Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 é gran finale para uma das maiores sagas do cinema


Dez anos. Oito longas. Bilhões de dólares arrecadados. Centenas de milhões de fãs ao redor do mundo. E melhor: ótimos filmes. “Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2” é o gran finale para uma das maiores, e melhores, sagas exibidas nas telonas. Não é só a fama que a colocam no rol. Você consegue listar quantas franquias, séries, sagas, que tenham ultrapassado os quatro episódios mantendo o elenco principal, unidade, coesão, bons diretores e atores, e melhorado filme a filme? James Bond? Vários atores viveram o protagonista e alguns filmes foram bem fracos. Batman? Vários atores viveram o protagonista e alguns filmes foram bem fracos, pra não dizer ridículos (ah, Joel Schumacher!). “Rocky”? Irregular. “Sexta-Feira 13”? Brincadeira. Teve “Star Trek”, tudo bem, Mas o elenco original foi mantido em seis episódios, que não necessariamente estavam interligados.


Não é preciso detalhar a trama baseada no último dos livros escritos pela hoje bilionária J. K. Rowling. Basicamente, Harry e os amigos precisam destruir as últimas horcruxes (que possuem partes da alma do inimigo) para enfraquecer o vilão Voldemort e aniquilá-lo. Na jornada, parentes e entes queridos morrem, outros que já haviam morrido reaparecem, reviravoltas acontecem e chega o embate final. 

David Yates, diretor que assinou mais capítulos da saga, dosou as cenas de ação e as dramáticas, concebeu sequências eletrizantes e sabiamente optou por inserir uma trilha sonora melancólica, composta pelo francês quatro vezes indicado ao Oscar Alexandre Desplat (“O Discurso do Rei”).


Outros cineastas menos sensíveis, como Michael Bay (“Transformers”) ou Roland Emmerich (“2012”), fariam uso de trilhas bombásticas, catárticas. Aqui, a música casa com a tristeza de ver Hogwarts sendo destruída e tantos personagens importantes partirem. Outro acerto é não perder tempo explicando as histórias anteriores. Se você não viu, trate de ver.

O filme não é 100%, em virtude das cenas de algumas mortes, que não nos sensibilizam como poderiam, um ou outro pequeno furo do roteiro e os tão esperados beijos. Tanto tempo e tensão sexual pra tão pouco…


No entanto, “Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2”, somado à “Parte 1”, é um desfecho pra lá de satisfatório à saga que merece muito respeito. Fomos presenteados com tramas inteligentes, que criticam qualquer forma de totalitarismo. Os produtores souberam trabalhar a evolução dos jovens astros (vários atores mirins se perderam ao crescerem. Vide Macaulay Culkin). Reuniu grandes nomes do cinema britânico: Ralph Fiennes, Michael Gambon, Emma Thompson, Gary Oldman, Alan Rickman (cuja atuação é magnífica), entre outros. Amadureceu junto com seu público – se uma criança de 9, 10 anos se divertia nos primeiros capítulos, alguém da mesma idade hoje pode se traumatizar com o tom sombrio tomado pela série. De maneira esperta, e seguindo o livro, é deixada uma brecha para possíveis continuações, que dependerão de novos escritos da autora.

“Harry Potter” é a prova de que existem blockbustes decentes, interessantes, criativos. E que o público pode escolher entre o joio e o trigo. Basta saber a diferença entre “Harry Potter” e “Crepúsculo”, “O Senhor dos Aneis” e “2012“, “Avatar” e “Transformers”. Agora, resta à Warner correr atrás de uma franquia à altura, já que “Lanterna Verde” foi massacrado pela crítica norte-americana e teve bilheteria muito abaixo do esperado por lá.

| Especial Harry Potter: todos os filmes da saga

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE: PARTE 2
(Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2, Reino Unido / EUA , 2011).
Direção: David Yates.
Roteiro: Steve Kloves, baseado na obra de J. K. Rowling.
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Ralph Fiennes, Michael Gambon, Alan Rickman, Matthew Lewis, Evanna Lynch, Helena Bonham Carter, Bonnie Wright, Maggie Smith, Jim Broadbent, David Thewlis, Julie Walters, Mark Williams, James Phelps, Oliver Phelps, Natalia Tena, Emma Thompson, Jason Isaacs, Helen McCrory, Tom Felton, Warwick Davis, Domhnall Gleeson, Clémence Poésy, John Hurt, Geraldine Somerville, Adrian Rawlins, Robbie Coltrane, Gary Oldman, Chris Rankin, David Bradley, Kelly Macdonald, Ciarán Hinds, Hebe Beardsall, Devon Murray, Jassie Cave, Afshan Azad, Anna Shaffer, Georgina Leonidas, Freddie Stroma, Alfie Enoch, Katie Leung, Scarlett Byrne, Miriam Margolyes.
Aventura / Fantasia / Drama.
130 minutos.

Estreia no Brasil: 15/07/2011.

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André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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