A história do Superman no cinema: Parte I


Não. Não foi nem Christopher Reeve, no clássico de 1978, e nem George Reeves, no filme produzido para divulgar a série dos anos 50. Na verdade, não foi nem um ator de verdade que encarnou o maior herói do universo pela primeira vez no cinema.

Criado por Joe Shuster e Jerry Siegel e publicado originalmente em 1938, na revista Action Comics #1, Superman teve um programa de rádio de bastante sucesso dois anos depois. O passo natural seria levar o herói às telonas. E foram dois irmãos judeus de origem alemã, Max e Dave Fleischer, criadores da rotoscopia – animação baseada em movimentos de pessoas reais que revolucionou o gênero ao apresentar movimentos próximos da realidade -, responsáveis por animações de Popeye e Betty Boop, que ficaram incumbidos pela Paramount, num preço recorde para a época (US$ 50 mil apenas para o episódio piloto, quatro vezes mais do que se costumava pagar), de realizar uma série de curtas-metragens animados para as matinês cinematográficas. Foram 9 ao todo, e depois mais oito pelo Famous Studios, após a aquisição do Fleischer Studios pela Paramount.

E quem vê o Superman atual, tanto dos gibis, como do cinema ou do desenho animado, não imagina que o personagem no início de sua existência não voava e não economizava tempo em partir para a briga com os vilões.

Nessas histórias, o homem de aço tem muito das tramas dos quadrinhos da era Siegel & Shuster, onde ele é kryptoniano, mas não foi adotado por um casal de bons velhinhos e nem criado em Smallville. Logo que chega ao planeta Terra, ele é recolhido por um taxista que o leva a um orfanato, onde passa a infância. Além disso, seus primeiros vôos ocorreram nesses desenhos – até então ele era “capaz de pular um prédio com um único salto”, como dizia a locução.

Outra característica da série é a influência dos programas de rádio daqueles anos, de gângster, e uma estética que antecipa o cinema noir, com bastante sombra, contrastes, vilões excêntricos, a repórter (Lois Lane) atrás de uma grande reportagem e que sempre acaba envolvida no meio da ação, precisando ser salva pelo herói. Hoje em dia, esses curtas soam ingênuos e sem maior profundidade no desenvolvimento dos roteiros (mesmo por que o tempo de duração não permite maiores detalhamentos), mas na ocasião foram revolucionários, eram muito bem desenhados e já continham boas cenas de ação.

Para se ter uma idéia, o primeiro capítulo, simplesmente chamado de “Superman” (e depois denominado “Superman Contra o Cientista Maluco”), foi indicado ao Oscar de Curta-Metragem de Animação. Sobre o segundo episódio, “Superman Contra os Monstros Mecânicos”, há quem diga que a história teria influenciado o japonês Hayao Miyazaki  em uma cena de “Laputa: Castle in the Sky” (1986) e que “Capitão Sky e o Mundo do Amanhã” (2005) faz referência ao antigo desenho animado.

Hoje os episódios estão em domínio público e podem ser vistos no Youtube. Há diversas edições em DVD no Brasil. Algumas com cerca de cinco episódios cada, uma completa e bem feita pela Classicline e também toda a série integra a caixa prateada com filmes do Superman em DVD lançada pela Warner.

SUPERMAN
(Superman, EUA, 1941).
Direção: Max Fleischer.
Roteiro: Roteiro: Seymour Kneitel, Izzy Sparber e Jay Morton, baseados nos personagens criados por Jerry Siegel e Joe Shuster.
Elenco de dubladores: Bud Collyer, Joan Alexander, Jackson Beck, Julian Noa.
Animação.
Duração do episódio piloto: 10 minutos.

Lançamento do DVD “Superman em a Humanidade em Perigo” no Brasil: 2007.

A história continua…

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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