Ratatouille diverte com importante mensagem social

Pixar acertou novamente e fez a Disney dividir as atenções ao Mickey com outro ratinho
Por André Azenha, editor (18/10/2010) // Comente


Esse é o filme que pela primeira vez em muito tempo fez a Disney (através da Pixar) dividir as atenções dadas ao Mickey com outro ratinho, Remy (Patton Oswalt), que sonha virar chef francês, mesmo contra os desejos de sua família e do óbvio problema de ser um roedor em uma profissão totalmente inapropriada para sua espécie. Quando o destino o leva aos esgotos de Paris, ele se vê bem abaixo do famoso restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau, cujo lema sempre foi: “todo mundo pode cozinhar”.

Ao presenciar o ajudante de cozinheiro Linguini (Lou Romano) arruinando uma sopa no Gusteau’s, Remy se desespera e acaba caindo na cozinha. O desengonçado rapaz mal consegue segurar a colher de pau, mas com a ajuda do ratinho começa a preparar os melhores pratos da cidade, para o desespero do seu patrão, Skinner (Ian “Bilbo” Holm), que assumiu o restaurante após a morte de Gusteau e usa a fama do antigo chefe para criar linhas de comidas semiprontas.

Ratatouille (pronuncia-se ratatúie) é, originalmente, um cozido popular típico da região de Provence, no sul da França, preparado com berinjela, tomate, cebola, pimentão e outros legumes a gosto. E obviamente tem papel fundamental na trama, envolvendo ainda o severo crítico gastronômico Anton Ego (Peter O’Toole).

O diretor e roteirista Brad Bird, o mesmo de “Os Incríveis”, burilou o que já havia alcançado de positivo no filme de 2004 e fez um filme tecnicamente bem realizado. Com trama fofa, divertida, envolvente, “Ratatouille”, apesar do tema abordado outras vezes no cinema (a gastronomia como terreno para uma história de amor), beira a genialidade – cartão de visitas da Pixar – e é perfeito tanto para a criançada como para os marmanjos à procura de diversão inteligente.

Além disso, traz romance, mensagem social importante sobre humildade e respeito às origens, e brinca com aquela máxima a qual não devemos nos preocupar com a forma como os pratos são preparados nos restaurantes. Afinal, se parássemos para pensar na higiene das cozinhas desses estabelecimentos, inclusive daqueles mais chiques, provavelmente não faríamos refeições fora de casa.

Seria a grande animação da Pixar na década, se a empresa não lançasse, um ano depois, o espetacular “Wall-E”. Merecidamente levou o Oscar de Melhor animação e foi indicado ainda nas categorias Trilha sonora (magnífica, também vencedora do Grammy), Som, Montagem e Roteiro original.

RATATOUILLE
(Idem, EUA , 2007)
Direção e roteiro: Brad Bird.
Vozes: Patton Oswalt, Ian Holm, Lou Romano, Brian Dennehy, Peter Sohn, Peter O’Toole, Brad Garrett, Janeane Garofalo.
Animação / Comédia.
111 min.

Estreia nos cinemas brasileiros: 06/07/2007.

Lançamento em DVD: Novembro/2007.

Principais prêmios e indicações:

- Oscar: Melhor animação.
- Indicação ao Oscar: Trilha sonora, Som, Montagem, Roteiro original.
- Academia de Ficção-científica, fantasia e terror dos EUA: Animação, Roteiro.
- Annie Awards: Melhor longa de animação, Animação de personagem em longa-metragem, Design de personagem em longa-metragem, Direção em longa de animação, Música em longa animado, Design de produção em longa animado, Storyboards em produção animada, Atuação vocal em longa animado (Ian Holm), Roteiro.
- Globo de Ouro: Melhor animação.
- Grammy: Trilha sonora.
- Crítica de Los Angeles: Melhor animação.
- Sindicato dos Produtores (PGA): Melhor animação.

Trailer

Galeria


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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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