DVD e Blu-ray

O Poder e a Lei: Carisma do protagonista garante bom thriller de tribunal

Trilha sonora retrô colabora para aura cult do longa
Por André Azenha, editor (26/08/2011) // Comente

Dá pena de Ryan Phillippe (à direita) perto de Matthew McConaughey

Tem se falado bastante sobre o sucesso “surpreendente” de “O Poder e a Lei” nos Estados Unidos. Lançado discretamente e com orçamento de US$ 40 milhões, rendeu elogios da crítica e US$ 56 milhões. Há quem explique o êxito como resposta do público adulto à infantilização dos longas recentes de Hollywood. Pode ser. Ao levantarmos tal questão, no entanto, diminui-se o mérito da obra. A história é boa, envolvente. Tem ator cativante e tema que norte-americano adora: thriller de tribunal. E nós, brasileiros, que importamos todas as séries produzidas por lá, como “Law & Order”, “Lar & Order: Special Victims Unit”, “The Good Wife”, entre outras, acabamos gostando por tabela.

A trama, baseada no best-seller Advogado de Porta de Cadeia, de Michael Connelly, publicado pela Editora Record no Brasil, pode ser considerada um episódio esticado desses seriados. Menos focado no trabalho policial. O protagonista é o “defensor” dos acusados. O advogado Michael Haller (Matthew McConaughey) roda a cidade farejando novas oportunidades de ganhar dinheiro em cima de marginais acostumados a entrar e sair da prisão. Até o dia em que é escolhido para representar o jovem playboy Louis Roulet (Ryan Phillippe), detido por agressão e tentativa de estupro. É a chance de faturar US$ 1 milhão. Só que, ao topar a empreitada, Michael é passado para trás num jogo acostumado a comandar.

Fosse centrado apenas na atitude malandra de Haller, obviamente execrável, “O Poder e a Lei” criaria rejeição imediata na plateia, ávida por justiça quando se trata de cinema ou televisão. Afinal, na vida real sabemos o quão é difícil consegui-la. E não faltam clichês no roteiro. Tem a ex-mulher (Marisa Tomei) que frequentemente reaparece pra mais uma transa, a busca por redenção do personagem principal, as pegadinhas no tribunal, a relação “entre tapas e beijos” com tiras e o promotoria, etc. Tudo o que vemos naquelas séries famosas. Inclusive o advogado que defende qualquer bandidinho meia-tigela. A forma como algumas cenas são mostradas, com uma narração detalhando o que já é visto na tela, parece não confiar na inteligência do espectador.

Imagem de Amostra do You Tube

Mas aí entra a parte boa do texto e o carisma de Matthew McConaughey. Enquanto profissionalmente podemos condená-lo, Haller se preocupa com o bem-estar da filha, da ex-mulher, tem charme, nos cativa. Não é unidimensional. McConaughey é perfeito para o papel do sujeito confiante e irônico que, em determinado momento, pode agir de forma séria, consciente. Ele aparece mais ator e menos galã que o habitual e leva o filme nas costas. Dá pena de Ryan Phillippe, insosso como sempre e engolido pelo colega em cena. O restante do elenco é correto e não tem maior chance. A trilha sonora, com black music estilo anos 70, é cult. Surpresa mesmo é a direção do pouco conhecido Brad Furman. Até então o cineasta fez um policial, “The Take” (2007), estrelado por John Leguizamo, que repete a parceria aqui.

O PODER E A LEI
(The Lincoln Lawyer, EUA , 2011).
Direção: Brad Furman.
Roteiro: John Romano, baseado no livro Advogado de Porta de Cadeia, de Michael Connelly.
Elenco: Matthew McConaughey, Ryan Phillippe, Marisa Tomei, John Leguizamo, William H. Macy, Josh Lucas, Michael Peña, Bryan Cranston, Frances Fisher, Shea Whigham, Margarita Levieva.
Policial / Thriller.
118 minutos.

Estreia no Brasil: 27/05/2011.

Lançamento em DVD e Blu-ray: 24/08/2011.

O filme integra o acervo da Vídeo Paradiso

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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