Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo é boa adaptação de game
Apesar de irregular, filme, num todo, é exemplo raro de uma adaptação cinematográfica dos video games que deu certo
Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (Prince of Persia: The Sands of Time, EUA, 2010). Direção: Mike Newell. Roteiro: Boaz Yakin, Doug Miro, Carlo Bernard, Jordan Mechner. Elenco: Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley, Alfred Molina, Steve Toussaint, Toby Kebbell, Richard Coyle, Ronald Pickup, Reece Ritchie. Aventura. 116 min. (Cor).
O título faz sentido se analisarmos da seguinte forma: só por “Príncipe da Pérsia” ser um filme de ação mediano, o filme já se torna uma das melhores adaptações de videogame para o cinema. Essa troca nunca deu muito certo. “Max Payne”, “Super Mario Bros”, “Street Fighter”… Algo sempre dava errado – ou muito errado – quando se tentava adaptar a história de um jogo para o cinema. Com “Príncipe da Pérsia”, o resultado é satisfatório. Conseguiram montar uma história redonda, com começo, meio e fim, possibilidade de continuação e atenção aos detalhes. Sem dúvida, chegou mais longe que todos os outros. Agora, é só continuar caminhando em frente. A direção é de Mike Newell, de “O Amor nos Tempos do Cólera”.
Bastante gente já jogou o “Príncipe da Pérsia” original, aquele que tinha um rapaz vagando por uma espécie de calabouço cheio de armadilhas, com algumas lutas de espada aqui e ali. Só que este filme especificamente é baseado em um jogo mais recente e sofisticado, “Prince of Persia: The Sands of Time”, lançado em 2003, que trouxe uma história mais aprofundada e estilo de jogo diferenciado. É a história de uma adaga que pode manipular o tempo e a tentativa do tal príncipe, Dastan (Jake Gyllenhaal), de usá-la para impedir a morte do rei.
Infelizmente, Gyllenhaal não demonstra força o suficiente para ser protagonista. Ben Kingsley, por outro lado, faz muito bem o papel do tio de Dastan, irmão do rei assassinado. Quem também está no elenco é Gemma Arterton, que esteve em “Quantum of Solace” e tem aqui um papel maior. É uma pena que, assim, o espectador perceba o quão irritante é a voz dela.
Outro problema, mais grave, é como o filme permanece visualmente igual do começo ao fim. É aquele laranja amarronzado em todas as cenas, e isso chega a causar sono. A história, por outro lado, até que se desenvolve bem. Poderiam ter investido mais no elemento da viagem do tempo, criando uma interessante mistura de filme de época com ficção científica, mas ainda assim resulta digno de uma chance.
Vale a pena conferir “Príncipe da Pérsia”, nem que seja pela curiosidade de ver uma adaptação de videogame que deu certo. Já que a indústria do cinema norte-americana aos poucos se transforma em uma indústria de adaptações, avanços como este são notáveis.
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Estreia nos cinemas brasileiros: 03/06/2010.