O Exterminador do Futuro – A Salvação

Quarto filme da franquia cibernética chega ao mercado em DVD para venda
Por André Azenha, editor (17/03/2010) // Comente

O Exterminador do Futuro – A Salvação (Terminator Salvation, EUA / Inglaterra / Alemanha,  2009). Direção: McG. Roteiro: John D. Brancato e Michael Ferris. Elenco: Christian Bale, Sam Worthington, Anton Yelchin, Helena Bonham Carter, Bryce Dallas Howard, Jadagrace, Moon Bloodgood. Ficção científica / Ação. 115 min. (Cor).

Os dois primeiros filmes da serie “O Exterminador do Futuro”, lançados respectivamente em 1984 e 1991, se tornaram célebres por conseguir aliar trama de ficção científica inteligente com, principalmente, cenas espetaculares de ação. Grande parte desse êxito se deve a James Cameron (“Titanic”), produtor, roteirista (em parceria com William Wisher Jr.) e diretor de ambas as produções. A presença do hoje governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, um dos maiores astros de ação dos anos 80, também colaborou para arrastar multidões às salas de cinema. O segundo filme pode ser considerado um clássico, pois tem frases que marcaram época e a trilha sonora com a canção “You Could Be Mine”, dos Guns N’Roses, entoada nos quatro cantos do planeta. De forma justa, o  longa levou quatro estatuetas no Oscar: Efeitos Especiais, Efeitos Sonoros, Som e Maquiagem.

“Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas” ainda teve Schwarzenegger, mas não Cameron. Nitidamente é inferior aos seus anteriores, mas ainda assim fez sucesso de bilheteria, e a franquia gerou uma série de TV, “As Crônicas de Sarah Connor”.

terminatordoisA impressão que se dava era que os produtores já haviam sugado tudo o que a marca “Exterminador do Futuro” podia proporcionar financeiramente. Mesmo porque o seriado televisivo não teve a audiência esperada. Mas a trama estava inacabada. Faltava saber como terminaria o duelo entre os humanos e as máquinas. E “O Exterminador do Futuro – A Salvação” foi concebido não somente com este objetivo, mas também para iniciar uma nova trilogia, sem James Cameron, e apostando na popularidade do atual Batman, Christian Bale, na pele do protagonista John Connor, o homem incumbido de liderar a resistência humana contra os robôs da Skynet, que ganharam consciência e não consideram necessária a existência das pessoas.

O elenco foi bem selecionado. Bale (o sétimo ator e encarnar Connor) é artista talentoso, esforçado, e juntaram-se a ele Bryce Dallas Howard (“A Vila” e “Homen-Aranha 3”), como a amada de Connor, a Mrs. Tim Burton, Helena Bonham Carter (que tomou o lugar da personagem antes reservada para Tilda Swinton, que deixou o projeto pouco antes das filmagens), e Sam Worthington (“Morte Súbita”), no papel de assassino condenado à morte em 2003 que se torna vítima de um experimento e acorda 15 anos depois como alguém metade homem, metade robô, imbuído pela Skynet de atrair John Connor para matá-lo.

terminatortresPorém, as pessoas escaladas para realizar o filme não foram das melhores. O diretor McG fez “As Panteras” e a dupla de roteiristas John D. Brancato e Michael Ferris, que já haviam escrito o mediano terceiro longa da franquia  – roteirizaram também verdadeiras “pérolas” como o horrendo “Mulher-Gato” e o chato “A Rede” – retornaram a seus postos. E “Exterminador do Futuro – A Salvação” decepciona como um todo.

Tecnicamente o filme é impressionante. Tem visual árido e pós-apocalíptico que remete à “Mad Max”, bela fotografia dessaturada, excelentes efeitos especiais (nada mais que a obrigação, em virtude do mega orçamento de US$ 200 milhões), sequencias eletrizantes de ação, e usa alguns truques para cativar fãs da série. Estão lá a voz de Linda Hamilton (a mãe de John Connor nas estórias anteriores), ponta de Schwarzenegger via computação gráfica, “You Could Be Mine” executada brevemente e até a famosa frase “eu voltarei”.

terminatorquatroPena que o enredo não amarre de forma eficaz tudo o que fora realizado até então. Alguns fatos não coincidem com as tramas iniciais e nem com a série de TV, como se os roteiristas não tivessem cumprido o dever de casa – para quem não assistiu “Exterminador 1”, “2” e “3”, há uma breve introdução que resume a sinopse da saga. Mesmo a trilha sonora do geralmente competente Danny Elfman (autor das maravilhosas trilhas de “Batman” e “Batman – O Retorno”, de Tim Burton) é exagerada em alguns instantes. E não faltam erros de continuísmo.

“Terminator 4” ainda investe em situações absurdas e só melhora quando recorre às situações citadas acima, presentes nos longas que o antecederam, e não faz questão de evitar o desfecho clichê, que pode ser percebido minutos antes.

Ainda que o longa divirta em vários momentos, fica nítido que dificilmente será feita uma nova produção da marca que faça jus aos dois primeiros filmes da franquia.

terminatorcincoPS: Só no cinema mesmo para um transplante de órgãos ser feito no meio do deserto.
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Lançamento em DVD para venda no Brasil: Semana entre 15 e 21/03/2010.
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Configurações do DVD: Menu interativo; Seleção de cenas; Seleção de legenda; Formato de Tela: Widescreen; Áudio: Dolby Digital 5.1 (Português e Inglês); Legendas: Português e Inglês.
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André Azenha é jornalista, editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, autor do livro Poesia a Quatro Mãos, feito em parceria com sua mãe, a poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, escreveu para a revista Época São Paulo e colabora com veículos de imprensa de vários estados. Em 2011, mediou o ciclo Documentários Comentados, no SESC Santos. É assessor de imprensa e realiza encontros culturais, a maior parte de caráter beneficente.


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