RED: Sim, ficamos velhos. E daí?


“A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para frente.” –
F. Scott Fitzgerald

Você já deve ter lido neste site a crítica feita sobre “RED” (retired extremely dangerous – aposentados extremamente perigosos, em português). Para quem não a leu, esse filme é sobre um ex-agente da CIA aposentado Frank Moses (Bruce Willis) que paquerava a funcionária da previdência. Mas a CIA começou a persegui-lo e, para desvendar o motivo,  ele reencontra seus antigos companheiros de trabalho: Joe (Morgan Freeman), Marvin (John Malkovich), Victoria (Helen Mirren) e seu velho inimigo Ivan (Brian Cox).  A história é baseada na HQ da DC Comics escrita por Warren Ellis e desenhada por Cully Hammer.

Confesso que eu não esperava muito do filme, apesar  de saber que Morgan Freeman e John Malkovich transformam qualquer filminho em, no mínimo, algo bom. Enfim, não sou crítica de cinema…

Enquanto degustava a minha pipoca e bebericava meu refrigerante, Joe (Morgan Freeman) disse que nunca imaginava que “isso” poderia acontecer com ele: ficar velho. Não teve como não parar para filosofar!

Quando meu pai fez 40 anos (na época, eu tinha 17), ele disse que só percebia que  estava envelhecendo quando se olhava no espelho. Falou que a “voz” que existia dentro dele aos 18 anos era a mesma que ele escutava aos 40. No auge da minha sabedoria (aos 17 anos, eu me levava muito a sério), cheguei à conclusão que eu tinha um pai imaturo, com síndrome de Peter Pan. Hoje, eu vejo que não é bem assim.

Há algumas semanas, um colega postou no facebook: “Woody Allen – sobre envelhecer! ‘Acho que é um mau negócio’, disse. ‘Você não fica mais esperto, não fica mais sábio, não fica mais doce ou mais amável. Nada acontece de fato. Suas costas doem mais, você tem mais indigestão, sua visão não é boa, você precisa de ajuda para escutar. É um mau negócio ficar velho e eu aconselharia vocês a não fazerem isso.’”

Quando li esse post, lembrei de uma frase de minha avó Zuzu: “Quem não envelhece, morre cedo”. Aos 81 anos, no auge da sua sabedoria, vovó diz: “Se eu não cuidar de mim, quem é que vai cuidar?” Realmente, ninguém diz a idade que ela tem. Anda na praia e, quando chove, faz exercício subindo e descendo as escadarias do prédio umas três vezes (ela vai me esganar quando souber que estou contando isso).

A questão é que a vida não acaba quando você se aposenta. Independentemente qual seja a sua idade, aquela voz que estava dentro de você aos 18 anos terá uma sonoridade jovem mesmo que você já tenha 90 anos. A escolha é nossa. O problema que somos pressionados a parecermos sempre jovens, como se envelhecer fosse uma doença. Ora, o contrário disso não é a morte?

Por outro lado, envelhecer não é fácil. O Woody Allen está certo também. À medida que passa o tempo vamos perdendo as pessoas que amamos. Quando terminei a faculdade percebi que algumas pessoas foram se afastando por causa da mudança de nossas vidas. Estava reclamando disso para a minha avó (sim, a própria). Aí ela disse: você pode pegar um telefone e ligar para eles. E as minhas amigas que estão morrendo?

A nossa perspectiva também muda. O tempo (sempre ele) faz com que a gente veja as coisas que aconteceram com um outro olhar. Afinal, a nossa vida é definida pelas oportunidades que aproveitamos, como também aquelas que perdemos. Às vezes, lembrar dói. A grande sacada é saber envelhecer. Qual é a fórmula? Ainda não sei.

Talvez o ideal seria sermos como Benjamim Button*. Será que a vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18?

*O filme “O Curioso Caso de Benjamin Button” é baseado no conto de F. Scott Fitzgerald. Vale à pena assistí-lo ou ler o livro.

Leia também: Ação não tem idade em RED, por Edu Fernandes

RED – APOSENTADOS E PERIGOSOS
(Red, EUA, 2010).
Direção: Robert Schwentke.
Roteiro: Jon Hoeber, Erich Hoeber.
Elenco: Bruce Willis, Mary-Louise Parker, John Malkovich, Helen Mirren, Karl Urban, Morgan Freeman.
Ação / Comédia / 14 anos.
111 minutos.

Estreia nos cinemas brasileiros: 12/11/2010.

Leia mais sobre e comente o filme também no Cinemaki.

Santista, atualmente, mora na Espanha onde fez um mestrado em produção e gestão audiovisual. Pós-graduada em Política e Relações Internacionais, é repórter freelancer da Revista BiodieselBR. Trabalhou no jornal O Estado de S. Paulo (2004-2011), fez reportagens para as revistas Exame, Casa & Mercado, Revista Young e Docol. Publicou textos no Jornal da Tarde e no site Terra. Exerceu o cargo de analista de Mídia e Redes Sociais e de Relações com a Mídia no Grupo Máquina PR (2012). Porém, precisou ir para o outro lado do Oceano Atlântico para redescobrir o audiovisual. Entre 1999 e 2002, foi estagiária da Santa Cecília TV e fez um curta-metragem para a Oficinas Kinoforum em 2003. Quando desembarcou na terra do D.Quixote pensava que iria se dedicar somente aos documentários, mas descobriu uma outra paixão: a animação. Já produziu dois “filhos”, ops, trabalhos nessa área como roterista e produtora executiva. E já está com um terceiro “filho” a caminho. Aprendeu que o melhor da vida é surpreender-se com novas culturas, lugares e até consigo mesma.

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