Pânico 4 mantém série interessante ao brincar de subverter gênero terror


Não é à toa que Wes Craven é considerado um dos mestres do terror. Diretor de clássicos como “Aniversário Macabro” (1972), “Quadrilha de Sádicos” (1977) e “A Hora do Pesadelo” (1984), que influenciaram tantas outras produções, soube se atualizar nos anos 90 com a série “Pânico”, que inseriu ironia e humor inteligente aos jorros de sangue, e obteve sucesso de crítica e público. Nessas décadas, ele também viu suas obras serem vilipendiadas com refilmagens péssimas e imitações piores ainda. E é ao satirizar toda essa história que o cineasta consegue, com “Pânico 4”, não enjoar o público, ainda que todas as artimanhas usadas ao longo da trilogia original estejam lá.

Neve Campbell outra vez faz Sidney Prescott, a sobrevivente dos longas passados. Autora de um livro de autoajuda, baseado em suas experiências pessoais, ela retorna à Woodsboro para promover o trabalho. Na cidade onde os massacres aconteceram, reencontra Dewey (David Arquette), alçado ao cargo de xerife, e Gale (Courteney Cox), que estão casados. Também revê sua prima Jill (Emma Roberts) e a tia Kate (Mary McDonnell). Mas a volta ao local ressuscita Ghostface, colocando todos em perigo. Curiosamente, o assassino mascarado possui novas “regras”, inspiradas nos clichês dos filmes de terror, principalmente aqueles feitos a partir da vida de Sidney.

Desde o início a trama traz uma série de frases irônicas e divertidas quanto ao rumo tomado pelo gênero terror. “Jogos Mortais”, “Premonição”, produções orientais e outras franquias ou refilmagens não são poupados. É como se os realizadores estivessem disparando aos colegas: “Quer fazer terror, suspense, faz direito. É assim”. O espectador é levado a acreditar que Craven e o roteirista Kevin Williamson estão subvertendo o gênero. E é aí que entra a inteligência da dupla. A subversão é ilusória. Todos os clichês estão lá: a janela aberta, a tensão com o que há atrás da porta ou dentro do armário, a garagem escura e sem ninguém. Remakes ou continuações decentes precisam manter a essência da obra e ir além, diz a moral da história. Assim, tudo que já foi visto no cinema, e cinéfilos se deliciarão com as referências, surge bem amarrado, com tiradas espertas e atualizado para o público atual – a tecnologia é bastante usada por heróis, vítimas e vilão.

Com o quarto episódio, a série “Pânico” consegue o difícil feito de manter o êxito com a mesma equipe (diretor, roteirista e atores principais) desde seu começo. Não descambou a lançamentos frouxos, artistas de quinta ou fitas produzidas para o mercado de home vídeo, como sucedeu com imitações. Talvez tenha faltado um pouco de coragem para eliminar certos personagens. Só que aí entra o faro monetário dos produtores – não se mexe em time que está vencendo – e a deixa para novos filmes da marca. Os fãs, no entanto, não têm do que reclamar.

PÂNICO 4
(Scream 4, EUA, 2011).
Direção: Wes Craven.
Roteiro: Kevin Williamson.
Elenco: Neve Campbell, David Arquette, Courteney Cox, Emma Roberts, Hayden Panettiere, Adam Brody, Rory Culkin, Marley Shelton, Erik Knudsen, Nico Tortorella, Anthony Anderson, Marielle Jaffe, Mary McDonnell, Alison Brie, Anna Paquin, Kristen Bell, Shenae Grimes e Lucy Hale.
Terror – 16 anos.
111 minutos.

Estreia no Brasil: 15/04/2011.

Lançamento em DVD e Blu-ray: 24/08/2011.

O filme integra o acervo da Vídeo Paradiso.

Leia mais sobre e comente o filme também no Cinemaki.

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *