Novo filme de Kevin Smith gera ‘protestos’ em seita de desocupados

Kevin Smith apresenta "Red State" durante o Festival de Sundance (23/01/2011)

O cineasta Kevin Smith (“O Balconista”) anunciou que pretende autolançar seu novo filme, “Red State”. O comunicado, realizado durante o Festival de Sundance, acontece num momento em que o longa ironicamente recebeu uma divulgação inesperada:  pessoas protestando contra o conteúdo da obra cinematográfica.

“Red State” é a história violenta de uma seita religiosa cheia de ódio e dos agentes federais que recebem a ordem de combatê-la.  A seita religiosa mostrada no filme é inspirada em organizações religiosas como a pequena Igreja Batista de Westboro, que fez manchetes por promover protestos contra homossexuais diante dos funerais de soldados e oficiais americanos.

Os fiéis (ou seriam doentes?) da igreja tinham prometido comparecer para protestar contra a estreia de “Red State”, e no domingo à noite, quando dez deles se reuniram para isso, Smith e cerca de 200 seguidores dele fizeram um protesto contra os manifestantes. Carregando cartazes, os dois grupos se enfrentaram em um momento feito para as câmeras da TV.

A moral da história? Como costuma acontecer com esse tipo de gente desocupada, que resolve “protestar” ao invés de trabalhar ou produzir algo de útil à sociedade, o tiro saiu pela culatra. As críticas ao filme se transformaram, ainda bem, em ferramenta de divulgação.

Cinema independente

O lançamento de “Red State” de forma independente é um retorno ao passado para Kevin Smith. Seu primeiro longa, “O Balconista”, foi realizado em preto e branco com US$ 27.575. O filme foi comprado por Harvey Weinstein, que na época dirigia a Miramax Filmes e era considerado mestre na distribuição de filmes de orçamento reduzido.

“O cinema independente não morreu, apenas ficou adulto”, disse ele ao público de Sundance, após a estreia de “Red State”. “Agora é a fase Indie 2.0.”

Evocando o nome de Weinstein, Smith disse que, depois de 17 anos fazendo filmes, não pode imaginar algo pior do que criar um longa e entregá-lo a um estúdio para que este faça o marketing.

Para o diretor, depois de o estúdio gastar dezenas de milhões de dólares na divulgação, não sobrarão lucros para ele e seus investidores. Por isso ele resolveu voltar para o tempo em que os próprios cineastas levavam seus filmes aos cinemas, um cinema de cada vez. Eles guardavam uma parte maior do lucro e o reinvestiam em mais filmes.

Assim, Smith decidiu que vai pôr os pés na estrada com “Red State”, começando em 5 de março no Radio City Music Hall, em Nova York, e passando por grandes cidades americanas ao longo do mês, terminando em 4 de abril em Seattle.

Ele espera lançar “Red State” em todo o país em 19 de outubro, a mesma data de estreia de “O Balconista”. Até então, a publicidade conseguida com a turnê do filme e com o uso de sites de relacionamento social, como o Twitter, pode beneficiar as vendas em outros cinemas, sem custos de publicidade.

Fonte: Reuters

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