaton), com quem pretende passar o resto de sua vida. Ou seja, um casal como qualquer outro, se não fossem os temperamentos complicados que dão o tom da comédia. Nessa eterna luta dos sentimentos humanos, brigam, voltam, amam, odeiam e proporcionam momentos que vão do lúdico ao dramático.

Apesar de negar, o personagem Alver Singer é o alterego de Woody Allen. Judeu e completamente neurótico, Singer transita entre o presente e o passado para tentar compreender as relações entre os casais, o sentimento humano e ao mesmo tempo as coisas cotidianas. Na história de um casal tentando se entender e ao mesmo tempo entender ao mundo, Allen conseguiu sintetizar a difícil e engraçada arte da vida a dois.

Se em alguns momentos pode parecer trágico o mundo em que vivemos, também o é engraçado e patético, pois, afinal, o riso não vem da calamidade? “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” conseguiu captar os anseios do seu tempo, mas não deixar de ser um filme contemporâneo, porque, mesmo que o mundo se transforme, os sentimentos humanos e as neuroses são praticamente os mesmos de gerações e gerações passadas.

Observe a maneira como o diretor Woody Allen compôs o filme, que tem cenas inusitadas: os personagens olhando para a câmera, como se conversando com o telespectadores.

A diferença no filme de Allen é que ele nos faz enxergar a vida e também rir de nossas próprias angústias e limitações. Uma comédia imperdível.

http://www.youtube.com/watch?v=2u0HTx9yPhk&feature=youtu.be

Curiosidades: O nome verdadeiro da atriz Diane Keaton, que namorava com Woody Allen por ocasião das filmagens, é Diane Hall, e seu apelido entre os amigos é Annie.

O nome do ator Christopher Walken aparece escrito de forma errada nos créditos do filme.

“Annie Hall” é o filme de estreia da atriz Sigourney Weaver, que aparece bem no final, interpretando uma personagem sem falas.

As roupas utilizadas pela personagem Annie Hall pertenciam à própria atriz Diane Keaton.

Marshall McLuhan representa ele mesmo na célebre sequência da fila do cinema.

O nome do filme era para ser “Anhedonia” (palavra definida como a “inabilidade crônica de experimentar prazer”), mas três semanas antes da estreia foi alterado para “Annie Hall”.

NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA
(Annie Hall, 1977, EUA).
Direção: Woody Allen.
Roteiro: Woody Allen e Marsahl Brickman.
Elenco: Woody Allen (Alvy Singer), Diane Keaton (Annie Hall), Tony Roberts (Rob), Carol Kane (Allison).
Comédia.
93 minutos.

Principais prêmios e indicações:

– Oscar: Filme, Diretor, Roteiro original, Atriz (Diane Keaton).
– Indicação ao Oscar: Ator (Woody Allen).
– Bafta: Filme, Diretor, Roteiro, Montagem, Atriz (Diane Keaton).
– Indicação ao Bafta: Ator (Woody Allen).
– Globo de Ouro: Atriz em comédia/musical (Diane Keaton).
– Indicação ao Globo de Ouro: Filme, Diretor, Roteiro, Ator em comédia/musical (Woody Allen).
– Crítica de Los Angeles: Roteiro.
– National Board of Review: Atriz coadjuvante (Diane Keaton).
– Crítica de Nova York: Filme, Diretor, Roteiro, Atriz (Diane Keaton).
– Sindicato dos Roteiristas da América (WGA): Roteiro de comédia.

O filme integra o acervo da Vídeo Paradiso.

Leia mais sobre e comente o filme também na Cinemaki.

Ricardo Flaitt (Alemão) é colunista do Cinezen Cultural, historiador e assessor de imprensa do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos. Autor do livro “O Domesticador de Silêncios”. Contato: ricardoflaitt@hotmail.com

One thought on “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa: A difícil e engraçada arte de viver a dois

  1. Vicky Cristina Barcelona conversa mais com nossas atualidades. Em Annie Hall tem uma ótima cena que se passa na fila do cinema, tal cena tenta descontruir o pseudo intelectual com o que seria um ‘verdadeiro’ intelectual (Mcluhan). Ainda em Annie Hall, considero que exista também um embate intelectual entre o casal, coisa que não há em V.C.B, os impasses neste filme são diferentes e o que predomina é o desejo e suas consequências. Não existe mais discurso distorcido ou pré-moldado para levar namorada para o depois do cinema. No filme V.C.B, é a ousadia que faz cama e a liberdade para explorar a própria criatividade que faz conjunto, pares, triângulos e quartetos. Se existe um filme atemporal, ele está dentro de Annie Hall: Persona.

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