Alfred Hitchcock ganha extensa mostra em São Paulo


Um dos mais conhecidos e influentes diretores da história do cinema, Alfred Hitchcock (1899-1980), conhecido até hoje como o mestre do suspense, realizou diversas obras-primas e clássicos em mais de 50 anos de carreira, passando por grandes transformações cinematográficas – filme mudo, falado, preto-e-branco, colorido e até 3D.

Para conhecer toda a obra deste grande cineasta, o Centro Cultural Banco do Brasil apresenta a mostra HITCHCOCK, que reúne a partir desta quarta, 15, pela primeira vez no país, 54 longas-metragens, três curtas e seus trabalhos para a tevê – 117 episódios da série “Alfred Hitchcock Presents”. Serão seis semanas inteiramente dedicadas a Hitchcock no Rio e em São Paulo. Serão realizados curso gratuito (12 aulas), masterclass, debates, sessões especiais de filmes mudos com música e narração ao vivo e a edição de um catálogo de 400 páginas com distribuição gratuita, incluindo vasto material iconográfico, filmografia e textos inéditos. Em São Paulo , um recorte de 20 filmes da mostra serão exibidos durante dez dias no Cinesesc.

Com curadoria de Arndt Roskens, a programação da mostra traz grandes atrações como:

| Exibição em película 35mm dos grandes clássicos de Hitchcock, entre eles “Janela Indiscreta” (1954), “Um Corpo que Cai” (1958), “Intriga Internacional” (1959), “Psicose” (1960) e “Os Pássaros” (1963);

| Uma sessão com narração e música ao vivo de “O Inquilino” (The Lodger: A Story of the London Fog), de 1926, um dos primeiros longas de Hitchcock e seu primeiro sucesso;

| Um panorama completo dos trabalhos dirigidos por Hitchcock para a TV: as primeiras três temporadas completas de “Hitchcock Apresenta” (117 episódios, dos quais 10 dirigidos por ele); da 4ª à 7ª temporada, os sete episódios dirigidos por ele; um episódio da série “The Hitchcock Hour”, um de “Startime” e um de “Suspicion”, todos dirigidos por ele;

| Raridades como os curtas “Aventure Malgache” e “Bon Voyage” (1944), que Hithcock fez para a França na 2ª Guerra Mundial;

| Versões diferentes de um mesmo filme – “Chantagem e Confissão” (Blackmail, 1929), mudo e falado, além de um curta-metragem do teste de som para o longa, o primeiro filme falado da Inglaterra;

| Programa duplo com a versão inglesa e a raríssima versão alemã de “Assassinato” (Murder, 1930), que foi filmado simultaneamente em inglês e alemão, no mesmo set, trocando apenas os atores. Da versão alemã, chamada “Mary”, existe apenas uma única cópia no mundo;

| “O Homem que Sabia Demais” (The man who knew too much) na versão original de 1934, que Hitchcock fez na Inglaterra, e o remake  americano de 1956, com Doris Day e James Stewart;

| O remake de “Psicose” (1998) dirigido por Gus Van Sant.

Alfred Hitchcock entrou para a história do cinema não apenas como o mestre do suspense, mas como um dos maiores cineastas de todos os tempos. Na sua vasta carreira, desenvolveu o suspense como estilo dramático, o que acabou ligando o seu nome inconfundivelmente a este gênero de cinema.

François Truffaut, que publicou um grande livro de entrevistas com Hitchcock, refletindo sobre o que fazia de Hitchcock um cineasta único, disse: “É impossível não perceber que as cenas de amor foram filmadas como se fossem cenas de assassinato, e as cenas de assassinato como cenas de amor. (…) No cinema de Hitchcock, fazer amor e morrer são a mesma coisa.”

Entre os cineastas que declaram ter sido influenciados por Hitchcock estão Brian de Palma (seu mais fiel seguidor), Steven Spielberg, John Carpenter, Sam Raimi, M. Night Shyamalan, Martin Scorsese, George A. Romero, Peter Bogdanovich, Dario Argento, William Friedkin, David Cronenberg e Quentin Tarantino.

http://www.youtube.com/watch?v=Nx2tkj-M2v4&feature=youtu.be Trailer de “Um Corpo que Cai”

Original de Leytonstone, Londres, Alfred Hitchcock nasceu em 13 de agosto de 1899 e começou a carreira cinematográfica em 1920, fazendo as telas de diálogos dos filmes mudos. Logo, começou a escrever roteiros e aprendeu a editar. Em 1925, ganhou a primeira chance como diretor no filme “The Pleasure Garden” (1925), feito pela UFA Studios, em Berlim.

Em 1926, estreou no suspense com o filme O “Inquilino”, baseado nos assassinatos de Jack, o Estripador. A partir daí, faria pelo menos uma aparição em cada uma de suas produções, fato que virou marca registrada do cineasta. Foi também o seu primeiro filme de suspense, gênero que o consagraria em todo o mundo. Escreveu também inúmeros roteiros para televisão.

Na fase inglesa, realizou filmes marcantes como “Os 39 Degraus” (1935) e “A Dama Oculta” (1938). A partir de 1939, começou a trabalhar em Hollywood, onde realizou alguns dos clássicos mais importantes do cinema. Já sua primeira produção americana, “Rebecca, a Mulher Inesquecível” (1940), recebeu 11 indicações ao Oscar e ganhou os de melhor filme e fotografia. Embora tenha recebido várias indicações ao Oscar durante as décadas seguintes, nunca ganhou uma estatueta de melhor diretor. Mas, na cerimônia do Oscar de 1967, recebeu o prêmio Irving Thalberg pela carreira.

Somente para citar duas listas de “melhores de todos os tempos”, Hitchcock dirigiu nove dos “100 Most Heart-Pounding Movies”, do American Film Institute. Também foi votado como “O maior diretor de todos os tempos” pela revista Entertainment Weekly. Na lista dos 100 maiores filmes de todos os tempos da mesma revista, é recordista de filmes (quatro no total): as obras-primas “Psicose” (1960), “Um Corpo que Cai’ (1958), “Intriga Internacional” (1959) e “Interlúdio”(1946).

Confira a programação completa, valores e endereços em http://www.mostrahitchcock.com.br/.

O CineZen é um site independente sobre cinema, DVD e Blu-ray, TV e eventualmente literatura, quadrinhos, teatro, música e artes plásticas, lançado em 29 de março de 2009. Tem o objetivo de informar, analisar obras e cobrir eventos dessas áreas (com atenção para a Baixada Santista), prestar serviços e atuar no incentivo ao cinema nacional.

2 thoughts on “Alfred Hitchcock ganha extensa mostra em São Paulo

  1. “Um corpo que cai” é imperdível. Temos que aproveitar oportunidades como esta e valorizar os eventos culturais que ocorrem no Brasil!!

  2. Oi Luiza! Verdade, eis uma grande chance do público conferir, na tela grande, a obra de um dos maiores diretores da história. Obrigado pela presença. Beijos, André

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