Platoon: guerra particular e universal


Um dos melhores filmes de guerra da história do cinema, “Platoon”, de Oliver Stone, retrata a frustrada tentativa de intervenção dos Estados Unidos no Vietnã. A diferença de “Platoon” para outros filmes do gênero é que o diretor estabelece uma visão que vai do particular ao universal. Ora mostrando a guerra num plano geral, ora sob a ótima de um soldado americano.

Particular, no momento em que a história é narrada em primeira pessoa, mostrando a visão do novato recruta Chris, interpretado por Charlie Sheen, o alter ego do diretor Oliver Stone, que participou de fato da guerra. Por outro ângulo, é universal (macro) quando mostra a guerra sob a perspectiva política, dos conflitos humanos, dos interesses econômicos e da barbárie que o homem é capaz de promover.

No filme, o recruta Chris, jovem de classe média americano, alista-se voluntariamente no exército com o objetivo e o idealismo de defender sua pátria, como fizeram seu pai e seu avô. E é por meio do personagem Chris que Stone mostra as diversidades culturais dos Estados Unidos, as diferenças de classes e suas críticas ao “american way of life”.

Uma vez que os filhos dos mais abastados não colocam o peito sob a mira dos rifles inimigos, no campo de batalha é que se vê que a maioria dos soldados é de origem pobre, pessoas consideradas descartáveis para a sociedade da produção americana. Ao contrário de Chris, não foram convocados, e não possuem perspectivas de uma vida decente na América. Talvez, para esses, a guerra seja pela sobrevivência em solo americano.

Bom, mas quem lê essas linhas, pensa que é um filme de guerra somente com um enfoque psicológico, sonolento, enfadonho. Mas a realidade é que “Platoon” possui muitas cenas de ação, imagens fortes da guerra (se é que a guerra em si já não é uma imagem hiperbólica) e que dão uma dinâmica ao filme.

A grande virtude de “Platoon’ é que Stone conseguiu fazer um filme reflexivo sem ser politicamente correto, muito menos um tributo aos americanos. Ao contrário. “Platoon” mostra os horrores da guerra do Vietnã (sob a ótica de uma pessoa que esteve lá de fato) e também a luta de um soldado em conflito existencial diante de tamanha barbárie.

É um clássico, porque os soldados ali representados podem ser os soldados de qualquer outra guerra e o Vietnã também pode ser qualquer aldeia global em conflito.

Curiosidades: Johnny Depp tinha 22 anos na época em que o filme foi realizado e aquela foi a primeira vez que ele saiu dos Estados Unidos, uma vez que as filmagens foram realizadas nas Filipinas. Keanu Reeves recusou o papel de Chris Taylor. O papel de sargento Barnes foi originalmente oferecido a Kevin Costner.  O orçamento de “Platoon” foi de US$ 6 milhões, sendo que arrecadou US$ 137 milhões apenas nas bilheterias estadunidenses.

PLATOON
(Idem, EUA, 1986).
Direção e roteiro: Oliver Stone.
Elenco: Tom Berenger (Sargento Barnes), Willem Dafoe (Sargento Elias), Charlie Sheen (Chris), Forest Whitaker (Big Harold), Johnny Depp (Lerner), Francesco Quinn (Rhah), John C. McGinley (Sargento O’Neill).
Guerra / Drama.
120 minutos.

Principais prêmios e indicações:

– Oscar: Filme, Diretor, Som, Montagem.
– Indicação ao Oscar: Ator Coadjuvante (Tom Berenger e Willem Dafoe), Roteiro original e Fotografia.
– Prêmio da Academia Japonesa: Melhor filme estrangeiro.
– Bafta: Diretor, Montagem.
– Indicação ao Bafta: Fotografia.
– Festival de Berlim: Melhor diretor.
– Concorreu ao Urso de Ouro no Festival de Berlim.
– Sindicato dos Diretores da América (DGA): Melhor direção em filme.
– Globo de Ouro: Filme/drama, Diretor, Ator Coadjuvante (Tom Berenger).
– Indicação ao Globo de Ouro: Roteiro.
– Independent Spirit Awards: Filme, Diretor, Roteiro, Fotografia.

Disponível em DVD e Blu-ray. 

Leia mais sobre e comente o filme também no Cinemaki.

Ricardo Flaitt (Alemão) é colunista do Cinezen Cultural, historiador e assessor de imprensa do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos. Autor do livro “O Domesticador de Silêncios”. Contato: ricardoflaitt@hotmail.com

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