Centurião: bom épico com frases de efeito colateral

Uma legião de soldados romanos está além das linhas inimigas na Bretanha. Eles tentam sobreviver, enquanto são caçados por uma tribo de nativos.
A Nona Legião retratada no filme “Centurião” realmente existiu, mas seu destino final é um mistério para a História. A produção dá uma possível resposta para o que aconteceu com os combatentes romanos, mas a tônica geral é mais realista.
Por essa razão, qualquer referência à magia, tão comum a épicos desse tipo, é tomada como misticismo. O melhor exemplo dessa característica são os talentos de rastreadora de Etain, que poderia muito bem ser uma ranger em uma aventura de RPG. Suas habilidades tidas como sobrenaturais são, na realidade, conhecimento e sensibilidade aguçada.
A autenticidade também chega às cenas de batalhas e aos ferimentos. A violência de “Centurião” está acima da média dos filmes de seu gênero, mas não cai na sanguinolência gratuita. Um olhar interessante no tema, com certeza.
Uma atração especial é a longa perseguição que praticamente domina a metade final da fita. Não chega a ser tão frenética quanto em “Apocalypto”, exatamente pela preocupação realista. Mesmo assim, a tensão de que os protagonistas podem ser atacado a qualquer momento existe.
Porém, nem tudo são maravilhas. O maior problema do filme está em seus diálogos, apesar do roteiro merecer elogios por não ser maniqueísta. A história é empolgante, mas algumas frases de efeito proferidas pelos personagens são bem desencorajadoras. Parece uma boa aventura de RPG, com um narrador mais entusiasmado do que os jogadores.
*Colaboração do Cine Dude
CENTURIÃO
(Centurion, Reino Unido, 2010)
Direção e roteiro: Neil Marshall.
Elenco: Michael Fassbender, Dominic West, Olga Kurylenko, David Morrissey, Ulrich Thomsen, Liam Cunningham, Imogen Poots.
Épico – 16 anos.
97 minutos.
Estreia nos cinemas brasleiros: 26/11/2010.
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