Jogos Mortais – O Final é mais do mesmo

Sétimo e suposto último filme da franquia, primeiro dela em 3D, repete fórmulas
Por Edu Fernandes (04/11/2010) // Comente


Depois de sobreviver a uma das armadilhas de Jigsaw, Bobby escreveu um livro de auto-ajuda sobre a experiência. Jill, viúva do assassino, está fugindo de Hoffman e decide entregá-lo à polícia em troca de proteção.

Há sete anos uma dupla de jovens realizadores trouxe uma produção de suspense psicológico instigante: “Jogos Mortais”. Depois do primeiro filme, segui-se uma série de sequências anuais com o compromisso de manter uma grande reviravolta no final de cada episódio.

Após tanta mexida na trama, “Jogos Mortais – O Final” mostra sinais de uma franquia exaurida. Os dois primeiros filmes conseguem segurar-se, mas a série apelou para a sanguinolência muitas vezes gratuita a partir de “Jogos Mortais III”. Daí em diante foi só ladeira abaixo.

Ficou tão difícil continuar surpreendente que os roteiros começaram a remendar o começo da saga e a trazer novos fatos aos primeiros filmes. O que foi planejado para fazer o espectador ficar de queixo caído torna-se irritante. É preciso um limite de quanto se adultera certas coisas.

Um exemplo ilustrativo: até o quarto filme, sabemos que Jigsaw começou seus assassinatos sozinho e só conseguiu uma parceira no crime a partir do segundo longa. Eis que chega o sétimo capítulo da saga e diz que, na verdade, John Kramer sempre teve a assistência de Hoffman. Este, por sua vez, assumiu o legado de seu mentor. Um pouco tarde demais para mudar algo tão primordial.

Os fãs da franquia certamente irão conferir como é o final (espera-se) da história. O problema é que, depois de tantos anos sendo enganado (no bom sentido) pelas mesmas artimanhas, fica mais fácil perceber onde estão as maracutaias do roteiro. Com isso, a grande surpresa final fica bem fraca, pois muitos espectadores já sabem onde a narrativa irá se apoiar para tentar o novo golpe dramatúrgico.

Uma novidade inegável na série é o fato de que “Jogos Mortais – O Final” é o primeiro filme de Jigsaw com projeção 3D. Os efeitos não são diferentes do que já se viu em outros terrores que exploram essa pirotecnia. É como se, no último filme, a produção usasse uma roupa nova por se tratar de uma ocasião especial.

*Colaboração do Cine Dude.

JOGOS MORTAIS – O FINAL
(Saw 3D, EUA / Canadá, 2010).
Direção: Kevin Greutert.
Roteiro: Patrick Melton, Marcus Dunstan.
Elenco: Tobin Bell, Costas Mandylor, Betsy Russell, Cary Elwes, Sean Patrick Flanery, Chad Donella.
Terror / Suspense / 18 anos.
90 minutos.

Estreia nos cinemas brasileiros: 05/11/2010.

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Nascido em 1983 em São Paulo, Edu Fernandes é formado em Audiovisual pela ECA-USP, com especialização em Crítica. Desde 2005 escreve críticas para sites, blogs e revistas (como Rolling Stone, Movie e SET). Atualmente colabora com o UOL Cinema, mantém o blog www.ocinedude.blogspot.com e apresenta o programa “Take Único” (AllTV).


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