Literatura

O Retorno do Rei – A Grande Volta de Elvis Presley

Obra retrata fase do Comeback Special; confira alguns vídeos do programa que devolveu a coroa ao Rei
Por Adriano Mello Costa (27/06/2011) // Comente


Quando alguém fala em Elvis Presley qual a primeira imagem que vem a sua mente? a) do requebrado desengonçado dos anos 50 ao som de “Hound Dog”. b) de algum filme assistido na sessão da tarde. c) dele gordo em pleno declínio cantando em Las Vegas. D) todas as anteriores. O Rei do Rock realmente teve várias facetas até falecer no dia 16 de agosto de 1977. Vida e obra do astro, que já tiveram vários e vários livros com as mais diversas nuances, ganham agora mais um pra lista.

O Retorno do Rei – A Grande Volta de Elvis Presley trata mais especificamente do período entre 1968 e 1970, tendo como foco principal o especial televisivo exibido pela Rede NBC no final do ano de 1968 conhecido como “Comeback Special”, que serviu para alavancar novamente a carreira do Rei, depois de passar por um período de gravações sofríveis e queda de popularidade. No entanto, não se prende tanto assim e faz uma breve análise do passado e o acompanha até a data do falecimento.

Imagem de Amostra do You Tube

Escrito por Gillian G. Gaar, uma experiente jornalista que já lançou livros sobre Nirvana e Green Day, além de escrever para revistas como a Rolling Stone e a Mojo, o trabalho tem 272 páginas e lançamento pela paulista Madras Editora, com tradução de Luciana Sanchez. É mais um que visa tratar de fatos específicos nas biografias de grandes artistas, assim como Like a Rolling Stone – Bob Dylan na Encruzilhada, de Greil Marcus, e O Dia em que James Brown Salvou a Pátria, de James Sullivan.

O livro pega Elvis em uma situação de queda em quase todos os níveis, menos o financeiro, já que recebia um milhão de dólares por filme, quantia elevada para a época. Depois da volta do exército, ele se desiludiu diversas vezes com o rumo da carreira programada por seu empresário Coronel Parker. Fazendo filmes ruins e não gravando mais bons discos que o instigassem ou fazendo shows, Elvis se escondia nas suas excentricidades e nas receitas de remédios que consumia de forma voraz.

Imagem de Amostra do You Tube

A relação entre ele e seu empresário dá o tom de constrangimento por todo o livro. Mesmo discordando das opiniões, o astro quase nunca confrontava aquele que o elevou para o patamar de sucesso e preferia manter uma postura de subserviência. Muitas vezes se pergunta quais as razões que levaram Elvis a se adequar a esse modo de trabalho. Nunca isso foi bem explicado. Seria medo, gratidão, inabilidade para os negócios? O que quer que fosse ainda hoje não consegue fazer algum sentido.

No entanto, vendo que tudo ia por água abaixo, Elvis se envolveu em um projeto que elevaria novamente a carreira e traria ótimos resultados, que infelizmente não foram aproveitados da devida maneira com o passar dos anos, culminando na vida insatisfatória que resultou na sua morte por parada cardíaca, causada por excesso de remédios. O programa conhecido como “Comeback Special” foi um estrondoso sucesso e agradou público e crítica, fazendo o Rei voltar ao trono em tempos bem diferentes.

Imagem de Amostra do You Tube

O Retorno do Rei – A Grande Volta de Elvis Presley é uma análise bem escrita dos fatos que pretende abranger e consequentemente da complicada personalidade de Elvis. E apesar de ser bem detalhado em depoimentos e questões técnicas, não fica enfadonho. É o tipo do livro que após ser consumido pede para que se ligue o som. É ligar e deixar passar faixas como “Heartbreak Hotel”, “Jailhouse Rock”, “Suspicious Mind”, “In The Ghetto”, e lembrar de um dos maiores de todos os tempos.

*Colaboração do Coisa Pop

O RETORNO DO REI – A GRANDE VOLTA DE ELVIS PRESLEY
(Return of the King – Elvis Presley’s Great Comeback, 2011).
Autor:  Gillian G. Gaar.
Edição no Brasil: Madras.
Brochura.
Tamanho médio.
272 páginas.

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Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop (www.coisapop.blogspot.com) há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é…


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