Julie Andrews fala sobre sua trajetória artística

Julie Andrews (Foto: Divulgação)
Julie Andrews na homenagem do Grammy (Foto: Jordan Strauss/WireImage.com)
Julie Andrews na homenagem do Grammy (Foto: Jordan Strauss/WireImage.com)

Nesta segunda-feira, o teatro Geffen Playhouse, em Los Angeles, fará uma justa homenagem à Julie Andrews durante evento de levantamento de fundos.

A atriz e cantora é raro exemplo a ser referência para várias gerações. Recebeu dois prêmios no Grammy deste ano: um pelo conjunto da obra e outro na categoria Best Spoken Word Album For Children (melhor álbum falado para crianças), pela obra Julie Andrews’ Collection Of Poems, Songs, And Lullabies, realizada em parceria com sua filha, Emma.

Paralelamente à sua carreira no teatro e no cinema, Andrews, hoje com 75 anos, passou a lançar livros de contos infantis, nos quais os leitores podem ouvir a narração dela em CDs que acompanham as obras literárias. Nos palcos, estrelou “My Fair Lady”. Nas telonas, “Mary Poppins”, que lhe rendeu um Oscar e um Grammy, e “A Noviça Rebelde”, entre outros.

Ela falou recentemente ao The Hollywood Reporter sobre sua carreira e as lições aprendidas durante sua trajetória artística. Confira a entrevista concedida pela artista ao jornal norte-americano:

Você teve uma carreira muito diversificada e aplaudida. Quando era artista jovem na Inglaterra, já sonhava com algumas das coisas que aconteceriam mais tarde?
Julie Andrews |
Acho que as coisas que aconteceram superaram de longe meus sonhos mais malucos. Quem teria imaginado que minha vida teria viradas tão maravilhosas e que eu teria a sorte de estar no lugar certo, no momento certo? Fazer apresentações é sempre um processo de aprendizado, mesmo hoje.

O que, em sua formação inicial, a preparou para as oportunidades?
JL |
Nunca é possível saber exatamente quando se está preparado. Você mergulha de cabeça. Mas acho que os primeiros anos foram de aprendizado inicial de algumas disciplinas. Quando você viaja com uma companhia de teatro de revista, enfrenta plateias muito diferentes, dependendo do dia da semana, de quantas horas os pubs já estiveram abertos e coisas desse tipo. Mas foi apenas anos mais tarde que percebi quão ótima tinha sido minha base. Ela me deu condições de subir sobre um palco e cantar.

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Quais realizações profissionais que mais valeram à pena?
JL |
“My Fair Lady”, obviamente, e, logo depois, “Camelot”. Imagine a sorte de uma garota de poder trabalhar primeiramente com Rex Harrison e depois Richard Burton, podendo observar e estudá-los? Depois, quando a Walt Disney me ofereceu “Mary Poppins”, seguido pouco depois por “A Noviça Rebelde”. Mais tarde houve os trabalhos que fiz com Blake Edwards (roteirista, diretor e seu marido, já falecido), que enxergou outros aspectos de minha personalidade que podiam ser destacados.

Com Edwards, você fez muitos filmes, além da adaptação teatral de “Vitor ou Vitória”. Trabalhar com seu marido (foto acima) foi um desafio?

JL | É um pouco difícil quando você está fazendo uma cena de amor com um ator e seu marido diz “está ótimo, querida, mas sei que você é capaz de fazer bem melhor”. Você se sente um pouco tola. Mas, trabalhando com ele, sempre me senti muito protegida, sabendo que teria segurança em qualquer coisa que fizesse.

Além de Blake Edwards, que outras pessoas a ajudaram muito em sua carreira?
JL | Lerner e Loewe, e também Moss Hart. Rodgers e Hammerstein foram muito generosos e gentis: escreveram o musical televisionado “Cinderella” para mim. Além disso, diretores como George Roy Hill e Robert Wise. Outra pessoa que exerceu influência enorme sobre mim foi o coreógrafo Michael Kidd, que me ajudou muito.

Você fez sua estreia na direção há alguns anos com “The Boy Friend”. Gostaria de dirigir outros trabalhos?
JL |
Sim, eu amei dirigir, achei altamente estimulante. Tenho um trabalho – um dos livros infantis que escrevi com minha filha (Emma Walton Hamilton) está sendo adaptado para o teatro, e eu espero poder dirigi-lo. O título é The Great American Musical. Está sendo desenvolvido pela Goodspeed Opera House, e esperamos estrear ainda este ano.

“A Noviça Rebelde”

Fonte: Reuters

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

3 thoughts on “Julie Andrews fala sobre sua trajetória artística

  1. André, gostaria de ressaltar que o musical televisionado ao qual Julie se refere é Cinderella, do Richard Rodgers e Oscar Hammerstein. Na tradução, talvez por falta de atenção, colocaram Camelot, que é da dupla Alan Jay Lerner e Frederick Loewe.

    Abraço

    1. Oi Lorena! Obrigado pela dica. Na verdade a tradução foi passada pela Reuters. Texto atualizado. Grato, André.

  2. Que ótima essa matéria do Cinezen sobre a querida Julie Andrews! Ela merece todas as homenagens que tem sido feitas a ela, inclusive essa em Los Angeles, onde foi saudada por Tom Hanks! Aliás, gostaria de vê-los juntos num projeto! Julie é uma estrela especial na constelação de Hollywood, é incrível que sua carreira atravesse décadas e ela continue na ativa, com novo filme para o fim de ano, “New Year’s Eve”, de Gary Marshall, lutando, segundo ela, dia após dia para superar a morte do grande Blake Edwards, seu marido de 41 anos. Como as fotos acima mostram, ainda por cime é eternamente jovial e linda.

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