A guerra Entre Irmãos

Tobey Maguire protagoniza drama que mostra a família como principal vítima da guerra. Lançamento em DVD e Blu-ray.
Por Jean Garnier (21/07/2010) // Comente

Entre Irmãos (Brothers, EUA, 2009). Direção: Jim Sheridan. Roteiro: David Benioff, Susanne Bier, Anders Thomas Jensen. Elenco: Tobey Maguire, Jake Gyllenhaal, Natalie Portman, Sam Shepard, Clifton Collins Jr., Bailee Madison, Mare Winningham, Taylor Geare, Patrick Flueger, Carey Mulligan. Drama. 105 min. (Cor).

“Eu quero ver a minha família / Minha esposa e filho esperam por mim”. Esse é o refrão de “Love Vigilantes”, música do grupo inglês New Order centrada na história de um soldado que morreria pelo seu país, mas que entre rifles e granadas, fica alegre ao conseguir ser dispensado da guerra. Ao retornar para a amada, a vê transtornada com um telegrama que tinha recebido há algum tempo, no qual exaltava a coragem do combatente e informava que ele estava morto.

A canção poderia ser um ótimo resumo do filme “Entre Irmãos”, se não fosse apenas um diferencial entre as duas obras: no longa, refilmagem do dinamarquês “Brødre”, de 2004, o irmão do combatente assume seu lugar em casa, inclusive, envolvendo-se com a esposa do militar.

Sam Cahill (Tobey Maguire) é um capitão da marinha, casado com Grace (Natalie Portman), sua namoradinha desde os tempos de escola, e um bom pai de duas filhas, Maggie (Taylor Geare) e Isabelle (Bailee Madison). Ele é o mais velho e responsável, o oposto do irmão Tommy (Jake Gyllenhaal), um desajustado que está sempre bêbado e após um período preso, sai da cadeia e não quer saber de novos problemas.


Tommy vai morar com Sam, e este não muito tempo depois deixa sua família para lutar pela pátria no Afeganistão. Enquanto o “bonzinho” está cumprindo o “dever”, o “ruim” está calmo e não corre perigo. Ambos são filhos de Hank (Sam Shepard), que existe só para mostrar a todos a sua preferência por Sam e o total desprezo por Tommy.

Eis que chega a triste notícia: o capitão foi vítima de um acidente fatal de helicóptero. Grace fica arrasada e se desdobra para cuidar das meninas. Motivado em ser uma pessoa melhor, Tommy chama toda a responsabilidade para si e tenta ajudá-la. Mas Sam não morreu, vira refém e alguns flashbacks mostram a crueldade em que ele passou ao ser torturado pelo Talibã, e seus familiares tocam a vida na pacata cidade.

Enquanto o combatente é obrigado pelos inimigos a matar um de seus companheiros, Tommy e Grace se envolvem amorosamente. Sam consegue fugir, e, ao tentar retornar à vida que levava, sente-se um estranho dentro da própria casa: não consegue de maneira alguma reconectar as emoções que tinha com suas crianças e, o pior, sua mulher não tem a mesma aproximação por ele. Para ela, o marido morreu no Oriente Médio.

As atuações do trio protagonista é o grande destaque do filme. Portman é a mãe zelosa que sente a necessidade de um calor humano, e quando vê tudo desabar, acaba aceitando meio que desconfiada o ombro amigo do cunhado. Gyllenhaal é a tradicional ovelha negra, sabe que o pai o odeia e busca a redenção. Enquanto Maguire aos poucos se distancia da imagem de Homem-Aranha. É dele o papel mais desafiador no filme: conseguir mostrar o conflito de alguém que sempre tentou levar a vida de forma correta, precisou enfrentar grandes problemas e, ainda por cima, a traição da esposa com o próprio irmão.

Já o diretor Jim Sheridam se especializou em dirigir obras sobre relações familiares, como “Em Nome do Pai” e “Terra dos Sonhos”. Mas dessa vez, utilizou a família como a principal vítima da guerra.

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Estreia nos cinemas brasileiros: 05/03/2010

Lançamento em DVD e Blu-ray: Julho/2010.
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