À Deriva
Terceiro filme de Heitor Dhalia é bom, mas é ofuscado pelos trabalhos anteriores do cineasta
À Deriva (Idem, Brasil, 2009). Direção e roteiro: Heitor Dhalia. Elenco: Laura Neiva, Vincent Cassel, Débora Bloch, Camilla Belle, Cauã Reymond, Gregório Duvivier. Drama. 103 min. (Cor).
Heitor Dhalia demonstrou domínio das técnicas do cinema já no seu primeiro longa, “Nina”, e confirmou o talento para se aprofundar em personagens excêntricos em “O Cheiro do Ralo”. Quem esperar outro filme desta linha em “À Deriva” vai se decepcionar bastante, porém. Só que, e aí entra a ironia, trata-se de um bom filme. É uma história convencional, com personagens convencionais e conflitos igualmente convencionais: salvos por uma condução competente, atuações marcantes e muita possibilidade de identificação.
“À Deriva” se passa na década de 1980, e se centra na família de Mathias (Vincent Cassel) e Clarice (Débora Bloch), que estão de férias com os filhos em uma casa de praia. Uma parte da história se concentra nas descobertas de adolescente da filha mais velha do casal, Filipa (a estreante Laura Neiva), enquanto outra mostra como cada vez mais o casamento dos pais dela está entrando em crise. As duas pontas se juntam quando a menina flagra o pai tendo um caso com uma moça chamada Ângela (Camilla Belle).
O mais impressionante é como o diretor demonstra talento para esse tipo de filme sem antes ter apresentado qualquer uma das características dele. A história de Filipa é desenvolvida sem falsos moralismos, enquanto o desmoronamento do casal principal é tratado de forma bem realista e competente. Para quem vê Débora Bloch e pensa em seus papéis em “Caminho das Índias”, “A Lua me Disse” e outros trabalhos, vai se surpreender com a entrega dela ao papel de Clarice, de longe o melhor do filme. E a jovem Laura Neiva, em seu primeiro filme, demonstra talento para a coisa e deixa o espectador na expectativa de conferir seu próximo filme. O espectador vai custar um pouco para se acostumar ao sotaque de Vincent Cassel falando em português, mas faz parte do personagem, então, está dentro do jogo.
Os maiores inimigos de “À Deriva” só podem ser os outros dois filmes do diretor Heitor Dhalia. Se este fosse o seu primeiro, teria um clamor bem maior. É aquela velha história da expectativa. Com “À Deriva” só fica claro que é bem melhor superar expectativas do que apenas subvertê-las.
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Lançamento em DVD (O longa já estava disponível no formato para locação desde 25/11/2009 e agora é lançado para venda no varejo).
Configurações do DVD: Menu interativo; Seleção de cenas; Formato de Tela: Widescreen 16:9; Áudio: Dolby Digital 5.1 (Português e Espanhol); Sem legendas.
Estreia nos cinemas brasileiros: 30/07/2009