Arquitetura da Destruição é documentário obrigatório

O documentarista sueco Peter Cohen, durante quatro anos, reuniu informações sobre Adolf Hitler para tentar estabelecer conexões entre a vida e a formação do tirano que chegou ao poder e promoveu um dos mais terríveis episódios da história mundial. Como explicar a ascensão meteórica de um obscuro cabo do exército, chamado Adolf Hitler, à condição de chefe supremo da nação alemã?

Em “Arquitetura da Destruição”, Cohen resgata dados desde os tempos em que Hitler era morador de uma aldeia na Áustria, filho de um oficial da alfândega. Ainda estudante, tentou a vida artística. Sonhava ser pintor ou arquiteto, mas o insucesso acabou levando-o à vida política.

No documentário ficam bem evidentes as projeções do já Führer traçando os planos arquitetônicos para a nova Berlim, a nova Alemanha, que deveria ser a capital do mundo, como fora Roma na antiguidade.

A obsessão pelas artes também teve papel relevante no III Reich. Hitler promoveu inúmeras exposições, construiu museus, pois acreditava na arte como uma manifestação de superioridade de uma raça, considerando que a dominação de uma cultura estabelecida como refinada ou erudita (de acordo com os parâmetros da época) também forjavam uma nação forte.

Diferente do que o imaginário popular cristalizou sobre Hitler, ele chegou ao poder por refletir o pensamento e os ideais do povo alemão, que sofria sanções após perder a I Guerra Mundial.

Com a derrota, o povo passou por privações, a Alemanha perdeu parte do seu território e ficou sob intervenção da Inglaterra e da França. Diante desse cenário, eis que surge Hitler e o Partido Nacional-Socialista, com as soluções para evitar a ascensão comunista da Alemanha e resgatar a moral do povo germânico. “Quem quiser viver é constrangido a matar. Martelo ou bigorna. Minha intenção é preparar o povo alemão para ser martelo”, disse Hitler.

Quando chega ao poder, em 1933, Hitler põe em prática seu plano para tornar o povo alemão um povo soberano. Promoveu seu ódio aos judeus que, por não terem uma nação até então, eram considerados por ele “parasitas” dentro do Estado Alemão. Assim, exterminou seis milhões de judeus. Também realizou pesquisas com seres humanos e, para “purificar a raça alemã”, fez uma enorme eugenia (Ciência que estuda as condições mais propícias à reprodução e melhoramento genético da espécie humana).

Outro ponto abordado em “Arquitetura da Destruição” é a propaganda nazista. Como relatou João Ribeiro Júnior, em “O Que é o Nazismo”, da editora Braziliense, “A propaganda política nazista foi um dos fenômenos marcantes deste século. Com ela, Hitler sem recorrer à força militar, conseguiu a anexação da Áustria e da Tchecoslováquia ao Reich e a queda da França”. Sem dúvida, a propaganda nazista foi um dos pilares do Reich e, por mais que muitas pessoas pensem que tudo foi enterrado desse sistema tão cruel, as principais teorias de propaganda de política atuais têm as mesmas raízes das criadas pelo nacional socialismo.

Um filme obrigatório pelo seu inédito valor histórico e por transformar em memória viva um episódio assombroso da humanidade.

ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO
(Undergångens arkitektur / Architecture of Doom, Suécia, 1989).
Direção e roteiro: Peter Cohen.
Narração: Bruno Ganz.
Documentário.
121 minutos.

Ricardo Flaitt (Alemão) é colunista do Cinezen Cultural, historiador e assessor de imprensa do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos. Autor do livro “O Domesticador de Silêncios”. Contato: ricardoflaitt@hotmail.com

One thought on “Arquitetura da Destruição é documentário obrigatório

  1. Muito bome Quase completo: Não podemos + deixar de mencionar que Não foram apenas os judeus o alvo de Hitler e que sua limopeza étnica privilegiava tanto judeus quanto ciganos e outros . Proporcionalmente foram dizimados mais ciganos que judeus! Para alem disso o filme esta muito bom!

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