A Estrada é trama pós-apocalíptica de ritmo lento

Por Ricardo Prado e Jean Garnier (15/07/2010) // Comente

A Estrada (The Road, EUA, 2009). Direção: John Hillcoat. Roteiro: Joe Penhall baseado no livro de Cormac McCarthy. Elenco: Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Charlize Theron, Robert Duvall, Guy Pearce, Molly Parker, Michael Kenneth Williams. Thriller / Drama. 111 min. (Cor).

Por Ricardo Prado

Filmes em que um desastre de escala mundial aconteceu e deixou uma paisagem desolada em todos os lugares costumam ter bastante ação, seja por uma guerra ou invasão de zumbis, por exemplo. Aqui, em “A Estrada”, praticamente não há ação. O ritmo é lento, lentíssimo às vezes, e o foco acaba ficando em cima dos personagens e do crescimento deles ao longo da história. É uma escolha válida, mas vai fazer muito espectador adormecer na sala de cinema por aí.

A trama de “A Estrada” é baseada no livro de mesmo nome do escritor Cormac McCarthy, mesmo autor de “Onde os Fracos Não Têm Vez”. Um pai (Viggo Mortensen) e um filho (Kodi Smit-McPhee) vagam pelo cenário desolado de um país atingido por algum tipo de desastre em escala global em busca de comida e um lugar seguro para passar a noite. A ameaça constante de canibais e de ladrões faz com que o pai se torne extremamente protetor, ensinando ao filho que não se deve confiar em ninguém.

Não é o só o ritmo vagaroso que pode entediar o grande público. A ausência de uma estrutura convencional pode incomodar, também. “A Estrada” é pontuado por momentos isolados de ação, um tento pouco a ver com o outro, como episódios. A constante, mesmo, é a série de ensinamentos que o pai tenta passar para o filho noções de como sobreviver e, acima de tudo, não confiar em ninguém. Aí é que reside o real progresso de “A Estrada”.

Fica difícil saber se “A Estrada” conseguiria manter todas as suas qualidades se fizesse algumas concessões ao grande público, nem que fosse melhorar o seu ritmo arrastado. Mas, claro, não se pode agradar a todos os gostos.

Por Jean Garnier

Pode parecer outro filme sobre um mundo pós-apocalíptico, mas a diferença de “A Estrada” em relação aos demais é o retrato do amor de um pai pelo seu filho, ambos na tentativa desesperada pela sobrevivência em meio a humanos totalmente desfigurados. A trama é baseada no romance homônimo do escritor americano Cormac McCarthy e premiado com o Pulitzer de Ficção.

Na história, homem (Viggo Mortensen) e garoto (Kodi Smit-McPhee) – como no livro, eles não têm nome – caminham incansáveis em meio às ruínas do que sobrou do planeta. Enquanto o progenitor é um cara atordoado, teimoso e que desconfia até da sua própria sombra, a criança, claro, é doce e inocente. Não é revelada a causa da tragédia e só aos poucos, em ligeiros flashbacks, sabemos que a mulher do protagonista (Charlize Theron) pirou, renunciou os seus sentimentos e simplesmente resolveu abandoná-los por não aguentar aquela situação.

No meio dessa paisagem sem sol, a população que sobreviveu se tornou totalmente selvagem. Os mais fracos são escravos dos mais fortes, e por vezes chegam até a servirem como alimento – o que deixa uma questão se isso aconteceria ante a escassez de alimentos causada após um cataclisma fatal.

O que vale é a essência do vínculo e a coragem entre pai e filho – e a atuação de ambos é o grande triunfo dessa história. O diretor John Hillcoat (“A Proposta”) utilizou como narrativa a visão desses personagens para mostrar o retrato do comportamento humano machucado e sem esperança nesse conto silencioso permeado pelos valores morais.

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Estreia nos cinemas brasileiros: 23/04/2010.

Lançamento em DVD e Blu-ray no Brasil: Julho/2010.

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