Predadores agrada apenas os fãs da série


A franquia “Predador” quase foi jogada no lixo quando o ridículo “Alien Vs. Predador 2” chegou aos cinemas em 2008. Mas Robert Rodriguez, chapa de Quentin Tarantino, fã dos dois primeiros filmes, estrelados por Arnold Schwarzenegger e Danny Glover respectivamente em 1987 e 1990, decidiu produzir um novo longa que resgatasse os elementos originais da série: a caçada aos humanos realizada pelos alienígenas, num clima de suspense iminente. Para tanto, convocou para a direção Nimród Antal, cuja carreira tem filmes de suspense (ou que se aproximam do gênero) como “Kontroll” (que lhe rendeu um prêmio da juventude no Festival de Cannes, em 2004), “Temos Vagas” (2007) e “Assalto ao Carro Blindado” (2009).

E “Predadores” até começa bem. Com o personagem de Adrien Brody acordando em meio a uma queda, tendo que abrir o pára-quedas e aterrissar no meio de uma selva misteriosa. Aos poucos, ele encontra outras pessoas na mesma situação, interpretadas por Alice Braga (“Ensaio Sobre a Cegueira”), Topher Grace (“Homem-Aranha 3”), Oleg Taktarov (lutador de Ultimate Fighting russo que atuou em “Miame Vice”, “Bad Boys 2”, entre outros), Walton Goggins (“Milagre em Sta. Anna”), Louis Ozawa Changchien, Danny Trejo (“Machete”) e Mahershalalhashbaz Ali (série “4400”). Exceto o personagem de Grace, um médico, todos os outros são experientes em matar. Poderiam ser os predadores do título. Juntos, tentam desbravar o local e concluem que estão sendo caçados pelos nativos do planeta onde se encontram, que no passado caçaram humanos na Terra.

Quem acompanhou o mundo cinematográfico nos últimos anos, poderá comparar a trajetória de “Predadores”, desde o início de sua produção, a divulgação  (que teve até vídeos com comentários do próprio Robert Rodriguez), e a expectativa gerada (muito mais na mídia especializada do que necessariamente no público), a “Superman Returns”, de Bryan Singer.

Tal qual o longa do herói da DC, “Predadores” tenta reviver uma franquia moribunda, ignorando os dois últimos (e fracos) episódios. Foi realizado por admiradores confessos dos primeiros filmes da franquia (Singer idolatra os dois primeiros “Superman”), chamou certa atenção no primeiro final de semana em cartaz e depois foi sendo esquecido… esquecido…

Não chega a ser ruim. O visual foi bem realizado, há certa tensão e cenas de luta competentes. Mas o elenco é irregular. Se Adrien Brody, que após seu Oscar de melhor ator por “O Pianista” se enveredou por filmes hollywoodianos, se sai bem como um sujeito dividido entre tentar a própria sorte individualmente e ajudar os outros humanos, a brasileira Alice Braga mantém a mesma expressão de enfezada o tempo inteiro, tentando soar uma nova Michelle Rodriguez (que tem feito vários papéis semelhantes, como em “Resident Evil”, “S.W.A.T.” e “Avatar”).

Porém, nenhum filme sobrevive sem um roteiro decente. E o de “Predadores”, escrito por quatro pessoas (!), possui vários defeitos. Os principais são a participação do personagem de Laurence Fishburne (o ator é bom, muito bom, diga-se), que não acrescenta absolutamente nada à história (dizem que o papel foi concebido para uma participação especial de Danny Glover, que ao menos serviria de homenagem), e, pior ainda, na demora para que alguém use a lama como defesa aos ataques dos alienígenas, sendo que logo no início da trama Alice Braga conta que, no passado, alguém fez uso da lama para confundir os censores das criaturas.

“Predadores”, como “Superman Returns”, é melhor que seus anteriores, mas é uma obra que não soma nada em relação aos originais. É veículo exclusivo para fãs. E mesmo assim há dúvidas. A diferença é que, enquanto o Superman terá um recomeço de verdade nos cinemas, em 2012, Robert Rodriguez já planeja “Predadores 2”. Dispensável.

PREDADORES
(Predators, EUA , 2010).

Direção: Nimród Antal.
Roteiro: Alex Litvak, Michael Finch, Jim Thomas, John Thomas.
Elenco: Adrien Brody, Alice Braga, Topher Grace, Oleg Taktarov, Walton Goggins, Louis Ozawa Changchien, Laurence Fishburne, Danny Trejo, Mahershalalhashbaz Ali.
Ação / Ficção.
107 min.

Estreia nos cinemas brasileiros: 23/07/2010.

Lançamento em DVD: Novembro/2010.

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André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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