Ouro de Tolo


Nós só vamos nos dar conta do peso e do valor das coisas quando estivermos navegando num navio abarrotado de ouro e, de repente, vier um aviso que é para abandonarmos a embarcação, pois o mesmo vai afundar!

Então você se vê lutando com um companheiro de viagem, por um pedaço de madeira, o único que restou solto neste navio, pois não há mais botes salva-vidas e coletes!

Você perde a luta e é obrigado a se jogar à própria sorte e ao mar, para ter a chance de ser resgatado com vida.

No meio desta confusão toda, com você à deriva em alto mar, surge aquele homem que lutou com você, remando em sua direção, sentado naquele pedaço de madeira tão disputado. Ele diz, mostrando uma enorme mochila nas costas:

– Olha, além de tomar a madeira de você, eu ainda achei esta mochila e, a enchi de ouro e comida, agora é só esperar socorro chegar! Você vai morrer de fome e frio, pois eu é que não vou colocar minha vida em risco, só pra ajudar um coitado como você e ter que ficar o resto da minha vida pobre, afinal, se eu deixar você subir aqui nesta madeira, o excesso de peso vai nos afundar!

Quando o Homem termina de falar, a madeira que ele está sentado se racha e ele, desesperado, se agarra ao pedaço que sobrou, já que o outro, o mar levou pra longe de seu alcance!

Assim, seu peso ficou demais para aquele pedaço de madeira e ele afundou com a mochila e tudo o mais!

Você fica ali sem poder fazer nada, pois o homem fez a escolha dele!
Escolheu levar as barras de ouro ao invés de levar uma vida, a sua vida!

Mas agora, para que você se dê conta do peso e do verdadeiro valor das coisas, você terá que sair vivo dessa!

Então eu faço uma pergunta?

– Quantas barras de ouro você me daria pra terminar a história da forma que vou descrever abaixo?

Logo depois do homem ter afundado com todo aquele ouro nas costas, a madeira na qual ele estava agarrado, se solta de suas mãos e submerge à sua frente, você sobe em cima dela e, depois de algumas horas, escuta o apito de outro navio que veio resgatar os sobreviventes, que no caso, é só você!

E aí, quantas barras de ouro você acha que vale um pedaço de madeira em alto mar?

Nascido em Guarulhos, São Paulo, escreve desde 2008, não tem influencias literárias, usa sempre suas próprias métricas e regras, escreve não para se tornar conhecido, mas sim para dividir seu conhecimento! Mais sobre sua obra no seu blog.

11 thoughts on “Ouro de Tolo

  1. Bela reflexão você nos leva a fazer. Não tem ouro que “pague” valores morais, éticos.
    Ou temos ( e nunca nos deixamos corromper), ou nunca os teremos. Questão de caráter.
    Porém, acredito (ou quero acreditar), que aqueles que os têm, íntegros, independente
    das circustâncias, saberão sempre o seu peso e o seu valor, e acabarão fazendo a
    melhor escolha, ou a escolha mais honesta ou mais humana.
    Os que não têm…
    Em qualquer circustância estarão sempre querendo “levar o ouro”, mesmo que para isso,
    tenha que se afundar junto com ele.

    Belo texto!! Parabéns
    Bom te ler sempre… em prosa ou em verso!
    Bjsssss

  2. quantas barras de ouro vc me pediria, si fosse eu, ki estivesse la sosinha, e com o ouro? si somos amigos ,,,eu dividiria pela metade,,, um pra mim, outro pra vc… e assim ficariamos com o ouro e continuavamos com a amisade,,, rsrsrsrsrs, e sabe por ke eu dividiria so com vc pois,,,, vc antes mesmo ki eu la chegasse,, ja estava com a historia escrita,,, o mundo e’ dos espertos,, com sertesa ,,,,,,,,vc e ligeiro capaz e’ inteligente,,,,,, capacitado,,,, para prever e escrever,, com sabedoria a nossa historia,,,, rsrsr amigo, si cada ser humano,,,, imaginar com sabedoria, com sertesa o mundo teria outra historia ,,, a maioria vao pelo impulsso.. esse e’ o nosso mundo hode vivemos…….. bjs adorei passar esse momento falando com vc……..

  3. Amigo…a você daria todas as barras de ouro que conseguisse trazer…mas como não vou trazer nenhuma pq sobrevivi te dou minha amizade e meu abraço. Te parabenizo por este belo texto, suscitando profunda reflexão de valores tão esquecidos e tão importantes nos dias de hoje – a solidariedade, a doação gratuita sem esperar nada em troca…assim como aborda questões como a ganância, egoísmo, usura etc…tão comuns nas personalides humanas.
    SE numa hipótese somos nós dois neste barco á deriva em alto mar, não te ofereceria ouro nenhum mas sim minha amizade, minha mão e minha força pra juntos enfrentarmos situação tão adiversa. Pra que pensar neste Oro de Tolo se o que importa é a vida….e é assi m que teríamos que pensar, mas fazemos o contrário. J. Borges descreve bem isso no seu Epitáfio – devia ter amado mais, vivido as coisas simples da vida e não me precocupar tanto em juntar, poupança, riqueza….que sim é importante um bom nível de vida, mas desde que não sejamos tragados pela ganância e o poder e assim perdermos valores aqui já enumerados.
    Mais uma vez PARABÉNS pelo belo texto e por seu site, muito bem feito e apresentado.
    Um grande beijo
    Vera Helena

  4. Pois é, poeta!
    A vida nos prega peças e muitas vêzes devemos soltar as “barras de ouro” para podermos sobreviver.
    O que nos era de tão grande valor, já não vale…
    Muitas vêzes, somos humilhados por pessoas que não soltam o que consideram ser de tão alto valor e pouco se importam se afundaremos na vida, devido a sua conduta egoísta…
    Mas… cada cabeça, uma sentença (não sei de quem é esta citação), mas cada um responde por seu próprio ou próprios atos.

    Um abraço carinhoso.

  5. BELO ! LEMBREI DA SAGA DO TITANIC E OUTRAS SIMILARES !

    NENHUM OURO DO MUNDO VALE NOSSO BEM ESTAR VERDADEIRO ,NOSSA VIDA !

    A GANÂNCIA EXTERMINA O MUNDO EM QUE VIVEMOS !

    BEIJOS AMIGOS E POÉTICOS

  6. Texto interessantíssimo amigo,realmente nos leva a questionar nossos valores…certamente, as tentações existem, ouro, poder,,,,quem não quer? mas escolher entre poder e vida… bem, nem um grama de ouro vale uma vida, pelo menos no meu ponto de vista… morrer abraçado a uma barra de ouro….rs
    seria o tolo com o ouro… ouro de tolo… parabéns, muito bom mesmo…

  7. Amei seu texto. Leva-nos a pensar e refletir sobre os valores e escolhas erradas que fazemos. No caso em questão, a escolha foi mal feita e, creio que quando estava afundando é que se deu conta; mas aí já era tarde. Isso acontece realmente, quando “acordamos”, depois de uma escolha errada, não podemos fazer mais nada. Nem todo ouro do mundo substitui o que você é, seus princípios; os ensinamentos que deram a você.
    Parabéns por me contemplar com mais um texto lindo e reflexivo.

  8. Relatividade dos valores, você abordou o tema com maestria. Quantos dons Deus lhe deu, ainda bem que você os aproveita muito bem.Seu texto é excelente na leitura e na reflexão que proporciona. Boa surpresa, pelo menos para mim, ler você em prosa. Pelas suas poesias já fiz e reitero minha declaração de amor.

  9. Lindo texto que revela a dinâmica das relações humanas, sempre embasadas em valores externos àqueles que revelam a essência humana. Nos faz refletir sobre os valores que temos adotado em nossas vidas, se vale a pena pesar a vida em gramas de ouro, se vale a pena pesar a vida em etiquetas, bens de conumo que pouco importam em frente à uma situação de extrema fragilidade da vida, a que todos estamos expostos.
    Parabéns poeta que com sabedoria e sensibilidade soube representar valores importantes a serem pensados, pesados e questionados, sempre, em todas as situações. Muito te admiro, te quero e te amo!
    Beijo!

  10. Eu acho que estamos precisando, com urgência, de uma reforma de mentalidade, de um retorno aos valores morais e éticos. Como tão bem você escreveu, não vale a pena essa ganância…porque somos frágeis, debeis, humanos, não somos donos de nossa própria vida…de nossa saúde…até a natureza nos prega cada peça!!!
    Lindo Texto de uma conotação imensurável, principalmente ao que diz respeito ao SER HUMANO, suas fraquezas e misérias morais.
    Você, além de poeta, é um grande Psicólogo!!! Obrigada por sua amizade! E Parabéns pelo Texto! Maravilhoso!
    Soniia

  11. Ter peso e medida em tudo, menos no amor. Se ele desse mais valor à caridade, certamente não teria afundado. Parabéns! Belo e reflexivo texto!

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