Blu-ray

Real legado de Tron é Olivia Wilde

Atriz destaca-se entre o visual impressionante do filme e seu roteiro irregular
Por André Azenha, editor (19/03/2011) // Comente


“Tron: Uma Odisséia Eletrônica”, de 1982, foi lançado no mesmo que “E.T, O Extraterrestre”, “Jornada nas Estrelas II – A Ira de Khan” e “Blade Runner”. Ano bastante concorrido no gênero ficção científica. Com trama e visual à frente de seu tempo, o filme da Disney, primeiro a usar em grande escala a computação gráfica e o conceito de realidade virtual estável, caiu no ostracismo. Virou cult pra alguns, passou despercebido para a maioria. Reza a lenda que o estúdio mandou recolher o que fosse possível das cópias em home vídeo, tamanha a frustração com o fracasso do longa nas bilheterias.  Hoje o visual daquela produção soa datado. Na época, foi o embrião de muito do que seria feito em sci-fi. Um exemplo? “Matrix”.

Comercialmente, uma continuação seria dar um tiro no pé. Mas a Disney acreditou que, 28 anos depois, com a evolução tecnológica, seria possível criar o universo de Tron do jeito que os produtores imaginavam e atrair o grande público. Investiram muito. E obviamente, pelo tema restrito, a obra não correspondeu nas bilheterias como o aguardado. Diretor do primeiro, Steven Lisberg produziu este. E trouxeram novamente Jeff Bridges, protagonista do original, para reviver Kevin Flynn, que desapareceu há anos. O filho, Sam (Garrett Hedlund), decide procurá-lo e acaba indo parar na Grade, a realidade virtual criada pelo pai e que agora é dominada por Clu, avatar rebelado de Kevin. Na busca para voltar ao mundo real junto com o pai, Sam encontra ajuda em Quorra (Olivia Wilde).

Imagem de Amostra do You Tube

Dirigido por Joseph Kosinski, oriundo do mercado publicitário, “Tron: O Legado” é pura diversão visual. Um trabalho para não ser levado a sério, mesmo porque o roteiro não tem lógica e conta com vários furos. Se o longa não é tecnicamente revolucionário, impressiona. Kosinski e equipe criaram um mundo fantástico. Não tão grandiloquente ou detalhista quanto a Pandora de “Avatar” – este sim revolucionou o cinema -, mas bem definido, complexo, rico em detalhes, espetacular. O espectador que se deixar levar mergulhará no universo da Grade. As cenas que se passam fora dela são descartáveis. Nela, o entretenimento está garantido. O filme vale como escape e deve, se possível, ser visto em 3D. Na tela grande, cada centavo investido pela produção é justificado. Direção de arte e efeitos visuais batem um bolão, a trilha sonora com Daft Punk é cool e o elenco está ok.

Jeff Bridges aproveitou o momento “Oscar” pela vitória por “Coração Louco” em 2010 e até aparece em cena rejuvenescido via CGI, como Clu. Garrett Hedlund, o primo mais novo de Brad Pitt em “Tróia”, não compromete como o protagonista Sam. Mas acima do visual e qualquer elogio técnico ou às atuações, o real legado deste “Tron” é a escalação de Olivia Wilde, em seu primeiro grande papel no cinema. Se tanta gente deu espaço a Megan Fox, Wilde surge muito mais sexy, charmosa, carismática, bonita. E destaca-se mesmo numa personagem que não exige grande atuação. Só a sua presença já catalisa nossas atenções. Seus olhos azuis hipnotizam. E a atriz não tem medo de encarar papéis polêmicos, como a médica bissexual de “House”. Produtores perceberam nela uma estrela pronta para Hollywood e a atriz tem sido escalada para vários filmes.

TRON: O LEGADO
(Tron Legacy, EUA, 2010).
Direção: Joseph Kosinski.
Roteiro: Edward Kitsis, Adam Horowitz.
Elenco: Jeff Bridges, Garrett Hedlund, Olivia Wilde, Bruce Boxleitner, James Frain, Beau Garrett, Michael Sheen, Anis Cheurfa, Serinda Swan, Yaya DaCosta, Elizabeth Mathis, Kis Yurij, Conrad Coates, Daft Punk.
Aventura / Ficção científica – 12 anos.
125 minutos.

Estreia nos cinemas brasileiros: 17/12/2010.

Lançamento em Blu-ray: Março/2011.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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