Tekken é quase uma reprodução completa do famoso game

Até agora, quase todos os filmes inspirados em games, ou fracassaram nas bilheterias, ou foram mal recebidos pela crítica. Do gênero, a única franquia sobrevivente, e com méritos, é “Resident Evil”. “Tekken”, baseado no jogo homônimo, sai direto em home vídeo acertadamente. Fosse lançado nos cinemas, seria massacrado. Mas em DVD encontrará seu público.

A trama é ambientada em 2039. O mundo como conhecemos foi devastado por guerras mundiais e agora é controlado por mega-corporações. Nos EUA, quem dá as cartas é a empresa que batiza o game e o filme, a mais poderosa do mundo. A fim de manter as massas dominadas, a organização realiza toques de recolher, monitora a sociedade e patrocina o torneio Punho de Ferro, onde os combatentes lutam pela glória e para receber toda uma vida de estrelato e riqueza.

Neste ambiente, Jin Kazana (Jon Foo), um cidadão comum, decide participar da competição. Caso vença, ele poderá encontrar com o todo poderoso Heihachi Mishima (Cary-Hiroyuki Tagawa), o criador e dono da Tekken, e vingar a morte de sua mãe, assassinada por soldados da companhia.

Escrito por Alan B. McElroy (da franquia de terror “Pânico na Floresta”), o roteiro é tremendamente irregular. A presença da personagem Kara (Mircea Monroe), que inicialmente parece que será o interesse romântico do protagonista, é dispensável e não soma nada à trama. E a realização da luta entre mulheres não se encaixa na sequencia do torneio (a vencedora simplesmente não tem luta depois, enquanto os outros ganhadores passam de fase).

Mas o diretor Dwight H. Little, experiente da TV, responsável por episódios de séries como “Bones”, “Prison Break” e “24 Horas”, conseguiu realizar uma ambientação futurista interessante, com – guardadas as devidas proporções – alguns toques de “Blade Runner” e “O Vingador do Futuro”. E ao contrário de outras obras que tentam criar uma história de verdade quando adaptam um game para o cinema, vai direto ao assunto. Ou seja, filme baseado em game tem que soar como um game. E nesse sentido, ele e sua equipe técnica acertam em cheio. Tanto na estilização dos personagens, como nas coreografias das lutas e na trilha musical.

Do elenco não dá pra esperar muita coisa. É todo mundo clichê, mas essa é a intenção. O protagonista Jon Foo (um dos membros da Liga das Sombras em “Batman Begins” – longa no qual não é creditado como ator) faz as caras e bocas necessárias para o papel. Kelly Overton, (seu último trabalho foi a participação em dois episódios da série “Three Rivers”) vive a lutadora Christie Montero, a gostosa da história, que acaba virando parceira de Jin Kazama e chega a expor metade do traseiro na cena em que vai à boate. E aqueles fãs de ação dos anos 80 e 90, mais atentos, ainda lembrarão de Cary-Hiroyuki Tagawa, que em 1991 interpretou um líder da Yakuza (máfia japonesa) em “Massacre no Bairro Japonês”, longa estrelado por Dolph Lundgren e Brandon Lee, já reprisado inúmeras vezes na Tela Quente e no Domingo Maior.

No saldo geral, “Tekken” não é tão ruim como dava a entender, reúne os principais personagens do game, poderá agradar os fãs do jogo e ser bem procurado nas locadoras e bancas de camelô.

TEKKEN
(Idem, Japão / EUA, 2010).
Direção: Dwight H. Little.
Roteiro: Alan B. McElroy.
Elenco: Jon Foo, Marian Zapico, Gary Daniels, Ian Anthony Dale, Mircea Monroe, Luke Goss.
Ação.
92 min.

Lançamento direto em DVD: 10 e 11/08/2010.

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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