30 Dias de Noite 2: Dias Sombrios: Desnecessário

Bonitinha, mas ordinária: Kiele Sanchez substitui Melissa George como Stella

É uma pena que, em determinadas vezes, o fracasso de público prejudique projetos interessantes para o cinema. A HQ “30 Dias de Noite”, de Steve Niles e Bem Templesmith, conseguiu inovar o universo dos vampiros, ao mostrar uma cidade perfeita para o banquete das criaturas: Barrow, no Alaska, onde o sol se põe durante um mês. A qualidade e o frescor da obra levaram Sam Raimi (franquia “Homem-Aranha”) a produzir um longa-metragem homônimo, dirigido por David Slade e que manteve o clima sombrio dos gibis.

Como nos quadrinhos a história tem sequência, cogitaram uma franquia nas telonas, ideia que naufragou graças à fraca bilheteria da produção. Mas como não faltam produtores que buscam até o último centavo do consumidor, mesmo com a perda de Raimi, Slade e os protagonistas do primeiro filme, Josh Hartnett e Melissa George, para uma continuação, “30 Dias de Noite: Dias Sombrios”, a segunda HQ da série, virou filme, produzido direto para o mercado de home vídeo e bastante inferior ao anterior.

Passaram-se meses desde a devastação de Barrow. Stella (agora interpretada por Kiele Sanchez) viu o marido Eben dar a vida para salvar o que sobrou da cidadezinha. Traumatizada, só vê sentido em viver para tentar alertar a sociedade sobre o perigo. E viaja pelos Estados Unidos promovendo seu livro, que narra a tragédia. Obviamente quase ninguém acredita nela. Até que, durante um desses eventos, ela conhece quatro sujeitos que caçam as criaturas dentuças e prometem levá-la até Lilith (Mia Kirshner), a vampira que ordenou o massacre no Alaska.

Mia Kirshner

“Dias Sombrios”, apesar de roteirizado pelo próprio Niles, que deve ter topado participar do projeto por dificuldades financeiras ou egocentrismo, é daquelas obras difíceis de encontrar algo positivo. Os atores são canastrões, a direção do inexperiente Ben Ketai (que foi convidado a assinar o trabalho por ser amigo de Niles e responsável por dirigir episódios da série exibidos somente na internet) é pobre, a ponto de repetir, numa trama curta de uma hora e meia, várias vezes duas tomadas do longa passado, e o roteiro brinca com a inteligência do espectador. Só mesmo um bando de estúpidos decidiria caçar vampiros dentro do esgoto, onde não há luz e a chance de morrer é imensa.

Os personagens também são mal elaborados. Qual a motivação do vampiro do bem que acompanha o grupo? E se no longa anterior, a separação de Stella e Eben dramatizava a trama, aqui a protagonista tem uma cena de sexo artificial, ridícula e dispensável com um dos companheiros de combate. Sua inclusão só denota a falta de conteúdo e a necessidade de ter alguma coisa capaz de gerar reação na plateia. Tesão? Só para os desesperados.

http://www.youtube.com/watch?v=2QPF-PqBIMQ

Em “30 Dias de Noite” os vampiros amedrontavam. Apesar da caracterização animalesca, eram seres inteligentes que capturavam as vítimas utilizando força, sim, mas também estratégia. Aqui são tão imbecis quanto os humanos que os caçam. E para piorar, quem viu o primeiro longa sacará o desfecho deste na cena que envolve o cadáver de um vampiro. E deixaram a ponta aberta para outra continuação. Mesmo porque, nas HQs, a história continua. Melhor segui-la nos gibis.

30 DIAS DE NOITE 2: DIAS SOMBRIOS
(30 Days Of Night: Dark Days, EUA, 2010).
Direção: Ben Ketai.
Roteiro: Ben Ketai, Steve Niles, baseados na HQ de Steve Niles e Bem Templesmith.
Elenco: Kiele Sanchez, Rhys Coiro, Diora Baird, Harold Perrineau, Mia Kirshner, Troy Ruptash.
Terror / Thriller.
92 minutos.

Lançamento direto em DVD e Blu-ray: Fevereiro/2011.

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *