Dennis Hopper (1936-2010)


O veterano ator e cineasta Dennis Hopper morreu no sábado, 29 de maio, aos 74 anos, em sua casa na Califórnia. Ele sofria de um câncer terminal na próstata, diagnosticado no final do ano passado. Amigos e familiares estavam com o artista, cujo óbito aconteceu às 12h15 (horário de Brasília).

Dennis Lee Hopper, nascido num dia 17 de maio em Dodge City, cidadezinha com pouco mais de 26 mil habitantes no estado do Kansas, EUA, foi o típico artista “maluco beleza”. Ganhou notoriedade ao dirigir e atuar em “Easy Rider – Sem Destino” de 1969, ao lado de Peter Fonda, clássico do gênero road movie e da contracultura dos EUA. A produção do filme foi um verdadeiro caos. Hopper proporcionou aos colegas verdadeiros “causos”. Ora por conta do uso de drogas, ora pela forma como tratava atores, produtores, e o parceiro Fonda, com quem brigou.

Hopper em "Velocidade Máxima" (1994)

A fama de pessoa difícil quase acabou com sua carreira. Mas Hopper era o sujeito ideal para viver personagens malucos, temperamentais, excêntricos. Ou seja, partes dele mesmo. E foi assim que interpretou papéis importantes em “Apocalipse Now” (1979), dirigido por Francis Ford Coppola, e o vilão Frank Booth em “Veludo Azul” (1986), de David Linch.

Bem antes, nos anos 50, atuou com o amigo James Dean nos dramas “Juventude Transviada” e “Giant – Assim Caminha a Humanidade”.

O ator também trabalhou na TV. Recentemente, interpretou Ben Cerdans em 26 episódios da série “Crash”, entre 2008 e 2009. Ele esteve na primeira temporada de “24 Horas”, quando, claro, fez o vilão. Seu último trabalho na direção de cinema foi o curta-metragem “Homeless” (2000).

Apesar de ser uma figura controversa, capaz de deixar muito executivo de estúdio com o pé atrás da orelha, Dennis Hopper foi reconhecido por Hollywood. Teve duas indicações ao Oscar. A primeira pelo roteiro de “Easy Rider” e a seguinte pela interpretação de um professor de basquete no drama “Momentos Decisivos” (1986). Esse ano ele recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, em sua última aparição pública. A Câmara de Comércio de Hollywood, inclusive, organizou um ato quando foram depositadas flores e cartas de lembranças dos fãs de Hopper no local.

"Veludo Azul" (1986), com Isabella Rossellini

Em âmbito pessoal, o artista teve uma vida intensa, para o bem e para o mal. Não foram poucos os romances caóticos. Teve um casamento de apenas oito dias com a cantora do grupo The Mamas and the Papas, Michelle Phillips, e, nos últimos meses, o divórcio de sua quinta esposa, Victória Duffy.

Em abril, um tribunal determinou que Hopper deveria pagar US$ 12 mil mensais a ex-mulher. A revista “US Magazine” noticiou que o motivo para o pedido de divórcio, em janeiro, foi uma discussão sobre o testamento do ator e o valor que sua esposa receberia após a morte de Hopper.

Dennis Hopper deixa quatro filhos e papéis inesquecíveis no cinema. Uma boa dica para quem quiser mais sobre os “causos” do artista é o livro “Como a geração sexo-drogas-e-rock’n’roll salvou Hollywood“, de Peter Biskind, em que o autor disseca a produção de “Easy Rider” e outros longas em que Hooper trabalhou ou foi dispensado.

"Apocalipse Now"

Particularmente, um personagem vivido por Hopper que me divertiu e marcou bastante está em “Amor à Queima Roupa”, dirigido por Tony Scott e escrito por Quentin Tarantino, no qual o artista interpreta o pai do protagonista vivido por Christian Slater.

Filmografia como diretor:

2000 – Homeless.

1994 – Uma Loira em Apuros (Chasers).

1990 – Hot Spot – Um Local Muito Quente (Hot Spot)

1989 – Atraída pelo Perigo (Backtrack ou Catchfire)

1988 – Cores da Violência (Colors)

1980 – Anos de Rebeldia (Out of the Blue)

1971 – The Last Movie

1969 – Sem Destino (Easy Rider)

Filmografia como ator:

2008 – Fatal (Elegy)

2008 – Promessas De Um Cara De Pau (Swing Vote)

2008 – Crash – Destinos Cruzados (Crash)

2005 – O Corvo-Vingança Maldita (The Crow-Wicker Prayer)

2005 – Americano (Americano)

2005 – Terra dos Mortos (Land of the Dead )

2004 – Blueberry – Desejo de Vingança (Blueberry)

2004 – Um Motivo para Viver (Leo)

2002 – O Guarda-Costas (The Piano Player)

2002 – O Poder Da Mente (Unspeakable)

2001 – Filhos da Máfia (Knockaround Guys)

2001 – Sob Fogo Cruzado (Luck Of The Draw)

1999 – EdTV (EdTV)

1998 – Os Irmãos Id e Ota (Meet The Deedles)

1997 – O Grande Golpe (Top Of The World)

1997 – Blackout (The Blackout)

1996 – Basquiat – Traços De Uma Vida (Basquiat)

1996 – Sansão e Dalila (The Bible – Samson And Delilah)

1995 – Waterworld – O Segredo das Águas (Waterworld)

1994 – Velocidade Máxima (Speed)

1993 – Super Mario Bros. (1993)

1991 – O Apocalipse De Um Cineasta (Hearts Of Darkness- A Filmmaker’s Apocalypse)

1987 – A Caminho Do Inferno (Straight To Hell)

1986 -O Mistério Da Viúva Negra (Black Widow)

1986 – Juventude Assassina (River`s Edge)

1986 – Veludo Azul (Blue Velvet)

1983 – O Selvagem Da Motocicleta (Rumble Fish)

1979 – Apocalypse Now

1976 – Mad Dog (Mad Dog)

1969 – Bravura Indomita (True Grit)

1969 – Sem Destino (Easy Rider)

1956 – Assim Caminha a Humanidade (Giant)

1955 – Juventude Transviada (Rebel Without a Cause)

Imagem imortalizada no clássico "Sem Destino"
André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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