Especial The Who – Parte II

Montados em suas lambretas munidas de vários espelhos retrovisores e trajando ternos italianos bastante justos, os mods (abreviação para modernistas) eram garotos que tinham como preferência musical o jazz e o R&B. Contratado pelo empresário Helmut Gorden, Peter Meaden, um mod, que aproveitando o fato do movimento estar no seu auge, tornou o The
Who uma banda do gênero. Com cabelos curtos e penteados, roupas novas e também um novo nome: The High Numbers, John, Keith, Pete e Roger foram aceitos pelo público mod e em junho de 1964, gravaram seu primeiro single: “Zoot Suit” e “I’m The Face”, ambos compostos por Meaden. O compacto foi um fracasso e em agosto daquele mesmo ano, Chris
Stamp e Kit Lambert, que procuravam uma banda para participar de um filme, passaram a ser os novos empresários do conjunto que dois meses depois voltaria a se chamar The Who.

Devido ao novo contrato exigir composições próprias, em novembro de 1964 o Who grava o single “I Can’t Explain”, composto por Pete Towshend. A canção rendeu um contrato com o produtor Shel Talmy e o compacto foi lançado no primeiro mês de 1965, alcançando a oitava posição nas paradas após muita divulgação.

Lançado em 21 de maio de 1965, “Anyway, Anyhow, Anywhere” foi o único trabalho em que Pete e Roger trabalharam juntos. A essa altura o The Who já não era mais uma banda mod, usando camisas com o desenho da bandeira britânica, medalhas presas aos palitos, o grupo era agora uma banda de pop-art.

Em setembro de 1965, após jogar as pílulas de anfetamina de Keith na privada e puxar a descarga, Roger e o baterista tiveram uma briga que resultou na expulsão do vocalista da banda. Um mês depois Daltrey estava de volta, mas caso fizesse algo que os outros integrantes da banda não aprovassem, a expulsão seria definitiva. Ainda em outubro, outro compacto foi lançado: o compacto de “My Generation”, música composta por Townshend com um dos mais brilhantes solos de baixo (por Entwistle) e a frase que se tornou um dos símbolos do grupo: “I hope I die before get old” (espero morrer antes de envelhecer). O compacto foi seguido pelo primeiro álbum do The Who, lançado em 3 de dezembro e também nomeado “My Generation”.

No ano de 1966 foram lançados três novos trabalhos da banda inglesa, entre eles dois singles: “Substitute” e “I’m a Boy”. Neste ano foi também lançado o segundo álbum da banda, chamado A Quick One. Neste álbum está a música que, com nove minutos de duração, intitulou o disco e foi o primeiro passo de Townshend em direção à criação de suas óperas rock, “A Quick One while He’s Away”. Segundo o compositor, a faixa pode também ser considerada como “a mãe de Tommy” (Tommy foi a primeira ópera rock do The Who, lançada alguns anos mais tarde). O disco também conta com composições de Entwistle, entre elas “Boris The Spider”. Neste ano foi rompido o contrato com Shel Talmy. Com o contrato encerrado, Track Records, a nova empresa fundada por Stamp e Lambert em 1967, que além do The Who, um dos primeiros contratos foi feito com Jimi Hendrix Experience. Viagens à terra do Tio Sam foram feitas em 1967, uma delas para participar do festival de Monterey. Noutra das suas visitas à América, abriram um show para o Herman’s Hermits, onde obtiveram prejuízo, pois além de guitarras e baterias, quartos de hotéis também passaram a ser destruídos pelo instinto selvagem de Moon.

The Who Sell Out, terceiro álbum da banda, foi lançado em dezembro de 67 como um tributo às rádios piratas. Após uma má sucedida tour pela Austrália em 1968, Pete é apresentado aos ensinamentos de um místico indiano chamado Meher Baba e, no ano seguinte, baseado, em parte, nos ensinamentos do místico indiano, cria sua primeira ópera rock. A ópera é lançada em maio de 1969 e conta a história de um garoto cego, surdo e mudo chamado Tommy, assim como o álbum. Muitos críticos consideraram este disco como uma obra prima. O The Who apresentou a ópera rock no festival de Woodstock e também a levou para os teatros líricos. Enquanto Pete não tinha novas idéias para trabalhar com sua banda, é lançado em maio de 1970 o Live At Leeds, um dos shows mais notórios do grupo, que é considerado por muitos como um dos melhores discos ao vivo de rock and roll. Nesta época, o principal compositor da banda também começou a fazer experimentos com um sintetizador inspirado em Terry Riley, inovador compositor americano.

Lifehouse seria o projeto que Pete encaixaria algumas de suas músicas feitas com o auxílio do sintetizador. Sua nova idéia consistia em um filme que se passaria num futuro altamente poluído. Mas o longa nunca chegou a ser produzido, pois Lambert estava boicotando o projeto pelas costas de Townshend, que acabou sofrendo um colapso nervoso. Depois da decepção com o projeto de Lifehouse, vem o álbum Who’s Next, que foi lançado em 1971 contendo canções do fracassado projeto anterior, entre elas “Baba o’Riley”, cujo nome é uma homenagem a Meher Baba e Terry Riley. Outra canção bastante notória deste disco é “Won’t Get Fooled Again” e a frase “Meet the new boss, same as the old boss” (conheça o novo chefe, igual ao velho chefe).

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Parte III – Ópera rock

Parte IV – O fim da era clássica

Última parte – Chega o novo século

Foi colunista da extinta revista digital Acerto Crítico, do ano de 2000 até seu término em 2006. Foi colunista fixo dos blogs Jovem Repórter e CulturaNI , onde abordava cultura pop, música, cinema e cotidiano cultural da Baixada Fluminense. Escreve contos no seu blog pessoal “Se Nada Mais Der Errado”. Colabora com o CineZen desde 2010. É roteirista por formação – e, por orgulho – da HQ “Cotidiano”, pela editora “Maustouche”. Escreveu o roteiro dos curtas-metragens ” Ainda bem que estamos aqui” e ” Se nada mais der errado”. É autor de “Pequenos botões e grandes blusas”, distribuído digitalmente de forma gratuita.

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