DVD/Blu-ray: A Saga Crepúsculo: Eclipse, o melhor da franquia até então…

Enquanto escrevo esse texto, “A Saga Crepúsculo: Eclipse”, terceiro episódio da franquia cinematográfica baseada nos livros de Stephenie Meyer, já foi visto por quase dois milhões de pessoas no Brasil e bateu uma série de recordes no país. E quer saber? Nada, nada do que já foi escrito pelos críticos ou do que escreverei aqui abalará o fanatismo dos adolescentes brasileiros, assim como as críticas negativas não impediram “Crepúsculo”, “Lua Nova” e “Eclipse” de alcançaram sucesso estrondoso no exterior. E o mesmo acontecerá com as duas partes de “Amanhecer”, último capítulo da saga literária que será transformado em dois filmes para, claro, abocanhar milhões e milhões de dólares mundo afora para a Summit, produtora e distribuidora dos longas, e Meyer, escritora que já virou até estrela de história em quadrinhos.
Então não adianta eu dizer que “A Saga Crepúsculo” se arrasta numa trama que poderia ser resumida num único filme, ou seja, o duelo de vampiro e lobisomem pela garota virgem. Nem que os atores protagonistas são verdadeiras nulidades, sem expressão. Que Robert Pattinson por vezes lembra um travesti, que a bonitinha Kristen Stewart parece que teve o maxilar deslocado e assim não consegue fechar a boca, ou que Taylor Lautner remete a um Hulk anêmico. Não. “Eclipse” é um filme à prova de crítica e que já nasceu um sucesso.
Mesmo assim, talvez por insegurança, ou por terem peso na consciência, pois sabem que os dois primeiros filmes da saga não são bons, os produtores parecem ter levado um pouquinho da mídia especializada em consideração e, a princípio, tentaram tornar este terceiro longa menos insosso que os anteriores. Para tanto, contrataram David Slade, cineasta de currículo bacana, que fez o tenso “Menina Má.com” e dirigiu um longa sobre vampiros adaptado dos quadrinhos, “30 Dias de Noite” – este sim com vampiros de verdade, que dão medo.
Em “Eclipse” a trama começa com Edward e Bella trocando beijos em meio à natureza, num clima romântico, bem meloso. Só que Victoria não desistiu da sua vingança e prepara um exército de vampiros novatos, que, por ainda possuírem sangue humano no organismo, são mais fortes que os “veteranos” sanguessugas da família Cullen. Para proteger a donzela em perigo, os Cullen fazem um acordo com Jacob e sua alcateia, numa inusitada união entre vampiros e lobisomens, até então eternos rivais.

Na crítica de “Lua Nova” escrevi que Bella, no fundo, fantasiava um ménage a tròis com Edward e Jacob. E em “Eclipse” minhas suspeitas foram confirmadas. Não que o filme tenha alguma cena de bacanal entre os três. Mas algo me fez lembrar de algumas amigas, que desejam manter e dizem que amam o sujeito bonzinho, inofensivo (Edward), mas sentem tesão mesmo pelo cara saradão, com “pegada” (seria Jacob). Só isso para explicar as idas e vindas e a forma como ela não quer ver nenhum dos dois longe. Mais incrível ainda é que ambos disputem a donzela com tanto ardor, já que ela demonstra ter a personalidade de uma ameba e seja tão sexy quanto aquela antiga velhinha do programa “A Praça é Nossa”. Provavelmente essa atração que ela desperte em vampiro e lobisomem exista em virtude da essência animal deles, cujo mote é desvirginar uma fêmea no cio. E olha que tem gente acreditando que os livros de Stephenie Meyer defendam a castidade.
Ao menos “Eclipse” diminui os defeitos de seus antecessores. Alguns personagens secundários têm suas origens detalhadas (o que serve de curiosidade para os fãs) e a trama tem um pouco mais de ação – cortesia do diretor – e até humor (como na cena em que Bella, numa cabana no meio da neve, precisa dormir nos braços de Jacob porque Edward é frio e não pode ajudá-la).
Em relação ao elenco, não dá para esperar muito. Os colegas de Bella na escola mal aparecem (exceto a agora famosa Anna Kendrick, indicada ao Oscar 2010 por “Amor sem Escalas” e que aqui faz o discurso de formatura) e Dakota Fanning não diz a que veio na série – desde que virou adulta a atriz não tem acertado. Até a geralmente interessante Bryce Dallas Howard (“A Vila”, “Homem-Aranha 3”), que substitui Rachelle Lefevre como Victoria, passa praticamente despercebida.
Já o triângulo amoroso formado por Bella, Edward e Jacob me fez recordar a série de TV “Dawson’s Creek”, na qual o protagonista (James Van Der Beek) enrolou demais para ficar com a mocinha (Joey, interpretada por Katie Holmes, de “Batman Begins”). No final, até por vontade do público, ela acabou ficando com o melhor amigo dele, Pacey (Joshua Jackson), que demonstrava mais atitude, vontade e desejo por ela do que o então herói da história. O mesmo acontece na fábula de Stephenie Meyer. Edward é tão bunda mole, tão devagar, que daqui a pouco as meninas que lotam as salas de cinema irão preferir que Bella fique junto com Jacob.
Até acho bonitinho ver uma família de vampiros “do bem”, Ashley Greene é uma gatinha, mas “a” obra cinematográfica sobre vampiros para adolescentes continua sendo “Os Garotos Perdidos”. Será que a geração teen dos anos 80 era mais exigente?
A SAGA CREPÚSCULO: ECLIPSE
(The Twilight Saga: Eclipse, EUA , 2010).
Direção: David Slade.
Roteiro: Melissa Rosenberg.
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Billy Burke, Ashley Greene, Dakota Fanning, Anna Kendrick, Peter Facinelli.
Animação / Fantasia / Romance.
124 min.
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Estreia nos cinemas brasileiros: 30/06/2010.
Lançamento em DVD e Blu-ray: Dezembro/2010.
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