James Franco é o grande destaque de 127 Horas

Ator foi indicado ao Oscar pelo filme (Divulgação)

Em maio de 2003, numa aventura solitária pelo Parque Nacional dos Cânions, Colorado, o montanhista Aron Ralston, então com 23 anos, teve o braço preso a uma rocha durante 127 horas. Ninguém sabia seu paradeiro. Após se ver sem alimento, água e atingido pelo sol somente durante 15 minutos do dia, optou por amputar o braço esmagado e tentar buscar socorro. Dessa experiência, Ralston escreveu o livro Between a Rock and a Hard Place. E é a partir da obra literária que Danny Boyle filmou “127 Horas”.

Depois de celebrar o sucesso de público e crítica com “Quem Quer Ser um Milionário?” (2008), ganhador de oito Oscars, o cineasta britânico optou por realizar uma obra minimalista, com ator e cenário em cena, mas não menos impactante. É uma história cujo final já sabemos, mas pelo modo como é contada mantém o interesse do espectador até o fim.

Outra vez trabalhando com os parceiros Christian Colson e Simon Beaufoy, respectivamente produtor e roteirista do filme anterior, Boyle consegue transmitir a sensação de isolamento do protagonista. Roteiro e montagem alternam os momentos de tensão com tomadas que refletem os pensamentos de Halston, interpretado por James Franco. Há suspense, drama e algumas pitadas de comédia, geradas pela mente do personagem, que precisa fugir à realidade para não enlouquecer com a situação. Tudo sem exagerar. Trata-se de um filme enxuto, certeiro, mas que não daria certo sem a presença de um ator capaz de levá-lo praticamente sozinho.

E James Franco mostra por que atualmente é considerado um dos principais talentos de Hollywood. Assim como Tom Hanks em “Náufrago” (2000), é ele quem conduz a trama. Carismático, tem aquele brilho dos grandes astros, porém soa como alguém do nosso cotidiano. Daí a empatia com o público. Merecidamente está indicado ao prêmio da Academia – o longa concorre em mais cinco categorias, inclusive Melhor filme.

“Na Natureza Selvagem”, de Sean Penn, foi baseado na história verídica do garoto que decidiu viajar ao Alaska, onde faleceu isolado do mundo. Tal qual o longa de 2007, “127 Horas” serve de alerta a jovens aventureiros, impressiona por suas qualidades cinematográficas e nos mostrar os fascínios e perigos da natureza.

Leia também: 127 Horas: Difícil não se contagiar com James Franco, por Jean Garnier

127 HORAS
(127 Hours, EUA / Reino Unido, 2010).
Direção: Danny Boyle.
Roteiro: Simon Beaufoy e Danny Boyle, baseados em livro de Aron Ralston.
Elenco: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn.
Aventura / Drama / Suspense – 14 anos.
94 minutos.

Principais prêmios e indicações:

– Indicação ao Oscar: Filme, Roteiro adaptado, Ator (James Franco), Montagem, Trilha sonora, Canção (“If I Rise”).
– Indicação ao Bafta: Filme britânico do ano, Trilha sonora, Diretor, Montagem, Som, Ator (James Franco), Roteiro adaptado, Fotografia.
– Indicação ao Globo de Ouro: Roteiro, Trilha sonora, Ator (James Franco).
– Crítica de Las Vegas: Melhor ator (James Franco).
– Independent Spirit Awards: Melhor ator (James Franco).

Estreia no Brasil: 18/02/2011.

Lançamento em DVD e Blu-ray: 22/06/2011.

Leia mais sobre e comente o filme também no Cinemaki.

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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