O Grande Desafio

O Grande Desafio (The Great Debaters, EUA, 2007). Direção: Denzel Washington. Roteiro: Robert Eisele e Jeffey Polo. Elenco: Denzel Washington, Forest Whitaker, Denzel Whitaker, Nate Parker, Jurnee Smolett. Drama. 126 min. (Cor).

“Voltando a Viver” (2002), estreia como diretor de cinema do astro Denzel Washington, contou a trajetória do marinheiro Antwone Fishe, interpretado por Derek Luke. “O Grande Desafio”, segundo trabalho do ator na direção, também investe na vida real de negros que, de alguma forma, tornaram-se mitos da cultura norte-americana.

Assim como naquele filme, Washington também atua. Mas se na produção de 2002 ele foi coadjuvante, aqui ele protagoniza como o verídico professor Melvin B. Tolson, que liderou uma turma de garotos prodígios da Willey College, instituição de ensino apenas para negros nos EUA.

Incentivados pelo tutor, os jovens Henry Lowe (Nate Parker), Samantha Booke (Jurnee Smollett) e James Farmer Jr. (Denzel Whitaker) formaram uma equipe praticamente imbatível de debatedores (daí o título original, “The Great Debaters”; “os ótimos debatedores” em português) durante os anos 20 e 30 – primeiro, derrotando as principais universidades para negros, e depois conseguindo um confronto histórico com a toda poderosa Harvard, formada por alunos da elite branca.


A competição, que não tem tradição no Brasil, coloca duas equipes de estudantes frente à frente. Elas precisam defender seus pontos de vista sobre temas pré-definidos, usando argumentação para convencer os jurados a lhes dar a vitória no debate.

Apesar do tema remeter a filmes como “Meu Mestre, Minha Vida”, “Escritores da Liberdade” e outros longas sobre professores que ajudam a transformar alunos menos privilegiados, “O Grande Desafio” tem personalidade própria. A obra, que teve entre seus produtores a apresentadora Oprah Winfrey, mostra a trajetória dos protagonistas sem apelar para o melodrama.


O roteiro poderia ser mais enxuto, é verdade. A subtrama amorosa entre Henry e Samantha, e a cena em que Farmer Jr. imagina-se dançando com Samantha, não fariam falta ao longa. Mas são deslizes perdoáveis para um diretor novato, como Washington, que não esconde o carinho e a admiração pelos personagens, inclusive o seu, que também atua clandestinamente incentivando trabalhadores (negros e brancos) e lutarem por seus direitos.

Com um elenco notável, que inclui dois vencedores do Oscar (Washington e Forest Whitaker), e jovens talentosos, “O Grande Desafio” é um filme admirável e tem grandes momentos de interpretação. Como, por exemplo, a cena em que o personagem de Whitaker atropela um porco e precisa se desculpar com dois homens brancos, que o humilham.

Indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Filme Dramático em 2008, e vencedor, no mesmo ano, do prêmio Stanley Kramer do Sindicato dos Produtores, sai direto em DVD no Brasil e precisa ser descoberto. Nunca é demais aprender pelo exemplo de vida de pessoas que fizeram o bem e romperam barreiras, contando “apenas” com o dom da sabedoria e a fé em suas atitudes.

Um detalhe importante é que ao final, durante os letreiros, ficamos sabendo os destinos dos principais personagens. Quem tem o mínimo conhecimento da história norte-americana irá se surpreender.

PS2: Para aqueles que gostam de filmes de época que abordam histórias de negros que enfrentaram preconceito, uma boa dica é “Honeydripper – Do Blues ao Rock“, com Danny Glover, disponível em DVD.
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Lançamento direto em DVD no Brasil: 09/03/2010

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André Azenha
André Azenha

André Azenha é jornalista, crítico de cinema, produtor cultural e assessor de imprensa. Editor dos sites CineZen e CulturalMente Santista, colunista do G1 Santos. Já organizou mais de 70 bate-papos culturais. Idealizou o Nerd Cine Fest Santos - Festival de Cinema e Cultura Nerd e Geek do Litoral Paulista, a Mostra Cine Brasil Cidadania e o evento CulturalMente Santista - Diálogos Culturais. Realizou mais de 50 sessões do projeto Cine Comunidade em vinte espaços de Santos, principalmente áreas de vulnerabilidade social. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho entre 2008 e 2009. Teve textos publicados em revistas de São Paulo e Rio de Janeiro. Trabalha com assessoria de imprensa, inclusive do Cine Roxy, que fez 80 anos em 2014. Tem três livros artesanais publicados: Poesia a quatro mãos (2008), em parceria com sua mãe Regina; Coletânea CINEZEN vOL. 1 e Meu Namoro com o Cinema, esses dois últimos de 2012. Ministra o curso "Introdução à História, Teoria e Crítica de Cinema", com duração de 25 encontros em três meses.