Apenas o Fim

Apenas o Fim (Idem, Brasil, 2008). Direção e roteiro: Matheus Souza. Elenco: Érika Mader, Gregório Duviver, Nathalia Dill, Álamo Facó, Julia Gorman, Marcelo Adnet, Anna Sophia Folch. Comédia romântica / Drama. 80 min. (Cor).

Dois jovens: Adriana (Érika Mader, sobrinha da Malu Mader) e Antônio (Gregório Duviver, de “À Deriva”). Ela: bonita, esperta, provocadora, meio maluquete. Ele: nerd, veste camisa pólo antiga e óculos do avô.

Adriana vai ao encontro de Antônio quando ele está para fazer uma prova na faculdade. O motivo? Ela não quer mais namorar, vai embora para algum lugar fora do país e tem somente uma hora antes de embarcar, a qual decide passar com ele e propõe: “Podemos utilizar esse tempo transando ou discutindo a relação”. Antônio prefere a segunda opção.

A partir daí, o diretor e roteirista Matheus Souza, de apenas 20 anos, em “Apenas o Fim”, nos presenteia com uma hora e meia de diálogos inteligentes, inúmeras citações pop, e um realismo que ora diverte, ora parte o coração. Afinal, todos já vivemos situações que remetem às vontades de Adriana (ter liberdade, fugir do cotidiano) e Antônio, que se vê perdido diante do rompimento.

Entre as andanças do casal pelas belas paisagens da PUC/RJ, são inseridos alguns flashbacks que mostram os dois, deitados na cama, conversando temas variados: de Tartarugas Ninja a Supernintendo, de Vovó Mafalda a “O Senhor dos Anéis”.

Realizado por alunos da PUC-RJ, “Apenas o Fim” surgiu como um trabalho de faculdade para arrancar elogios da crítica, ser premiado pelo público e ganhar a Menção Honrosa no Festival de Cinema do Rio, e, principalmente, cativar toda uma geração que viveu curtindo episódios dos Cavaleiros do Zodíaco, jogando Mario Bros., imaginando a Britney Spears nua e tentando compreender os caminhos e descaminhos do amor.

Matheus Souza, à maneira de Quentim Tarantino, utiliza a obra alheia para criar algo peculiar, que soa novo. Os diálogos remetem a Woody Allen, Domingos de Oliveira, entre outros. As citações pop a Cameron Crowe, Nick Hornby e “Juno”. E o casal formado por Érika e Gregório poderia muito bem ser substituído por Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet), de “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”; Jesse (Ethan Hawke) e Celine (July Delp) de “Antes do Amanhecer”/“Antes do Põr-do-Sol” (aliás, a caminhada do casal protagonista é herança direta dos filmes de Richard Linklater); ou ainda pelo casal interpretado por Glen Hansard e Markéta Irglová em “Apenas uma Vez”.

Ou seja, são pessoas comuns, como eu e você, vivendo algo real, a despedida e a perspectiva do recomeço. Sem os exageros hollywoodianos, sem dramalhão nem personagens caricatos. A conversa entre Adriana e Antônio flui tão naturalmente que temos a impressão que os atores chegaram a improvisar algumas falas.

Apesar da pouca idade para a profissão, Matheus Souza parece ter vivido o dobro, tamanha segurança com a qual ele conduz a trama. Ainda por cima, provou que é possível fazer bom cinema com pouco: o filme custou “meros” R$ 8 mil, valor irrisório para uma produção cinematográfica.

“Apenas o Fim” é um sopro de juventude no cinema nacional, um belo exemplo para quem acha que os filmes produzidos por aqui só mostram violência, pobreza, nudez. Poderá se encarado como um veículo somente para quem tem vinte e poucos anos. Ledo engano. Relações amorosas são identificadas por todos os públicos. Acima de tudo, o longa é como aquelas receitas feitas por nossas mães e avós, que utilizam ingredientes simples, se apropriam de itens de pratos mais elaborados, para conceberem algo extremamente saboroso.
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Lançamento em DVD no Brasil: 24/03/2010.

Configurações do DVD: Áudio: Português 2.0; Legendas: Inglês; Formato de Tela: 16×9 HD. Extras: Sinopse; Ficha técnica; Trailers.

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

One thought on “Apenas o Fim

  1. ai, que medo de um filme baseado em dois estupedantes circulando pela puc do rio… e que medo da expectativa que eu tenho de um filme assim. pode ser bom demais, o espectador ali, se vendo naqueles personagens, envolvido em uma boa história de bons diálogos. pode ser uma bomba, parece que qualquer diálogo bobo de amor fica bobo de um jeito idiota quando falado em português. mas, vamos ver.

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