Abraços Partidos marca reencontro entre Pedro Almodóvar e Penélope Cruz

Cineasta e atriz retomam parceria em agradável e misterioso labirinto emocional que transita entre a traição e a vingança.
Por Ricardo Prado * (07/07/2010) // Comente

Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos, Espanha, 2009). Direção e roteiro: Pedro Almodóvar. Elenco: Penélope Cruz, Lluís Homar, Blanca Portillo, José Luis Gómez, Tamar Novas, Rúben Ochandiano, Lola Dueñas. Drama. 128 min. (Cor).

Um dos grandes destaques da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo deste ano, “Abraços Partidos”, 17º  trabalho do espanhol Pedro Almodóvar, reúne vários filmes em um só. O diretor aproveitou o acontecimento de uma tragédia para criar um complexo e auto-reflexivo romance, no qual juntou diversas imagens e fragmentos de histórias, usando toda essa miscelânea para inclusive gozar de si mesmo: em determinado momento o filme rodado é uma espécie de “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”, clássico do cineasta de 1988, só que aqui ele se chama “Girls and Suitcases”.

A trama começa nos dias atuais. Mateo Blanco (Lluís Homar) é um cineasta que ficou cego num acidente de carro no começo da década de 90, em Ibiza, e pior sorte teve seu grande amor, Lena (Penélope Cruz), que morreu. Desde o trágico acontecimento, Mateo ficou conhecido apenas pelo seu pseudônimo, Harry Caine, e virou roteirista. Certo dia, sua agente Judit (Blanca Portillo) recebe o pedido estranho de alguém chamado Raio X (Rubén Ochandiano) para ajudar a escrever um script. Na verdade, o tal misterioso é o filho do produtor e ex-marido de Lena, Ernesto Martel (José Luis Gomez).

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Paralelo a isso, somos levados ao passado. Através das memórias de Mateo, vamos parar no set em que ele e Lena começaram a ter um caso, escondidos de Martel, que suspeitando da estranha química entre os dois pediu para o filho (vivido pelo mesmo Ochandiano) os vigiar, sob o pretexto de estar preparando um making of das filmagens. Lógico, o jovem não focaliza nada que poderia ser chamado de extras de produção, e sim apenas a apimentada atração crescente entre a atriz e o diretor.

O visual deslumbrante, a força dos diálogos e as representações forçam o tom dramático da narrativa do romance, no qual Homar vive um homem que passa os dias se remoendo entre o passado e a desilusão do presente, por sentir um dos maiores pesadelos para qualquer cineasta: a cegueira.

Já Penélope está brilhante no papel da musa. Embora careça um pouco da generalidade emocional de produções anteriores, sem o mundo recheado de referências cinematográficas que é a marca de Almodóvar, “Abraços Partidos” é um agradável e misterioso labirinto emocional que transita entre a traição e a vingança.

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Lançamento nos cinemas brasileiros: 04/12/2009.*

Lançamento em DVD no Brasil: Julho/2010.

*O filme já havia sido exibido na Mostra SP de Cinema, mas a estreia oficial aconteceu depois.

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