Edição de Três Sombras no Brasil atesta bom trabalho do selo Quadrinhos na Cia.

Trecho da edição original da HQ

O amor de um pai para com o filho é capaz de superar as mais diversas barreiras e problemas. A arte de uma maneira geral sempre retratou esse amor em suas obras. Mais recentemente podemos citar exemplos dessa devoção em livros como A Estrada, de Cormac McCarthy (que ganhou um competente filme), e em histórias em quadrinhos, como The Walking Dead, de Robert Kirkman, que traz o policial Rick Grimes fazendo de tudo para salvar o filho Carl.

Em Três Sombras, álbum em quadrinhos do francês Cyril Pedrosa que a Companhia das Letras lança esse ano dentro do selo Quadrinhos na Cia., com 268 páginas e tradução de Carol Bensimon, esse amor de pai e filho é mais uma vez retratado. Seu autor acostumado com trabalhos de cunho fantástico, visto que trabalhou na Disney em filmes como “Hércules” e “O Corcunda de Notre-Dame”, usa desse expediente para criar uma história de amor e salvação.

Na época medieval uma família constituída de pai, mãe e filho vive feliz em um pequeno sítio bem longe do vilarejo mais próximo. A vida parece perfeita até que três sombras começam a aparecer com frequencia nas proximidades da residência, o que acaba levantando a suspeita e posteriormente o medo entre eles. Como as atenções parecem voltadas para o pequeno Joachim, o pai se enche de coragem e mesmo sem conhecer o mundo passa a percorrê-lo.

Desenhada em traços rústicos e usando o preto e branco (o que parece ter virado moda nos últimos anos) a história funciona bem na sua primeira metade, onde as adversidades são arremessadas no meio de uma vida pacata e cotidiana. O roteiro força muito esse lado tranquilo e feliz da família, mas mesmo incomodando vez ou outra, não chega a ser um problema. Mas na segunda metade a trama se perde e parte para o apelo ao fantástico sem muita direção ou rumo.

Ao final de Três Sombras, pode-se analisar a história de amor universal que ele retrata olhando tanto para o lado de seus méritos quanto dos seus defeitos (o que acaba sugerindo um empate técnico), no entanto, o que mais deve ser levado em consideração é a relevância do lançamento em território nacional, o que sem dúvida vai atestar por fim o bom trabalho que o selo Quadrinhos na Cia. vem realizando com a publicação de obras diversas do mundo da nona arte.

* Adriano Mello Costa assina o blog coisapop.blogspot.com

TRÊS SOMBRAS
(Three Shadows).
De Cyril Pedrosa.
Edição brasileira:  Quadrinhos na Cia./Companhia das Letras.
Tradução: Carol Bensimon.
268 páginas.

Adriano Mello Costa, apaixonado por Cultura Pop, mantêm o Coisa Pop há cinco anos, filho bastardo do antigo Cultura Direta, que hoje hiberna tranquilamente. Acha o R.E.M a melhor banda do mundo (depois dos Beatles, lógico). É viciado em cervejas escuras, pães e bandas de rock com mulheres no vocal. No mais, acredita que tudo pode sempre ser melhor do que já é...

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