Diretor Wolf Maya, da Globo, é condenado por crime racial

O diretor e ator Wolf Maya foi condenado a dois anos e dois meses de prisão por crime de injúria com conotação racial contra um técnico de iluminação que trabalhou em uma de suas peças.

O juiz Abelardo de Azevedo Silveira, da 2ª Vara Criminal de Campinas, substituiu a pena de prisão pelo pagamento de indenização no valor de 20 salários mínimos (R$ 10,9 mil ao todo) mais um período de trabalho comunitário a ser definido pela Vara de Execuções Penais.

Segundo a sentença, Walfredo Campos Maya Júnior (seu nome real) foi condenado em 1ª instância por ter ofendido Denivaldo Pereira da Silva ao chamá-lo de “preto fedorento que saiu do esgoto com mal de Parkinson”.

A defesa já recorreu. Diretor de novelas como “Ti Ti Ti” (a original, de 1985), “Senhora do Destino” (2004) e “Cobras & Lagartos” (2006), e séries como “Malhação” (1996) e “Na Forma da Lei” (2010), Maya sempre negou a acusação.

“Foi uma longa batalha para que o ato racista de uma pessoa importante como o senhor Wolf Maya não ficasse impune. São quase 11 anos, mas nunca desistimos de demonstrar que ninguém tem o direito de discriminar o outro”, afirmou o advogado Sinvaldo José Firmo, do Instituto do Negro Padre Batista, que auxiliou o técnico.

O caso aconteceu em 12 de agosto de 2000, num teatro de Campinas, onde a peça “Relax… It’s Sex”, escrita e dirigida por Maya, era apresentada. Naquele período, Silva trabalhava numa prestadora de serviços de iluminação para o espetáculo. De acordo com o técnico, o diretor ficou furioso porque houve um erro ao iluminar um ator durante a peça.

Após a denúncia, Maya moveu ação na área cível por danos morais e pediu indenização de R$ 100. Ele alegou que a acusação prejudicou sua imagem.

Em maio de 2010, o juiz Gilberto Luiz C. Franceschini, da 6ª Vara Cível de Campinas, julgou improcedente o pedido do diretor e o condenou a pagar as custas processuais, em R$ 2 mil. Maya também já recorreu dessa decisão da Justiça.

O advogado João Carlos de Lima Junior, defensor de Maya, afirmou que seu cliente “jamais cometeu qualquer ato racista contra quem quer que seja”. “Ao longo de mais de 30 anos de carreira, o Wolf jamais foi acusado de nada, por ninguém. Ele não seria capaz de dizer essa frase que o técnico de iluminação disse ter partido dele”, argumentou. Maya, diz o advogado, teria feito uma reunião para reclamar de algo que havia dado errado durante a peça, em agosto de 2000, mas Denivaldo da Silva nem participou.

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