Jorge Semprún (1923-2011)

Jorge Semprún, escritor e ex-ministro da cultura na Espanha, morreu terça-feira, 7 de junho, em Paris, aos 87 anos. A informação foi divulgada pelo Ministério onde ele atuou. Semprún morreu em casa, acompanhado dos filhos e sobrinhos, afirmaram seus familiares à Agência EFE.

Membro da resistência francesa durante a ocupação nazista, foi detido e enviado a um campo de concentração. Sobreviveu ao Holocausto e agiu na clandestinidade contra o Franquismo pelo Partido Comunista. Depois da morte de Franco, foi ministro de Cultura, durante o governo socialista de Felipe González.

Natural de Madri, Seprún nasceu em 10 de dezembro de 1923, filho de uma família da alta burguesia espanhola, defensora dos valores republicanos.

De sua mãe, morta quando tinha nove anos, Semprún evocava a imagem da mulher que hasteou a bandeira da República na janela em 1931, quando o rei abdicou.

Seu pai, advogado e diplomata republicano, “optou pelo exílio para ser fiel a suas ideias”, e foi para ele um “exemplo moral”. A família deixou a Espanha em 1936, ao explodir a guerra civil, instalando-se na Holanda e, depois, na França, em 1939.

Em setembro de 1943, foi detido pela Gestapo e deportado, aos 19 anos de idade, ao campo de concentração de Buchenwald, onde os comunistas se organizavam, cabendo a ele a tarefa de distribuir os detidos nos diferentes comandos de trabalho.

Quando foi libertado, em abril de 1945, optou pela “amnésia deliberada para sobreviver”. Mas a experiência marcou sua obra, desde A Grande Viagem (1963), passando, também por La escritura o la vida (1994) e Moriré con su nombre, vivirá con el mío (2002).

Após trabalhar alguns anos como tradutor na Unesco, voltou à Espanha, onde coordenou a ação clandestina do Partido Comunista Espanhol, com o pseudônimo de Federico Sánchez. Os anos de clandestinidade, em meio a convicções e dúvidas, seguiram-se à sua exclusão do partido, em 1964, por “desvio”, junto com Fernando Claudín, narrados na Autobiografia de Federico Sánchez, um dos poucos livros escritos originalmente em castelhano e que lhe valeu o Prêmio Planeta, em 1977.

Obrigado novamente ao exílio, distanciado do ativismo político, o escritor dedicou-se plenamente à literatura, seu refúgio durante a juventude parisiense, e em Buchenwald, quando a poesia o ajudava a suportar a promiscuidade asfixiante.

Em 1964 publicou El desvanecimiento; quatro anos depois, foi a vez de A segunda morte de Ramón Mercader, com a qual obteve o prêmio Femina. Seguiram-se Aquele Domingo, La algarabía, Netchaiev voltou, entre muitos outros títulos.

Paralelamente, adquiriu fama como roteirista, escrevendo para as grandes referências do cinema francês, a exemplo de “A Guerra Acabou” e “Stavisky”, de Alain Resnais, além de contribuir para a renovação do cinema político com Costa-Gavras, com quem colaborou, além de “Z” em “A confissão”.

Alguns dos filmes escritos por Semprún foram proibidos no Brasil durante a ditadura militar.

Fonte: EFE

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