The Who – Do sucesso ao fim da juventude


Duas óperas rock que se tornaram filmes, 11 álbuns de estúdio, performances inconfundíveis e inúmeras canções que marcaram época. Estes itens apenas resumem o currículo de uma das mais aclamadas e clássicas bandas imortalizadas na história do rock and roll.

Parte I – Surge a lenda

Foi no verão de 1961, em Londres, ao ver um rapaz carregando seu contrabaixo nos ombros, que Roger Daltrey, guitarrista solo da banda The Detours, resolveu convidá-lo para participar de sua banda. John Entwistle, que estava acompanhado da namorada, aceitou a proposta. Logo no ano seguinte, com a saída de Reg Bowen, ficou vago o cargo de segundo guitarrista que, por intermédio de John, foi ocupado por um rapaz bastante magro e com um nariz de largas proporções. “Um nariz em um bastão”, foi como Roger descreveu o estudante de artes Pete Townshend. Com Townshend na segunda guitarra, John Entwistle tocando contrabaixo, Doug Sandom na bateria, Roger Daltrey como guitarrista principal e Colin Dawson nos vocais, o The Detours, que na época se apresentava em bares, logo sofreria novas mudanças: em 1963, inspirado por Johnny Kidd & The Pirates, Daltrey demitiu Colin Dawson e assumiu o posto de frontman, deixando a guitarra apenas para Townshend.

The Detours - Embrião do Who

Pouco a pouco, o grupo de Rhythm and Blues mudava de forma, assim como seu nome: The Who, como passaram a ser chamados depois de uma reunião no apartamento de Pete com todos os membros da banda e também com seu colega de quarto Richard Barnes, que foi quem teve a ideia. Com o tempo, Townshend inventava um novo estilo de tocar guitarra: seus powerchords pesados e o feedback causado pela sua guitarra, devido ao fato de tocar com os amplificadores num volume muito alto, o tornavam um guitarrista inconfundível. Assim o The Who se diferenciava das outras bandas da época, mas ainda havia uma mudança a ser feita. Em 1964, Doug Sandom foi demitido e durante uma de várias apresentações com um baterista profissional contratado pela banda, um garoto que havia descolorido o cabelo a ponto de ficar ruivo, pediu para se juntar ao grupo alegando ser muito melhor que o baterista que estava no palco. Após uma demonstração, Pete, John e Roger não tinham mais dúvidas, aquela era a peça que faltava para preencher o som do The Who. A partir de então, Keith Moon, que tocava numa banda de surf music, tomou conta do posto.

Aos 17 anos, Keith já era único, não apenas pelo seu estilo de tocar, mas também devido ao fato de conseguir chamar tanto a atenção do público mesmo sem mobilidade no palco e ficando atrás dos outros membros da banda, o que não era nada comum na época. Townshend, sendo guitarrista e não querendo ficar atrás de Moon no quesito “presença de palco”, também aperfeiçoou suas performances com novos movimentos – passou a abrir os braços como se fossem asas ao deixar a guitarra soar -, que foi o motivo por ter recebido o apelido de Birdman (homem pássaro) e também o famoso braço giratório inspirado em Keith Richards, guitarrista do Rolling Stones. Porém, foi na Taverna Railway, em setembro de 1964, que Pete realizou o epitáfio de suas performances, atraindo bastante atenção não apenas para si, mas também para todo o The Who. Ato que segundo a revista Rolling Stone foi um dos 50 momentos que mudaram a história do rock: ao bater repetidas vezes com o braço da guitarra no teto da taverna, o instrumento acabou se partindo e, ao ver o estrago, Pete resolveu simplesmente ‘terminar o serviço’. A partir deste show, guitarras quebradas passaram a fazer parte do repertório nas apresentações do grupo e, como se não bastasse, Moon também passou a destruir seu kit de bateria, o que resultou em mais prejuízo para a banda.

Leia também:

Parte II – Os mods e as primeiras gravações da banda

Parte III – Ópera rock

Parte IV – O fim da era clássica

Última parte – Chega o novo século

Foi colunista da extinta revista digital Acerto Crítico, do ano de 2000 até seu término em 2006. Foi colunista fixo dos blogs Jovem Repórter e CulturaNI , onde abordava cultura pop, música, cinema e cotidiano cultural da Baixada Fluminense. Escreve contos no seu blog pessoal “Se Nada Mais Der Errado”. Colabora com o CineZen desde 2010. É roteirista por formação – e, por orgulho – da HQ “Cotidiano”, pela editora “Maustouche”. Escreveu o roteiro dos curtas-metragens ” Ainda bem que estamos aqui” e ” Se nada mais der errado”. É autor de “Pequenos botões e grandes blusas”, distribuído digitalmente de forma gratuita.

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