DVD e Blu-ray

O Vencedor está no seleto rol dos grandes filmes de boxe

Excelente elenco conduz obra sobre o esporte e dramas familiares
Por André Azenha, editor (22/06/2011) // Comente

Christian Bale e Mark Wahlberg (Divulgação)

Há filmes que não trazem nada de verdadeiramente novo ou genial, mas que de alguma forma capturam a atenção do espectador. Para citar alguns exemplos, em gêneros variados, a comédia “Simplesmente Amor”, o drama “O Despertar de Uma Paixão” e a animação “Como Treinar o Seu Dragão” representam esse raciocínio. São trabalhos bem feitos, com tudo em seu devido lugar.

Melissa Leo e Bale (Divulgação)

“O Vencedor” é outro longa a retratar o drama pessoal de pugilistas. Tema abordado em obras que marcaram época como “Touro Indomável”, clássico de Scorsese, e os vencedores do Oscar “Rocky – Um Lutador” e “Menina de Ouro”. Sem contar outras produções menos conhecidas. Mas que, apesar do tema batido, tem cativado público e crítica ao redor do mundo, principalmente pelas grandes atuações do elenco.

A história é baseada na trajetória verídica de dois irmãos ligados à modalidade: Dicky (Christian Bale), ex-lutador que chegou a derrubar, no ringue, Sugar Ray Leonard, mas precisou enfrentar o vício de crack. E seu irmão mais novo Micky (Mark Wahlberg), treinado por ele, que tem a chance de chegar onde o irmão não conseguiu, o título mundial. Mas, para tanto, precisará encontrar harmonia em seus relacionamentos. O vício de Dicky causa constantes problemas aos parentes. A mãe (Melissa Leo) é controladora e mima o filho mais velho. E a nova namorada (Amy Adams) não aprova a forma como a família lida com Micky.

Imagem de Amostra do You Tube

Com um roteiro bem delineado e Darren Aronofsky (“Cisne Negro”) entre os produtores, o diretor David O. Russell (“Huckabees – A Vida é Uma Comédia”) criou um filme certinho do início ao fim. Algumas cenas foram rodadas com câmera na mão, dando ao espectador a chance de ver, na tela, gente real. Sem pompa ou glamour. Na maior parte, o longa é consistente, e escorrega apenas nas cenas de luta, nas quais os realizadores não acharam o tom certo. Parecem ter ficado entre a forma visceral de “Touro Indomável” e a estilização de “Rocky Balboa”.

Amy Adams (Divulgação)

Mas com um excelente time de atores em mãos, os deslizes desaparecem no saldo final. “O Vencedor” é daqueles casos em que praticamente todos os intérpretes estão bem. Até mesmo Mark Wahlberg, geralmente criticado, está correto. É que, para seu azar, todo os coadjuvantes roubam a cena – fato reconhecido nas principais premiações da temporada.

Melissa Leo e Amy Adams reafirmam talentos já demonstrados em trabalhos anteriores. E Christian Bale catalisa as atenções de tal forma que, assim como foi ofuscado por Heath Ledger em “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, estrelado pelo próprio Bale, não dá chance pra ninguém quando surge em cena. Quem acompanha a carreira do ator sabe do que ele é capaz. Para este papel, emagreceu à maneira como fez em “O Operário” (2004) e “O Sobrevivente” (2007). E mergulhou no personagem conseguindo nos sensibilizar com a situação de Dicky. Ele é viciado, prejudica os outros, mas não faz isso por mal. E acabamos torcendo por sua volta por cima.

“O Vencedor” ainda traz a mensagem de que, por mais disfuncional que seja, uma família unida pode ser capaz de superar grandes problemas. É sobre o boxe. É sobre dramas familiares. Micky sabe que os problemas do irmão podem prejudicá-lo, mas ao mesmo tempo o admira e precisa dele. Com esses ingredientes dosados na medida certa, o filme conseguiu o grande feito de entrar para o rol das grandes obras cinematográficas que retratam o boxe, esporte tão filmado ao longo da história. Não é pouca coisa.

Leia também: O Vencedor: A vez de Christian Bale, por Edu Fernandes

O VENCEDOR
(The Fighter, EUA, 2010).
Direção:
David O. Russell.
Roteiro: Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson, Keith Dorrington.
Elenco: Mark Wahlberg, Christian Bale, Amy Adams, Melissa Leo, Mickey O’Keefe, Jack McGee.
Drama – 14 anos.
115 minutos.

Principais prêmios e indicações:

- Oscar: Ator coadjuvante (Christian Bale), Atriz Coadjuvante (Melissa Leo).
- Indicação ao Oscar: Filme, Diretor, Roteiro, Montagem, Atriz coadjuvante (Amy Adams).
- Indicação ao Bafta: Roteiro, Ator coadjuvante (Christian Bale), Atriz coadjuvante (Amy Adams).
- Crítica de Chicago: Ator coadjuvante (Christian Bale).
- Globo de Ouro: Ator coadjuvante (Christian Bale), Atriz coadjuvante (Melissa Leo).
- Indicação ao Globo de Ouro: Filme de drama, Diretor, Ator em drama (Mark Wahlberg), Atriz coadjuvante (Amy Adams).
- Crítica de Las Vegas: Ator coadjuvante (Christian Bale), Atriz coadjuvante (Amy Adams).
- Sindicato dos Atores da América (SAG): Ator coadjuvante (Christian Bale), Atriz coadjuvante (Melissa Leo).

Estreia no Brasil: 04/02/2011.

Lançamento em DVD e Blu-ray: 11/05/2011.

Leia mais sobre e comente o filme também no Cinemaki.

Conteúdo relacionado:

André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


Inverno da Alma: A realidade de muitos norte-americanosColuna no Curta Santos | A Aventura Perdida de Scrat: O curta indicado ao Oscar do brasileiro Carlos Saldanha

Escreva seu comentário

Campos obrigatórios