DVD e Blu-ray

X-Men – O Confronto Final encerrou por cima a primeira trilogia mutante

Filme tem excesso de personagens, mas mantém a essência da mitologia dos heróis e tem cenas marcantes
Por André Azenha, editor (30/05/2011) // Comente

Os X-Men no filme: Gelo, Fera, Wolverine, Tempestade, Anjo, Kitty Pryde e Colossus

O resultado poderia ser bem pior. Com o sucesso de público e crítica dos dois primeiros “X-Men”, a cobrança para que o terceiro capítulo da franquia mantivesse o nível dos anteriores era grande. Só que a produção enfrentou vários problemas. Começando pela desistência de Bryan Singer, diretor da série até então, que largou o terceiro filme para fazer “Superman – O Retorno” e deixou os executivos da Fox em polvorosa. E Halle Berry, que deu vários pitis exigindo maior destaque para sua Tempestade. Quando o novo diretor, Brett Ratner, de “A Hora do Rush”, foi anunciado, os fãs torceram o nariz. Será que o cineasta, acostumado à ação pura, manteria o subtexto social da mitologia mutante? Sim, manteve e conseguiu, a partir de um roteiro irregular, com uma avalanche de personagens condensados em 104 minutos de história, metragem inferior aos antecessores, encerrar com dignidade a primeira trilogia dos personagens no cinema.


“X-Men – O Confronto Final” é inspirado em duas excepcionais fases dos quadrinhos da Marvel: a Saga da Fênix Negra e o arco de estreia de Joss Whedon (“Buffy”) à frente da HQ Surpreendentes X-Men. Obviamente não há fidelidade completa ao material original. A equipe de Professor Xavier, que agora conta com o Fera, e inexplicavelmente não tem Noturno, destaque de “X-Men 2”, precisa lidar com Jean Grey, tomada pela entidade maligna Fênix e responsável pela morte, no início da trama, de Ciclope (James Marsden também foi fazer “Superman – O Retorno” e quase foi limado da produção). Enquanto isso, uma “cura” para os mutantes é descoberta, fator que leva Magneto a angariar mais semelhantes para a sua Irmandade, com o objetivo de destruir a vacina e os seres humanos. Assim, ele vai atrás de Jean Grey que, tomada pela Fênix, fica muito mais poderosa e descontrolada.

São tantos novos personagens que praticamente a maioria não teve chance de maior desenvolvimento por parte dos roteiristas. Os que têm mais espaço são Calisto, a líder dos Morlocks nos gibis e nos desenhos animados, reduzida à capanga de Magneto, Homem-Múltiplo e Fanático, no lado dos vilões. Dos mocinhos, há grande destaque para Fera, em ótima adaptação, e o Anjo que, coitado, não tem função alguma no enredo, a não ser salvar um parente em momento de perigo. Dois que eram coadjuvantes da série, são alçados à equipe principal de Xavier: Kitty Pryde (agora interpretada pela “Juno” Ellen Page) e Colossus. Wolverine e Tempestade, essa graças aos ataques de sua intérprete, tornam-se os protagonistas absolutos.


Mesmo com as irregularidades, como um problema claro de continuidade na sequencia da ponte, que inicia em dia claro e, do nada, corta para a noite, o filme mantém a essência da franquia, não tem medo de eliminar heróis (e sabemos que, nos quadrinhos, eles podem ressurgir de repente) e agrada em cheio os fãs – esses podem vibrar com aparições dos sentinelas e da Sala de Perigo. A mesma cena da ponte é impressionante e remete direto aos gibis. Já a reunião dos x-men, no ato final é de arrepiar, assim como a dedicação de Wolverine em salvar Jean. “X-Men – O Confronto Final” cumpre o papel de encerrar, por cima, a melhor trilogia até então baseada em super-heróis. Aqui, o termo “saga” pode ser usado sem neuras. Pois presenciamos o início, o auge e o fim da batalha entre Xavier e Magneto. Uma cena após os créditos deixou aberta a lacuna para a continuação da franquia. Mas antes, os produtores decidiram contar o início da trajetória mutante em “X-Men: Primeira Classe”.

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X-MEN – O CONFRONTO FINAL
(X-Men: The Last Stand, Canadá / EUA / Reino Unido, 2006).
Direção: Brett Ratner.
Roteiro: Simon Kinberg, Zak Penn.
Elenco: Halle Berry, Kelsey Grammer, Hugh Jackman, Famke Janssen, Vinnie Jones, James Marsden, Ian McKellen, Rebecca Romijn-Stamos, Patrick Stewart, Ben Foster.
Ação / Drama / Fantasia.
104 minutos.

- Saturn Award: Melhor atriz coadjuvante (Famke Janssen).
- Festival de Hollywood: Melhor maquiagem.
- Crítica de Las Vegas: Efeitos visuais.

Estreia no Brasil: 24/03/2006.

Disponível em DVD e Blu-ray.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


A trajetória dos X-Men no cinemaBilheterias Brasil | 27 a 29/05/2011

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