DVD/Blu-ray: Toy Story 3 coroa trilogia magistral

Pixar novamente nos presenteia com uma história divertida e emocionante
Por André Azenha, editor (15/11/2010) // Comente


É incrível como a Pixar, a cada novo projeto, surpreende o mundo com histórias divertidas e inovadoras. Se em tantas outras boas trilogias do cinema, dificilmente o segundo filme igualou ou superou o original em qualidade, com “Toy Story 3” a Pixar criou a cereja do bolo para um série que nasceu para fazer a diferença.

Lembremos: “Toy Story”, de 1995, marcou o início do uso da computação gráfica, que levaria o mundo a reboque. O segundo filme, de 1999, é importante internamente, pois foi a primeira e até então a única continuação dentro da companhia (“Carros” e “Monstros S.A.” têm sequencias programadas). E este terceiro longa utiliza o 3D estereoscópico e prova que, é possível sim, criar uma trilogia cujos filmes mantenham o alto padrão de direção, roteiro, dublagem e interpretação. Sim, interpretação, porque os personagens criados pela Pixar emocionam.

Mas acima de tudo, conferir “Toy Story 3” é voltar no tempo, e perceber que, mesmo 11 anos depois, parece que fomos apresentados ontem a Woody, Buzz Lightyear e o resto da turma.  Somos próximos a eles. E a Pixar, que nasceu como um braço de Lucas Film para depois ser adquirida pela Disney, soube trabalhar essa proximidade entre público e personagens a seu favor. Jamais enjoamos deles. Pelo contrário. Ficamos felizes ao revê-los e torcemos por cada ação da turma.


Lee Unkrich, que dividiu a direção de “Toy Story 2” com John Lasseter (produtor desse longa e atual diretor do departamento de animação da Disney) e Ash Brannon, e também foi co-diretor de “Procurando Nemo” e “Monstros S/A”, dirige com talento o filme – ele também colaborou no roteiro.

Na trama, passaram-se quinze anos desde a última aventura e Andy, agora com 17 anos, e prestes a ingressar na faculdade, precisa decidir que destino dará a seus brinquedos: leva-os com ele, guarda-os no sótão, faz uma doação, ou joga-os o lixo? Por uma série de desencontros Woody acaba sendo o único escolhido para acompanhar o jovem à universidade, enquanto os outros brinquedos vão parar numa creche.

Quando chegam ao local, são recebidos com festa pelos outros brinquedos, principalmente Ken (Michael Keaton) e o veterano urso de pelúcia Lotso (Ned Beatty). Lotso no começo parece um bom velhinho, simpático, receptivo. Mas com o tempo revela-se um ditador, que envia os brinquedos de Andy à ala das crianças menores de dois anos, que batem, puxam, jogam e sujam os brinquedinhos. Woody precisa encontrar os amigos, que procuram uma forma de fugir da creche.

Seria clichê dizer que “Toy Story 3” é “ideal para crianças e adultos”. Mas é isso mesmo. É fofinho, engraçado e apaixonante para a garotada, como também tem reviravoltas, ação, romance, e humor para cativar os mais velhos. E ainda traz uma série de mensagens: a passagem da infância para a vida adulta e a necessidade de sabermos dar o passo à frente; o ser humano que não precisa mais de certos bens materiais e, ao invés de doá-los, encontrando pessoas que necessitem deles, simplesmente joga-os fora ou guarda-os sem necessidade; e claro, que a amizade é capaz de superar todas as dificuldades.

Aliás, por falar em amizade, rever Woody, Buzz Lightyear e companhia foi como reencontrar antigas pessoas queridas. Sabe aqueles amigos que ficamos sem ver durante anos, mas quando reencontramos, o carinho continua o mesmo? Pois é, foi isso que senti ao ver o filme e seus personagens. E só por nos proporcionar esse tipo de sensação, “Toy Story 3” já seria maravilhoso, mas ainda nos presenteia com cenários encantadores, ótimas cenas de ação, piadas certeiras (o encontro entre Barbie e Ken é impagável, e outro momento “latino” causa gargalhadas deliciosas) e cenas emocionantes, capazes de levar o espectador às lágrimas. Mais uma vez a Pixar acertou em cheio.

TOY STORY 3
(Idem, EUA , 2010).
Direção: Lee Unkrich.
Roteiro: Michael Arndt, John Lasseter, Andrew Stanton, Lee Unkrich. Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Don Rickles, Wallace Shawn, Estelle Harris, John Ratzenberger, Ned Beatty, Michael Keaton, Kristen Schaal, Blake Clark, John Morris, Laurie Metcalf, Jodi Benson, Timothy Dalton, Jeff Garlin, Whoopi Goldberg, Bonnie Hunt, R. Lee Ermey (apenas vozes).
Animação / Aventura / Comédia.
103 minutos.


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O curta-metragem

Como acontece nos filmes da empresa, um curta-metragem antecede a exibição de “Toy Story 3”. “Dia e Noite”, dirigido por Teddy Newton, que dubla o telefone de brinquedo em “Toy Story 3”, mostra o encontro do jovial Dia com o soturno Noite. No começo, desconfiam um do outro, mas quando descobrem as qualidades mútuas, percebem que são duas facetas de um mesmo mundo. O filme é mais uma prova de como a Pixar consegue desenvolver algo genial a partir de uma historinha aparentemente simples.

DIA E NOITE*
(Day & Night, EUA, 2010).
Direção: Teddy Newton.
Animação / Curta-metragem.
6 minutos.

*O curta está nos extras do DVD e do Blu-ray.
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Veja mais imagens de “Toy Story 3″.

Estreia nos cinemas brasileiros: 18/06/2010.

Lançamento em DVD e blu-ray: Novembro/2010.

Leia mais sobre e comente o filme também no Cinemaki.

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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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